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MATA DOS COCAIS

REGIÕES DO BRASIL

O IBGE classifica o país em cinco blocos territoriais buscando juntar traços físicos, humanos, econômicos e sociais comuns . Essa divisão facilita o agrupamento de dados estatísticos e ajuda no planejamento de políticas voltadas 'parai áreas com necessidades semelhantes. Como as fronteiras das regiões coincidem com os limites dos estados, algumas áreas apresentam maior afinidade com parte da região vizinha. É o caso do norte de Minas Gerais, que, apesar de estar na Região Sudeste, é semelhante ao semi-árido nordestino; e do oeste do Maranhão, que, mesmo estando na Região Nordeste, -tem características próprias da Região Norte. A última mudança na área das regiões ocorre em 1988, quando o Tocantins é desmembrado de Goiás, estado da Região Centro-Oeste, e incorporado à Região Norte.

REGIÃO NORTE

Formada pelos estados do Acre , do Amapá , do Amazonas , do Pará , de Rondônia, de Roraima e do Tocantins.

A maior parte da região está sob o domínio do clima equatorial e o oeste sofre a ação de frentes frias durante o inverno. No norte do Pará e em Rondônia há clima tropical. A floresta Amazônica é a vegetação predominante. Dela se extraem látex , açaí e castanhas, essenciais à economia regional. Além dos produtos vegetais, a' região é rica em minérios. Lá estão a serra de Carajás (PA), a mais importante área de mineração do país, e a serra do Navio (AP), farta em manganês. A extração mineral é praticada muitas vezes sem os cuidados adequados, contribuindo para a destruição ambiental por meio do desflorestamento e da contaminação dos rios pelo mercúrio usado na mineração de ouro.

Apesar de a região ter a maior área do pais, a população é a menor, tanto em termos relativos quanto absolutos. Mesmo assim é a de maior crescimento demográfico por causa da migração da Região Nordeste . Esse movimento existe desde o século passado, quando os nordestinos foram atraídos pelo ciclo da borracha . Parte dos habitantes é descendente desses migrantes. Possui também grande' população indígena, cujas terras são com freqüência invadidas para extração de madeira e garimpo dê ouro. A influência desses povos nativos está presente na culinária rica em peixes e no Bumba-Meu-Boi de Parintins (AM), que é, junto com o Círio de Nazaré , que acontece em Belém (PA) , a festa regional mais conhecida em todo o território.

Há falta de infra-estrutura energética: a única grande usina é a de Tucuruí , no rio Tocantins (PA). São comuns racionamentos de energia elétrica como o que afetou Manaus em 1997. Outra grave deficiência é de estradas. Apesar do grande movimento fluvial e de enorme parte da população viver à beira rio , ainda há produtos que dependem das rodovias e chegam ao mercado regional de forma inconstante e com preços elevados.

REGIÃO NORDESTE

Formada pelos estados do Maranhão, do Piauí , do Ceará; do Rio' Grande do Norte , de Pernambuco , de Alagoas , de Sergipe , da Paraíba e da Bahia .

A maior parte da região está sob mínio do clima tropical. Nas depressões entre planaltos do sertão e no vale do rio São Francisco , n Bahia, há clima semi-árido, marcado pela vegetação a caatinga . É o chamado agreste nordestino. A partir o período colonial, a mata atlântica, que recobria o litoral entre a Bahia e o Rio Grande do Norte, foi quase inteiramente destruída para dar lugar às extensas plantações de cana-de-açúcar. Apesar da destruição, esse trecho continua a ser conhecido como Zona da Mata.

A grande concentração populacional junto da costa, aliada 'à beleza natural, contribui para o crescimento do turismo, mesmo havendo deficiências na infra-estrutura de atendimento. Esse crescimento favorece a especulação imobiliária, que, em muitos casos, ameaça a preservação de importantes ecossistemas, especialmente áreas de mangue e dunas. A concentração populacional e econômica na costa propicia uma culinária à base de peixe, camarão, lagosta e marisco. No interior é mais comum o consumo de carne-seca.

Ainda hoje a economia da região depende muito da agroindústria do açúcar e do cacau exercida em latifúndios, muitas vezes com métodos primitivos. Mas há uma significativa extração de petróleo na Bahia, processado na refinaria Landulfo Alves e no pólo petroquímico de Camaçari. Muitas empresas têm aproveitado os incentivos fiscais concedidos pelos governos’ estaduais, e os salários tradicionalmente mais baixos, para se instalar na região. O Ceará, que consegue atrair algumas importantes indústrias de calçados, é um exemplo desse movimento.

Algumas formas de artesanato são tradicionais na região. Entre elas estão a renda de bilros e a cerâmica

As festas juninas de cidades como Caruaru (PE) e Campina Grande (PB) são as mais populares do país. E o Carnaval de Salvador (BA), de Olinda e do Recife (PE) estão entre os que mais atraem turistas em todo o Brasil.

A região ainda tem altos índices de pobreza, que se refletem nos índices de mortalidade infantil e de analfabetismo. A má distribuição da propriedade da terra, a seca e as dificuldades de obtenção de crédito agrícola dificultam a permanência do homem no campo. Há também pouco acesso a métodos eficientes de uso da terra, o que, aliado à atração de novos empregos, alimenta a migração em direção às cidades. Entre os principais destinos estão cidades da Região Sudeste e as capitais dos próprios estados nordestinos. De todo o movimento migratório que acontece de 1991 a 1996 entre regiões, 46, I% é de nordestinos.

REGIÃO SUDESTE

Formada pelos estados do Espírito Santo , do Rio de Janeiro , de Minas Gerais e de São Paulo.

Os climas predominantes são o tropical atlântico, no litoral, e o tropical de altitude, nos planaltos. A cobertura vegetal original, a mata atlântica , foi quase inteiramente devastada durante a ocupação, em especial pela expansão do café. Na serra do Mar , no entanto, a dificuldade de acesso e de cultivo contribuiu para a preservação de parte dessa mata.

A expansão cafeeira foi uma das razões para que a região recebesse grande quantidade de imigrantes europeus e japoneses no fim do século passado e no começo deste. Eles se concentraram nos estados de São Paulo e do Espírito Santo, deixando grande influência cultural em setores que vão da política às artes plásticas, passando pela culinária. Pratos à base de massa, de origem italiana, tornam-se comuns na mesa brasileira.

Com a maior população do país, a região contribui para mais de 60% do PIB . A economia é fortemente desenvolvida e industrializada, produzindo de aço e cimento a automóveis e aviões. O- setor industrial, no entanto, vem perdendo força com a diminuição do número de empregos e o aumento do setor de serviços. Há também uma significativa atividade agropecuária, com bom padrão técnico e boa produtividade, que garantem grande rebanhos bovinos e uma destacada produção de 1 cana-de-açúcar e café. Minas Gerais extra numerosa variedade de minérios, e da bacia de Caril )os (RJ) sai a maior parte do petróleo brasileiro . Essa riqueza ajuda a fazer do Sudeste a região que mais atrai migração inter-regional em números absolutos. Existe também um movimento contrário causa pela crise na indústria e pela exigência cada vez maior de melhores empregos. Entre 1991 e 1996 cerca de 250 mil pessoas voltam para o Nordeste. O desenvolvimento econômico permite ainda que o' Sudeste tenha índices sociais entre os melhores do país.

Existem ainda grandes testas populares na região.

Destacam-se o Carnaval no Rio de Janeiro e as testas religiosas e procissões em algumas cidade s de Minas Gerais. Essas cidades mineiras, algumas com riquíssimos conjuntos arquitetônicos barrocos barracos , são um dos destinos preferidos do turismo barrocos junto com o litoral.

REGIÃO SUL

Formada pelos estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul .

O clima subtropical, com as temperaturas mais baixas do país, predomina na região. Além de resquícios de matas de araucárias , o sul é coberto por vegetação rasteira, favorável à pecuária 'a, o que transforma a criação de animais em um das mais importantes atividades econômicas. à grandes rebanhos bovinos nos pampas gaúchos e criação de suínos em Santa Catarina e no Paraná . Isso impulsiona a instalação de grandes Frigoríficos, especialmente no oeste catarinense. A agricultura é praticada em larga escala, com o uso de técnica modernas que permitem larga produti vidade às culturas de trigo, soja, milho, arroz, feijão tabaco. A transição para esse tipo de agricultura, o entanto, causou grande expulsão de trabalhadores do campo, levando a um intenso movimento migratório tório para novas fronteiras agrícolas, especialmente para o Centro-Oeste. Entre 1991 e 1996 a rui ação para outras regiões se reduz e aumenta o fluxo o interno. Curitiba torna-se a capital com o maior crescimento demográfico do período.

A vasta produção agropecuária permite a concentração de capital, que leva à íris instalação de parques industriais nas áreas metropolitanas s de Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR). Existe ainda exploração de madeira de pinho, no Paraná, e de caro o mineral, Ao sul de Santa Catarina. A região tem o melhores indicadores sociais do país, com o mais b aixo índice de analfabetismo e de mortalidade infantil.

As características climáticas, que possibilitam ocasionais nevadas, contribuem para atrair, -entre o fim do século XIX e o começo do XX, u na grande migração européia, que se instalou nas regiões Alas ., onde desenvolveu a agricultura e a de vinhos. Hoje o clima e a produção vinícola favorecem o turismo durante o inverno. No catarinense e paranaense há intenso movimento turístico no verão.

REGIÃO CENTRO-OESTE

formada da pelos estados de Goiás , de Mato Grosso, de Mato Grosso do sul e Distrito Federal .

O clima é tropical com chuva de verão. A a i tia cerrado nos planaltos e mu to variada no Pantanal . Na década de 60, o povoamento foi acelerado pela transferência da capital federal para Brasília e pela construção de rodovias. Vêm migrantes do sul e do sudeste do país, que contribuem para o crescimento de uma importante área agrícola. A economia da região, que havia regredido para a agropecuária de subsistência depois do declínio dos garimpos de ouro e diamante, é substituída pela pecuária extensiva e pelo cultivo de soja, milho, algodão e arroz, praticado em vastos latifúndios. A grande concentração de terra faz com que haja também inúmeros conflitos pela posse da terra, que chegam a terminar em morte.

A industrialização, no entanto, ainda é pequena, e os índices de analfabetismo e mortalidade infantil estão em um patamar ligeiramente superior aos das regiões Sudeste e Sul. Brasília , a capital federal é uma cidade atípica pela grande concentração de políticos e funcionários públicos, além de abrigar as embaixadas dos países com os quais o Brasil mantém ligações diplomáticas. Paralelamente a essa importância terrena, atrai místicos de diversas seitas. Esse misticismo é forte em outras áreas do Centro-Oeste, como na Chapada dos Guimarães , uma das principais atrações turísticas da região, ao lado do Pantanal. Com enorme biodiversidade, o Pantanal é a maior planície alagada do inundo, trazendo a cada ano mais turistas interessados em passeios ecológicos e em pescaria.

Relevo do Brasil

São três as grandes unidades encontradas no relevo brasileiro : os planaltos , as planícies e as depressões . Essas unidades têm formação antiga e resultam principalmente da ação das forças internas-meio-ambiente da Terra e da sucessão de ciclos climáticos, cuja alternância de climas quentes e úmidos com climas áridos ou semi-áridos favoreceu o processo de erosão.

Estrutura geológica

As forças internas-meio-ambiente do interior da terra, como a movimentação de placas tectônicas, as falhas e o vulcanismo, determinam três tipos de formação geológica. As plataformas (ou crátons) são as mais antigas, por isso sofreram enormes períodos de erosão e se tornaram mais estáveis sob o ponto de vista da movimentação tectônica. Os cinturões orogênicos ou cadeias orogênicas são terrenos muito elevados da superfície terrestre, caracterizados por grande instabilidade. Estão associados às maiores cadeias montanhosas do planeta ou aos chamados dobramentos, como os Andes, na América do Sul, ou o Himalaia, na Ásia. As bacias sedimentares são constituídas em grande parte por rochas sedimentares, provenientes da desagregação de outras rochas ou de outros materiais, que recobrem áreas de plataforma. É a formação geológica mais recente e está presente em 64% do território brasileiro.

Planaltos - São formas de relevo mais altas que ofereceram maior dificuldade à erosão. Podem ser encontrados em qualquer tipo de estrutura geológica.

Nas bacias sedimentares, os planaltos se caracterizam pela formação de escarpas em áreas de fronteira com as depressões. Formam também as chapadas , extensas superfícies planas de grande altitude. No território brasileiro , alguns exemplos de planalto em bacias sedimentares são o planalto da Amazônia oriental, que, com altitude máxima de 400 ._ m, se constitui em parte de tabuleiros, ou seja, morros de topo plano. Já os planaltos e as chapadas da bacia.

São exemplos de planalto em áreas de plataforma os planaltos residuais Norte-amazônicos, onde, apesar de a altitude média se encontrar entre 600m e 1.000m, não existem regiões bem elevadas, como o pico da Neblina. Ou ainda os planaltos residuais Sul-Amazônicos, em que se percebem formações planas, como a chapada do Cachimbo, mas também estruturas como a serra de Carajás. Com grande variação de altitude, existem ainda o planalto e a chapada dos Parecis, com média de elevação entre 400m e, nas regiões como a chapada, 800m. Há também os planaltos correspondentes aos cinturões orogênicos do Atlântico, de Brasília e do Paraguai-Araguaia.

São eles: os planaltos e as serras do Atlântico Leste-Sudeste, com dominância de morros de topos convexos, canais e vales profundos, como se verifica nas regiões das serras da Mantiqueira, do Mar e do Espinhaço. Existe ainda o planalto de Borborema, na Região Nordeste, e o planalto Sul-Rio-Grandense, que não ultrapassa os 450m. Os planaltos e as serras de Goiás-Minas, no cinturão orogênico de Brasília, com as serras da Canastra, da Bocaína, Dourada e Geral do Paraná, regiões caracterizadas pela incidência de topos planos em forma de chapadas, como as chapadas de Brasília, de Cristalina e dos Veadeiros. E as serras residuais do Alto Paraguai, que, estando ao Sul e ao Norte do Pantanal Mato-Grossense (serra da Bodoquena e Província Serrana), atingem níveis de até 800m de altitude.

Depressões

São áreas rebaixadas formadas pela atividade erosiva entre bacias sedimentares e as estruturas geológicas mais antigas. Nessas unidades de relevo as marcas dos climas do passado e a alternância das diversas fases de erosão são mais facilmente notadas. Algumas das depressões localizadas às margens de bacias sedimentares são chamadas de depressões marginais e periféricas. Elas são em grande número e de variados tipos no território brasileiro: a depressão da Amazônia ocidental (terrenos em torno de 200m de altitude); depressões marginais Amazônicas (que margeiam as bordas norte e sul da bacia Amazônica); marginal Sul-Amazônica (entre 100m e 400m); do Araguaia (entre 200m e 350m); depressão Cuiabana (de 150m a 400m; do Alto Paraguai e Guaporé (ligadas entre as bacias do rio Jauru e Guaporé); do Miranda (entre 100m e 150m); do Tocantins; depressão sertaneja e do São Francisco (começa no litoral nordestino com altitudes inferiores a 100m e alonga-se na direção do médio vale do São Francisco); da borda leste da bacia do Paraná (que chega a atingir em São Paulo altitudes entre 600 e 700m); e Periférica Central ou Sul-Rio-Grandense (localizada na borda da bacia do Paraná, com altitude média de 200m).

Planícies

São unidades de relevo geologicamente muito recentes. Sua formação ocorre por causa da sucessiva deposição de material de origem marinha, lacustre ou fluvial em áreas planas. Estão em geral associadas a bacias hidrográficas, como a planície do rio Amazonas, que margeia o leito do rio e seus afluentes, tendo sua maior extensão na ilha de Marajó. Por sua vez, a planície do rio Araguaia, na altura da ilha do Bananal, é extremamente plana, com altura de 200m e vegetação de cerrados e campos limpos. A planície do rio Guaporé, um terreno plano de 220m, também se caracteriza por um pantanal que se liga, inclusive, ao Pantanal Mato-Grossense. E este Pantanal ou planície Mato-Grossense, que avança em direção à Bolívia e ao Paraguai, é uma área de sedimentação aluvial recente, com oscilação de altitude entre 100 e 150m. No litoral do Rio Grande do Sul podem se destacar as planícies das lagoas dos Patos e Mirim.

E há ainda as planícies e os tabuleiros litorâneos que percorrem a costa brasileira do Nordeste ao Sudeste em torno de rio de menor porte.

Clima do Brasil

A maior parte do território brasileiro (92%) está localizada na zona intertropical, com relevo dominado por baixas e médias altitudes. Por isso predominam os climas quentes e úmidos, com média de temperatura na faixa de 20°C. A amplitude térmica – diferença entre as médias anuais de temperaturas máximas e mínimas – é baixa. Os tipos de clima presentes no Brasil são:

Equatorial

Ocorre na região Amazônica, ao Norte de Mato Grosso e a oeste do Maranhão e está sob ação da massa de ar equatorial continental – de ar quente e geralmente úmido. Suas principais características são temperaturas médias elevadas (25°C a 27°C); chuvas abundantes, com índices próximos de 2.000 mn/ano, e bem distribuídas ao longo do ano; e reduzida amplitude térmica, não ultrapassando 3°C. No inverno, essa região pode sofrer influência da massa polar atlântica, que atinge a Amazônia ocidental ocasionando um fenômeno denominado "friagem", ou seja, súbito rebaixamento da temperatura em uma região normalmente muito quente.

Tropical

Abrange todo Brasil central, a porção ocidental do Maranhão, grande parte do Piauí e a porção ocidental da Bahia e de Minas Gerais. Também é encontrado no extremo norte do país, em Roraima. Caracteriza-se por temperatura elevada (de 18°C a 28°C), com amplitude térmica de 5°C a 7°C, e estações bem definidas – uma chuvosa e outra seca. Apresenta alto índice pluviométrico, em torno de 1.500 mm/ano. A estação de chuva é o verão, quando a massa equatorial continental está sobre a região. No inverno, com o deslocamento dessa massa diminui a umidade e então ocorre a estação seca.

Tropical de altitude

É encontrado nas partes mais elevadas, entre 800m e 1.000m, do planalto Atlântico do Sudeste. Abrange trechos dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Norte do Paraná. Sofre a influência da massa de ar tropical atlântica, que provoca chuvas no período do verão. Apresenta temperatura amena, entre 18°C e 22°C, e amplitude térmica anual entre 7°C e 9°C. N o inverno, as geadas acontecem com certa freqüência em virtude da ação das frentes frias originadas da massa polar atlântica.

Tropical atlântico ou tropical úmido

Estende-se pela faixa litorânea do Rio Grande do Norte ao Paraná. Sofre a ação direta da massa tropical atlântica, que, por ser quente e úmida, provoca chuvas intensas. O clima é quente com variação de temperatura entre 18°C e 26°C e amplitude térmica maior à medida que se avança em direção ao Sul -, úmido e chuvoso durante todo o ano. No Nordeste, a maior concentração de chuva ocorre no inverno . No Sudeste, no verão. O índice pluviométrico médio é de 2000 mm/ano.

Subtropical

Acontece nas latitudes abaixo do trópico de Capricórnio: abrange o sul do Estado de São Paulo, a maior parte do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. É influenciado pela massa polar atlântica, que determina temperatura média de 18°C e amplitude térmica elevada (10°C). As chuvas são pouco intensas, 1000mn/ano, mas bem distribuídas durante o ano. Há geadas com freqüência e eventuais nevadas. Apresenta estações do ano bem marcadas. O verão é muito quente, podendo ultrapassar os 30°C de temperatura. O inverno é muito frio, com temperatura inferior a 0°C. Primavera e outono têm temperatura média entre 12°C e 18°C.

Semi-árido

Típico do interior do Nordeste, região conhecida como o Polígono das Secas, que corresponde a quase todo o sertão nordestino e aos vales médio e inferior do RIO São Francisco. Sofre a influência da massa tropical atlântica que, ao chegar à região, já se apresenta com pouca umidade. Caracteriza-se por elevadas temperaturas (média de 270C) e chuvas escassas (em torno de 750 mm/ano), irregulares e mal distribuídas durante o ano. Há períodos em que a massa equatorial atlântica (superúmida) chega no litoral norte de Região Nordeste e atinge o sertão, causando chuva intensa nos meses de fevereiro, março e abril.

Vegetação no Brasil

Associada aos diversos climas, relevos e solos existentes no Brasil há uma variedade de formações vegetais. Muito explorada desde o período colonial, a vegetação original brasileira é a primeira fonte de riqueza do país. Mas a extração do pau-brasil representa também o início de um processo desordenado de utilização da cobertura vegetal, que praticamente levou à extinção da mata atlântica. Essa ação devastadora é marcante sobretudo nas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e parte do Centro-Oeste. Atualmente o desmatamento atinge sobretudo a Amazônia. Segundo o IBGE, 67,1% ainda é coberto por vegetação primitiva. Podemos classificar a vegetação brasileira, em escala regional, em floresta Amazônica mata atlântica (florestas costeiras), cerrado, pantanal, caatinga, matas de araucária, matas de cocais, campos, restingas e mangues.

FLORESTA AMAZÔNICA

É uma floresta latifoliada (do latim, lati, que significa "largo"), ou seja, com predominância de espécies vegetais de folhas largas. Com características próprias de clima equatorial, tipicamente quente e superúmido, é também conhecida como Hiléia. Ocupa 38,5% do território brasileiro – em uma área que abrange a totalidade da Região Norte, o norte de Mato Grosso e oeste do Maranhão – estendendo-se ainda pelos países vizinhos. Apresenta grande heterogeneidade de espécies e caracteriza-se, de acordo com os três níveis topográficos da Amazônia, por três diferentes matas: de igapó, várzea e terra firme. A mata de igapó corresponde à parte da floresta onde o solo se encontra inundado. Extremamente intricada, reúne espécies como liana, cipó, epífita, parasita e vitória-régia, ocorrendo principalmente no baixo Amazonas. A mata de várzea é própria das regiões que são periodicamente inundadas, denominadas terraços fluviais.

Intermediárias entre igápos e a terra firme, as espécies da mata de várzea atingem certa altura, com formações variadas, como seringueira, palmeira, jatobá e maçaranduba, de acordo com a proximidade dos rios. As matas de terra firme correspondem à parte mais elevada do relevo. Com solo seco, livre de inundação, as árvores chegam a atingir 65m de altura. O entrelaçamento de suas copas, em algumas regiões, impede quase totalmente a passagem de luz, o que torna seu interior muito úmido, escuro e pouco ventilado. Em terra firme encontram-se espécies como o castanheiro, o caucho e o guaraná. A exploração de produtos tradicionais como o guaraná, o látex e a castanha-do-pará pode ocorrer de forma a não interferir no equilíbrio ecológico e a garantir a sobrevivência de comunidades da floresta. A devastação resultante da grande extração de madeira, feita sem preocupação com a preservação ambiental, tem início na década de 60, atingindo o pico entre o final da década de 70 e o começo da de 80. Outros problemas são o extrativismo mineral e as queimadas, prática realizada muitas vezes com o fim de adequar áreas da floresta à pecuária.

MATA ATLÂNTICA

Predominando na costa brasileira, onde planaltos e serras impedem a passagem da massa de ar, provocando chuva, a mata atlântica é uma floresta de clima tropical quente e úmido. Entre as florestas tropicais é a que apresenta a maior biodiversidade por hectare do mundo, contando em sua formação com espécies como ipê, quaresmeira, cedro, palmiteiro, canela e imbaúba. É a mais devastada das florestas brasileiras. No passado estendia-se do litoral do Rio Grande do Norte ao de Santa Catarina. No período colonial foi intensamente destruída para dar lugar à cultura canavieira no Nordeste, e, posteriormente, no Sudeste, à cultura cafeeira. Entretanto, é nas regiões Sul e Sudeste que se encontram os cerca de 8% restantes da mata original, preservados graças á presença da serra do Mar, obstáculo à ação humana. Atualmente, mesmo essa área se encontra em situação de risco, especialmente para a exploração de espécies como jacarandá, cedro e palmito. Contribuem, ainda, o turismo predatório e o elevado índice de poluição da costa brasileira.

CAATINGA

Ocupa aproximadamente a décima parte do território brasileiro, ou seja, a região do sertão nordestino, de clima semi-árido. É composta de plantas xerófilas, próprias de clima seco, adaptadas á pouca quantidade de água: os espinhos das cactáceas, por exemplo, têm a função de diminuir sua transpiração. O solo da caatinga é fértil quando intrigado. Mas, por causa do baixo índice pluviométrico da região sertaneja, as plantas que produzem cera, fibra, óleo vegetal e, principalmente, frutas dependem de irrigação artificial, possibilitada pela construção de canais e açudes.

PANTANAL MATO-GROSSENSE

A maior planície inundável do mundo ocupa uma área de 150.000 Km2 , englobando do sudoeste de Mato Grosso ao oeste de Mato Grosso do Sul até o Paraguai. Nessa formação podem ser identificadas três diferentes áreas: as alagadas, as periodicamente alagadas e as que não sofrem inundações. Nas áreas alagadas, a vegetação de gramíneas desenvolve-se no inverno e é usada para o gado bovino. Nas de eventuais alagamentos, encontram-se, além de vegetação rasteira, arbustos e palmeiras como o buriti e o carandá. E nas que não sofrem inundações encontram-se os cerrados e, em pontos mais úmidos, espécies arbóreas da floresta tropical. Em razão da alternância de períodos de cheia e de seca, existe grande variedade de espécies animais e vegetais.

A principio, a criação de gado não causou danos ambientais, mas, recentemente, com o investimento de grandes capitais e a desmedida proliferação do gado (mais de 30 milhões somando os rebanhos de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul), o equilíbrio vem sendo ameaçado. Há também contaminação por causa de agrotóxicos utilizados na agricultura, nos garimpos irregulares, na caça e na pesca predatórias. Tudo isso interfere na qualidade da água, elemento-base de todo o ecossistema.

CERRADO

Formação típica de área tropical com duas estações marcadas, um inverno seco e um verão chuvoso. Sua área de ocorrência é o Brasil Central. O solo, deficiente em nutrientes e com alta concentração de alumínio dá à mata uma aparência seca. Apesar de não haver falta de água, as plantas têm raízes capazes de retirar água do solo a mais de 15m de profundidade. A vegetação se caracteriza principalmente pela presença de pequenos arbustos e árvores retorcidas, com cortiça grossa e folhas recobertas por pêlos. Encontram-se ainda gramíneas e cerradão, um tipo mais denso de cerrado, já misturado com formações florestais. Embora tradicionalmente esteja associado à pecuária, vem sendo ocupado pela monocultura de soja, responsável pela descaracterização dessa cobertura, já que ocupou originalmente cerca de 25% do território brasileiro.

CAMPOS

Formado por herbáceas, gramíneas e pequenos arbustos, existem em diversas áreas descontínuas do país, onde aparecem com características bastante diversas. Se há ocorrência "campos limpos". Se encontram misturados gramíneas e arbustos, são denominados "campos sujos". Além dessas existem outras classificações de formação campestre. Os chamados campos de atitude são aqueles encontrados em alturas superiores a 100m, por exemplo, na serra da Mantiqueira e no planalto das Guianas. Os campos da Hiléia são formações rasteiras existentes na Amazônia. E os campos meridionais, como a Campanha Gaúcha, no Rio Grande do Sul, são ocupados principalmente pela pecuária.

MATA DE ARAUCÁRIA

É uma floresta aciculifoliada (folhas em forma de agulha, finas e alongadas), própria do clima subtropical, existente na Região Sul e em trechos do estado de São Paulo. Tem na Araucária angustifolia, ou pinheiro- do - paraná, a espécie dominante, cujo fruto é o pinhão. Como atingem altura de mais de 30m e possuem formação aberta, as araucárias oferecem certas facilidade à circulação. Isso, associado ao grande número de pinheiros existentes, fez com que as florestas dessa formação se tornassem a principal fonte produtora de madeira do país, o que levou ao seu desaparecimento quase total. Seu principal produto, o pinho, tem ampla a variada aplicação econômica na indústria de móveis, na construção civil e na indústria de papel e celulose se voltam principalmente para os pinos e os eucaliptos, menos nobres, porém mais exploráveis em curto intervalo de tempo.

MATA DE COCAIS

Situada entre a floresta Amazônica e a caatinga, a mata de cocais está presente nos estados do Maranhão e do Piauí e norte do Tocantins. No lado oeste, onde a proximidade com o clima equatorial da Amazônia torna-a mais úmida ,é freqüente o babaçu: palmeiras que atingem de 15 a 20m de altura. Dos cocos de babaçu se extrai o óleo, muito utilizado pelas indústrias alimentícia e de cosméticos. No lado mais seco, a leste, domina a carnaúba, que pode atingir até 20m de altura, sendo totalmente utilizável, embora a cera seja o produto mais procurado pelo mercado. Assim, a mata de cocais garante a sobrevivência de comunidades extrativistas que exercem suas atividades sem prejudicar essa formação vegetal. A destruição, no entanto, acontece com a criação de áreas de pasto para a pecuária, principalmente no Maranhão e norte do Tocantins.

MANGUE

É uma formação vegetal composta de arbustos e espécies arbóreas em que predominam troncos finos e raízes aéreas e respiratórias (ou raízes escora) adaptadas à salinidade e a solos pouco oxigenados, em áreas de lagunas e restingas do litoral. Pode ser rico em matéria orgânica, tem papel muito importante na reprodução e no abrigo de espécies da fauna marinha. Tradicionalmente, no mangue se realiza, como atividade econômica, a pesca de caranguejo. Sofre a ação destrutiva do turismo predatório, da ocupação imobiliária e da poluição provocada por esgotos.

RESTINGA

É um tipo de vegetação próprio de terrenos salinos formada por ervas, arbustos e árvores. Os destaques são a aroeira -de- praia e o cajueiro. Sente os efeitos da mesma ação destrutiva a que está exposto o mangue.

Demografia do Brasil

A população do brasileira é de 157.079.573 em 1996 segundo realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Seu crescimento anual é de 1,38% entre 1991 e 1996, contra os 1,39% observados na década anterior. O número de filhos por mulher- a taxa de fecundidade- está em quedas constante, o que leva a uma diminuição do número de crianças e a um crescimento da população de adultos e idosos. Hoje, quase 80% dos brasileiros vivem em zona urbanas e que a migração entre regiões diminuiu em comparação com o período 1986-1991. Taxa de fecundidade- A década de 50 marca a mudança no ritmo de crescimento da população. Cai a taxa de mortalidade e função do maior acesso ao saneamento básico, à água potável e a vacinação, e do desenvolvimento de medicamentos como sulfas e antibióticos. Essas conquistas, aliadas a alta taxa de fecundidade, causam uma aceleração do crescimento de população brasileira. A partir da década de 60 as mulheres começam a poder planejar melhor o número de filhos. A taxa de fecundidade cai de 5,7 em 1965 para 2,4 em 1996. Isso deve-se à disseminação dos métodos anticoncepcionais: segundo a Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde (PNDS 1996), realizada em 1996 pela Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil (Bemfam), 99,6% das mulheres conhecem algum método moderno para evitar a gravidez indesejada. Quando esse conhecimento alia-se a uma maior escolaridade, o número de filhos é ainda menor. Entre as mulheres sem instrução formal a taxa de fecundidade está em torno de 5,0. Entre as com mais de 12 anos de estudo cai para 1,5. As diferenças regionais também são acentuadas. Enquanto na região Sul a fecundidade é estimada em 2,3 no início dos anos 90, no Norte e Nordeste essa taxa é de 4,0.

Outra mudança é o crescimento da gravidez na adolescência. Segundo a PNDS, 16% das mulheres que tinham entre 20-24 anos no momento da pesquisa haviam tido seu primeiro filho antes dos 17 anos. No grupo de mulheres entre 45-49 anos essa porcentagem cai para 10,6%. As alterações nos padrões de comportamento sexual, em que valores como virgindade e casamento perdem a força contribuem para esse aumento. Além disso a melhoria do padrão de vida faz baixar a idade da primeira menstruação e as meninas torna-se férteis mais cedo.

Faixas etárias

As crianças e adolescentes até 14 anos, que representam 31,62% da população, era 4,83% em 1991. Esse envelhecimento da população também pode ser mostrado pelo índice que compara a população idosa, com 65 anos ou mais, com a população de crianças menores de 15 anos. Para cada 100 crianças o Brasil tem aproximadamente 17 idosos (16,97%). Esse número estava em torno de 14 (13,9%) em 1991.

A diminuição no número de crianças permite que os investimentos em educação sejam concentrados na melhoria da qualidade de ensino e não mais no aumento no número de escolas e salas de aula. Já o crescente número de idosos aumenta as exigências sobre o sistema de saúde- as doenças da terceira idade exigem maior acompanhamento e internações mais prolongadas e sobre o sistema previdenciário. Um dos desafios é garantir e melhorar aposentadorias ao mesmo tempo em que aumentam os beneficiários e diminuem os contribuintes. Essa diminuição, no entanto, ainda não se deve ao envelhecimento da população e sim ao crescimento do desemprego e do emprego no mercado informal.

Estrutura por sexo

O número de homens em relação a cada grupo de mulheres- é de 97,26. Esse índice é chamado de razão de sexo e quando é superior a 100 significa que há mais homens que mulheres na população. Quando é inferior a 100 é porque há mais mulheres. Em 1996 o número de mulheres supera o de homens por 2.184.491 mas a diferença é proporcionalmente menor do que em 1991. Há , no entanto, grandes diferenças regionais. Na área urbana a razão de sexo é de 94,25%, mas na zona rural os homens são maioria: a razão de sexo é de 108,97%. O número de homens também supera o de mulheres nas regiões Norte e Centro- Oeste. Nessas duas regiões ainda há uma grande migração motivada pela expansão da fronteira agrícola e garimpo, tipo de trabalho que atrai predominantemente os homens.

Família

As mudanças registradas na estrutura familiar são: o aumento das uniões informais e dos divórcios, a queda drástica no número de famílias chefiadas por mulheres: mais de 1/4 de todas as famílias brasileiras. Esse número passa de 14,65% em 1980, para 18,12% em 1991, e 20,81% em 1996. O distrito Federal, com 26,7% e o Rio de Janeiro, com 26,1%, são as unidades da federação com maior número de mulheres nessa situação. Entre elas predominam as moradoras pobres da periferia das grandes cidades abandonadas por maridos e companheiros. Um dos motivos desses índices serem considerados preocupantes é o fato de, tradicionalmente, as mulheres receberam menores salários. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 1995, os salários acima de 20 mínimos são recebidos por apenas 0,7% das mulheres e contra 2,8% dos homens. O número de casamentos formais cai de 952.294 em 1985 para 763.129 em 1994, uma queda de cerca de 29% em dez anos.

Cor ou raça

As regiões brasileiras tem diferença na distribuição de população segundo cor ou raça. Levantamento feito pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios em 1996 (PNAD) mostra que as regiões Sul e Sudeste têm maioria de população branca, enquanto no Nordeste e Norte predomina a parda. Na região Centro- Oeste, o número de pessoas pardas é ligeiramente superior ao de brancas. Em relação a 1991 diminui o número de pessoas pardas e aumenta o número dos que se declaram brancos ou pretos.

Essa pesquisa é baseada nas declarações dos próprios entrevistados que optam por uma de cinco categorias de INBGE. Os mulatos, caboclos, cafuzos, mamelucos ou se declaram mestiços de negros com qualquer outra cor ou raça são classificados como pardos.

Urbanização

Com 78,36% da população em áreas urbanas em 1996, o Brasil continua a apresentar decréscimo em sua população rural. Mesmo o Maranhão, único estado com a maioria de população rural segundo o Censo de 1991, já tem maioria de população urbana. A mudança da população do campo para as áreas urbanas começa na década de 50 e já na década de 70 a maior parte da população brasileira (55,9%) está nas cidades. O nível de urbanização é especialmente elevado nas regiões Sudeste (89,29%), Centro- Oeste (84,42%) e Sul (77,21) e vem aumentando gradualmente nas regiões Nordeste (65,21%) e Norte (62,35%) (ver tabela População Urbana). Esse crescimento acontece não só em função da migração e do crescimento vegetativo da população das cidades mas também pela incorporação de algumas áreas que eram consideradas rurais ao setor urbano. O maior fator de atração das cidades é a possibilidade de melhor qualidade de vida ligado a um emprego mais remunerado e a um maior acesso à saúde e à educação.

Capitais

Ao contrário do que ocorria na década passada a população das capitais tem crescido mais lentamente do que a população do país e é de hoje proporcionalmente menor. Passa de 24,98% do total em 1991 para 23,72% em 1996. Palmas, a capital do Tocantins é uma das exceções. A cidade, fundada em 1990, cresce 29,31% ao ano entre 1991 e 1996. São Paulo (9.839.436) Rio de Janeiro (5.551.538) e Salvador (2.211.539) são as capitais brasileiras:0,26% e 0,40% respectivamente (ver tabela Regiões metropolitanas e capitais). Em escala nacional, a cidade de São Paulo torna-se o grande centro produtor de bens e serviços. O Rio de Janeiro perde parte de sua importância regional para a cidade de Belo Horizonte. As cidades de Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba, Porto Alegre e Goiânia aumentam sua importância regional.

Regiões metropolitanas- O país tem dez regiões metropolitanas onde residem 47.298.604 pessoas, ou 30,11% da população total. Em 1991 esse número era de 29,90%. A taxa de crescimento anual é de 1,53%, pouco superior a média nacional, o que indica que essas regiões deixaram de ser lugares de grande crescimento populacional. As regiões metropolitanas de Curitiba, com taxa de crescimento anual de 3,40%; Fortaleza, com 2,32%; e Belém, com 2,23% são as que apresentam maior crescimento são as das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, com 0,77%; Recife, 1,14% e São Paulo, com 1,46% (ver tabela Regiões metropolitanas e capitais).O crescimento das regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro é, ainda assim, superior crescimento dos municípios dessas capitais, o que indica um maior aumento populacional nos municípios periféricos e uma quase estagnação do município central. Isso acontece porque o solo dessas capitais se tornou muito caro, dificultando a sua utilização para a construção de moradias ou mesmo para a instalação de indústrias. Essas cidades tendem a atrair cada vez mais o setor de serviços, especialmente os setores comerciais e financeiros.

Migração- Segundo a Contagem da População do IBGE 2,6 milhões de brasileiros deslocaram-se no país, entre 1991 e 1996, em busca de melhores condições de vida. A origem e o destino das migrações inter- regionais continuam basicamente os mesmos mas a quantidade de migrantes em números absolutos tem diminuído. A maior redução dá-se na região Sul: 43,8%. A região Nordeste ainda é responsável pela maior parte do movimento migratório: 46,1% do total. E a região Sudeste, embora recebe menos gente, continua sendo o principal destino dos migrantes. Ela recebe 1,2 milhão entre 1991 e 1996 contra 1,4 milhões de pessoas entre 1986 e 1991. Verifica-se também um movimento de retorno à região Nordeste com um grande número de pessoas saindo da região Sudeste e voltando a sua região de origem. As regiões Norte e Centro- Oeste, devem parte de suas altas taxas de crescimento demográfico à migração. Há também grandes movimentos migratórios dentro de uma mesma região ou estado. Embora a Contagem Populacional 1996 não tenha pesquisado essa migração, ela pode ser observado pelo crescimento de algumas cidades ou regiões metropolitanas que não são explicadas só pelo fluxo inter - regional. Esse é o caso, por exemplo, do crescimento de regiões metropolitanas como as de Fortaleza e Curitiba.

Mercosul- A expansão do comércio com países vizinhos, a partir de meados da década de 1980, contribuiu para mudar o perfil da pauta brasileira de exportações, historicamente dominada por produtos primários. O Mercosul se apresenta, assim, como alternativa para manter as exportações em alta e consolidar o Brasil como vendedor de aço, veículos automotores, máquinas e demais produtos manufaturados. Mercosul é a união aduaneira que entrou em vigor 10 de Janeiro de 1995 entre o Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, pela qual se instituiu uma área de livre comércio, que engloba os quatros membros, e uma política comum de relacionamento comercial com os demais países do mundo. O primeiro passo para integração regional foi dado em Julho de 1996, quando o Brasil e Argentina, que tradicionalmente disputavam a hegemonia econômica e política do Cone Sul, assinaram a Ata para a Integração Argentino- Brasileira, pela qual se definiu um programa de cooperação econômica entre os dois países. Em 1990, com a Ata de Buenos Aires, acertou-se a eliminação gradativa das tarifas de comércio. E em março de 1991, o Tratado de Assunção, constituiu o Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul), já com adesão do Paraguai e do Uruguai. Em 1996, Chile e Bolívia firmaram com o grupo um acordo de parceria comercial sem direito a voto.

A solidariedade aduaneira no Mercosul, no entanto, não era plena à época de sua constituição: dos nove mil produtos que os quatro membros comercializavam, cerca de 800 continuaram protegidos por barreiras alfandegárias e, para outros tantos, se cobravam aos compradores externos impostos diferenciados, ou seja, não se aplicava a tarifa externa comum (tec) prevista no acordo. O mercado potencial em 109 milhões de consumidores e o produto interno bruto (pib) total era da ordem de meio trilhão de dólares.

ENERGIA DO BRASIL

A produção de energia primária renovável - que compreende energia hidráulica, lenha, derivados de cana- de- açúcar, entre outros - é predominante no Brasil. Em 1996 é de 124.760. 000 tep (toneladas equivalente de petróleo), o que corresponde a 71,3% do total. A produção de energia primária não renovável - petróleo, gás natural, carvão, urânio - é de50. 180.000 tep, e representa 28,7% do total. Processada em hidrelétricas e refinarias, a energia primária torna-se secundária na forma de eletricidade, óleo diesel, gasolina etc.

ELÉTRICA

Cerca de 97% de energia elétrica produzida no Brasil é gerada em hidrelétricas e há ainda um grande potencial não explorado. A capacidade instalada de produção de energia elétrica no Brasil é de cerca de 55.000 MW (megawatts), que, somados aos 5.000 MW que o país compra da parte paraguaia de Itaipu, totalizam 60.000 MW em 1996. Essa capacidade é inferior à demanda e resulta em um déficit de 3.000 MW. Entre 1997 e 1998 está prevista a produção de mais 4.670 MW que, mesmo suprido o déficit, é insuficiente para estabelecer uma boa margem de segurança. Aproximadamente 59,3% do consumo abe à região Sudeste; 15,5% à Nordeste; 14,4% à Sul; 5,9% à Norte; e 4,9% à Centro - Oeste. Considerando classes ou segmentos sociais, a indústria consome 48,5% do total; as residências, 24,7%; o comércio, 12,7% e 14,1% cabem a outros. Nos anos 90, estabilização da economia levou a um crescimento acelerado do consumo de energia, e o país opera com todo potencial instalado, próximo do limite da capacidade e fornecimento de energia elétrica. Em 1996, esse consumo cresce 6% enquanto o PIB aumenta 2,9%. E não há investimento suficiente para garantir que a capacidade cresça o necessário. Nos horários de pico, entre 18 e 19 horas, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste, o sistema trabalha abaixo da margem de segurança, com risco de provocar colapso no fornecimento. Em razão do quadro deficitário, o governo estipula tarifas mais caras para o consumo de energia elétrica em horários de pico; ativa projetos de usinas termoelétricas a gás natural que, ao contrário das hidrelétricas, podem ser construídas em pouco tempo (18 meses, em média); e importa energia elétrica da Argentina, do Uruguai e da Venezuela.

Privatização

Desde a promulgação da Lei 9.074, de 1995, que estabeleceu a privatização do setor, começam a ser feitas parcerias entre as empresas públicas e privadas em obras de geração de energia. É o caso, por exemplo, da hidrelétrica de Machadinho, na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, que será concluída em 2001 e deve gerar 1.040 MW. O governo também espera um reforço de investimento com privatização das empresas de geração de energia elétrica até o final de 1998. O patrimônio estimado pelo Ministério das Minas e Energia é de US$ 70 bilhões. Em novembro de 1997 é privatizada a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). O consórcio vencedor, formado por Votorantin, Bradesco, Camargo Correia e Previ, paga R$ 3 bilhões pela empresa. Os serviços de transmissão de energia permanecem com o governo.

Nuclear

As usinas nucleares também vão continuar sob monopólio do Estado. A construção desse tipo de usina foi um opção do governo federal, que pretendia ter acesso à tecnologia nuclear. Em 1975, o Brasil assinou acordo de cooperação nuclear com a então Alemanha Ocidental. Nesse mesmo ano foram desapropriadas terras na praia de Itaorna, em Angra dos Reis, para que a construção das primeiras usinas tivesse início. Angra I foi inaugurada em 1985 e é a única em funcionamento até hoje. Ainda assim, tem freqüentes interrupções de fornecimento de energia por causa das falhas em seus equipamentos, fornecidos pela empresa norte-americana Westinghouse. Para 1999 está previsto o início das operações de Angra II, com capacidade estimada em 1.300 MW.

PETRÓLEO

A lei que regulamenta a entrada da iniciativa privada no setor de petróleo é sancionada pelo presidente da República em agosto de 1997. Com isso, tanto empresas estrangeiras como nacionais poderão realizar pesquisa, produção, refino, importação e exportação e transporte de petróleo. A Petrobrás, que permanece sob o controle acionário da União, terá prioridade na escolha das áreas em que irá atuar. É criada também a Agência Nacional de Petróleo, para ser órgão regulador do setor. Em 1996, as importações de petróleo e derivados - principalmente da Argentina e da Venezuela - chegam a 813 mil barris por dia, e as exportações, a 81 mil barris por dia. No mesmo ano, a produção média foi de 786 mil barris por dia (809 mil, se incluídos o LNG - líquido de gás natural). O déficit foi de 46% em 1996. Ao final de 1996, a Petrobrás havia descoberto 13 novos campos de petróleo no mar, de onde é extraída a maior parte da produção, e seis em terra. As descobertas contribuem para elevar as reservas no Brasil a 14,1 bilhões de barris. Em dezembro de 1997 o país bate o recorde histórico de produção, com 1 milhão de barris por dia. Por sua vez, o consumo de petróleo e seus derivados cresce 6,5% em relação ao ano anterior, em razão dos baixos índices de inflação, da queda do preço de carros populares e da estabilidade do preço do combustível.

GÁS NATURAL

A produção de gás natural passa de 1,9 bilhão de m3 em 1979 para 2,9 bilhões de m3 em 1996. Essa fonte de energia tem grande diversidade de aplicação e é menos prejudicial ao meio ambiente. Pode ser utilizada em indústrias, residências e gerar energia elétrica em termoelétricas. A participação do gás natural no consumo total de energia no país ainda é pouco significativa.

Gasoduto Brasil- Bolívia

Cuja construção foi acertada por acordo assinado entre os dois países em 1993. Com extensão total prevista para 3.060 Km, dos quais 556 Km localizados em território boliviano e 2.504 Km no brasileiro, o gasoduto começa a ser construído em 1997. Segundo previsões da Petrobrás, o primeiro trecho - de Corumbá a Campinas - no final de 1998, e o segundo trecho - de Campinas a Canoas - no final de 1999. Embora as tubulações permitam o transporte de até 30 milhões de m3 de gás por dia em parte do trajeto, o contrato inicial prevê 8 milhões de m3 por dia. Há um plano graual de importação que pretende alcançar, no oitavo ano de operação, 16 milhões de m3 por dia, o equivalente a 100 mil barris de petróleo por dia.

Esse volume permanecerá estável até o 200, quando expira o contrato. O gasoduto Brasil- Bolívia é considerado um dos maiores projetos de infra estrutura do mundo, orçado em US$ 1,88 bilhão. Tem participação acionária de companhias brasileiras, bolivianas e de empresas internacionais.

ÁLCOOL

Em 1996 são produzidos 14.134.000 m3 de álcool etílico no Brasil. A taxa de consumo fica em 14.965.000 m 3. Para suprir o déficit são importados 1.621.000m3 (incluído metanol). Segundo o Ministério das Minas e Energia, o álcool responde por combustível consumido no território nacional, vindo logo em seguida ao óleo diesel (46,7%) e à gasolina automotiva (29,1%). Abastece cerca de 25% dos automóveis existentes no país. A produção de novos carros movidos a álcool, no entanto, tem decrescido. Em 1997, até setembro, foram fabricados apenas 1.044 carros a álcool de um total de 1.597.872 produzidos em todo o território.

SUBSÍDIOS

O álcool ganha importância como combustível a partir de 1975, quando tem início o Proálcool (Programa da Álcool) como resposta à crise do petróleo de 1973. À medida que o preço da gasolina se estabiliza, começam a ser necessários subsídios para compensar o aumento dos custos da produção do álcool. Em 1997 ainda vigora o subsídio cruzado em que cada litro de gasolina custa R$ 0,09 mais caro para financiar o álcool. Para tentar revitalizar o álcool como combustível, o governo cria, em agosto de 1997, a Comissão Interministerial do Álcool. Entre as medidas em estudo estão o aumento do porcentual de álcool misturado à gasolina (que em 1997 é de 22%) e sua adição ao diesel.

Fonte: www.vestibular1.com.br

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