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Modernismo

No Brasil, o termo Modernismo envolve aspectos ligados ao movimento, propriamente dito, à estética e ao período histórico. Desde o início do século, a literatura tradicional, acadêmica e elitizante se mantém ao lado de tendências renovadoras, representadas por escritores como Euclides da Cunha, Monteiro Lobato e Lima Barreto. Com o passar do tempo, a busca pelo novo e as tentativas de renovação da arte brasileira se multiplicam com a promoção de exposições de pintura, esculturas modernas e artigos nos jornais, dedicados às tendências vanguardistas européias.

Na Europa, essa vanguarda tem como marca o avanço tecnológico e científico do início do século XX. Nesse período, o cotidiano das pessoas sofre uma verdadeira revolução com a supervalorização do progresso e da máquina. O capitalismo entra em crise, dando início à Primeira Guerra Mundial (1914-1918), encerrando a chamada belle époque. A seguir, a crise financeira, oriunda do conflito, leva à Segunda Guerra Mundial (1939-1945), e nos anos intermediários, conhecidos como "os anos loucos", as pessoas passam a conviver com a incerteza e com o desejo de viver somente o presente. Tais experiências despertam o anseio de interpretar e expressar a realidade de forma diferenciada, dando origem aos movimentos da vanguarda européia.

Os mais importantes foram: o futurismo, liderado pelo italiano Marinetti, exalta a velocidade e a máquina; o cubismo, oriundo da pintura, fraciona a realidade, remontando-a, a seguir, por meio de planos geométricos superpostos; o dadaísmo, com seu líder Tristan Tzara, nega totalmente a lógica, a coerência e a cultura, como forma de oposição ao absurdo da guerra. Tzara toma o termo dadá, que não significa nada, e o aplica à arte que produz, afirmando não reconhecer nenhuma teoria e declarando a morte da beleza; o surrealismo, lançado em 1924, por André Breton, com o Manifesto do Surrealismo, prega o apego à fantasia, ao sonho e à loucura, além da utilização da escrita automática em que o artista, provocado pelo impulso, registra tudo o que lhe vem à mente, sem preocupação com a lógica.

Essa vanguarda passa a exercer influência sobre os artistas e intelectuais brasileiros. Dessa forma, vão surgindo obras de autores jovens que, descontentes com a tradição acadêmica e parnasiana, demonstram que a literatura brasileira está sofrendo um processo dinâmico de transformação. Três datas (1922,1930 e 1945) marcam as diferentes fases desse movimento, iniciado com a Semana de Arte Moderna.

Contexto histórico da primeira fase (1922-1930) - Certas transformações foram responsáveis pela criação do ambiente propício à instalação das novas idéias, ressaltando-se: o Centenário da Independência e a Guerra Mundial (1914-1918), que favoreceu a expansão da indústria brasileira, promoveu novas relações políticas, além de abrir espaço para a renovação na educação e nas artes. Deu origem, também, ao questionamento do sistema político vigente, até então comandado pela oligarquia ligada à economia rural. Há, ainda, a grande influência da mão-de-obra imigrante, instalada no Sul, centro de poder da vida econômica e política do país. Outros fatos importantes foram: o triunfo da Revolução de Outubro de 1930, cujo levante se deu em 1922, e a fundação do Partido Comunista Brasileiro.

Igualmente relevante, foi a quebra da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, levando à queda do café brasileiro na balança de exportação, nessa mesma data. Tal fato, desestabiliza, no Brasil, o grupo dirigente e abre espaço para o novo, dando legitimidade à arte e à literatura modernas, entendidas, a princípio, como "capricho". O país vive os últimos anos da República Velha, caracterizada pelo domínio político das oligarquias, formadas pelos grandes proprietários rurais. Em 1922, com a revolta do Forte de Copacabana, o Brasil entra num período revolucionário de fato, culminando com a Revolução de 1930 e a ascensão de Getúlio Vargas.

Contexto histórico da segunda fase (1930-1945) - No plano internacional, os fatos históricos que se destacam como os mais importantes são: a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, provocando profunda depressão econômica, conhecida como a Grande Depressão; a instalação da ditadura salazarista em Portugal, estendendo-se de 1932 a 1968; o início da Guerra Civil Espanhola, em 1936; a invasão da Polônia pela Alemanha, sob o comando de Adolf Hitler, resultando na Segunda Guerra Mundial; a invasão da ex-União Soviética pela Alemanha, em 1941; no mesmo ano em que os japoneses atacam aos Estados Unidos; a invasão da Itália, provocada pelos países aliados, em 1943; o fim da Segunda Guerra, em 1945, com a utilização da bomba atômica sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki.

No Brasil, a Revolução de 1930 conduziu Getúlio Vargas ao poder com o apoio da burguesia industrial. Tratava-se de um governo provisório que incentivou a industrialização e substituiu o capital inglês pelo norte-americano. Descontentes com essa política, em 1932, os produtores de café de São Paulo se rebelam contra esse governo provisório, dando origem à chamada Revolução Constitucionalista de 9 de julho, que resultou em fracasso.

Em 1934, é promulgada a nova Constituição Brasileira, acompanhada da eleição de Getúlio Vargas para presidente da República. Mais tarde, em 1936, vários membros do Partido Comunista são presos, incluindo os escritores Jorge Amado e Graciliano Ramos. Em 1937, uma nova constituição é promulgada com características fascistas.

Em meio a todas essas conturbações, um fato merece registro. Trata-se das mortes, em 1938, de Lampião, o chefe do cangaço e de sua companheira Maria Bonita. O cangaço pode ser definido como o banditismo praticado pelos nordestinos expostos à extrema pobreza e constante injustiça social. Surge na grande seca de 1879, a partir de grupos armados que assaltam fazendas e casas comerciais para depois distribuírem o alimento furtado aos flagelados.

Além desses acontecimentos, em 1941, o Brasil entra na guerra, em apoio aos Estados Unidos da América do Norte, e, em 1945, Getúlio Vargas é deposto pelas Forças Armadas, pondo fim ao Estado Novo com a eleição de Eurico Gaspar Dutra para presidente da República.

Contexto histórico da terceira fase (Pós-1945) - A duas bombas lançadas covardemente sobre as cidades japonesas de Hiroxima e Nagasaki em agosto de 1945 apenas evidenciaram um fato que há muito estava comprovado: a vitória dos aliados sobre os países do eixo e o fim da Segunda Guerra Mundial. Começava, a partir de então, um confronto de duas nações e dois sistemas sócio-políticos que dividiria o mundo em duas partes e aumentaria o medo de uma outra guerra mais sanguinária: Estados Unidos versus União Soviética, ou capitalismo versus socialismo. No Brasil, chegava também ao fim o regime de quinze anos de poder de Getúlio Vargas, deposto pelos mesmos militares que o ajudaram a chegar à presidência. Getúlio ainda voltaria em 1951, desta vez eleito pelo povo que o idolatrava. Seu governo, no entanto, não chegou ao fim: sob suspeita de irregularidades no comando do país, Getúlio Vargas suicida-se com um tiro no coração no ano de 1954, causando uma comoção geral.

Dentre os presidentes que sucederam Getúlio, merece destaque a figura de Juscelino Kubitschek, eleito em 1955. Praticando a política dos "cinqüenta anos em cinco", Kubitschek apostou na industrialização como fonte de crescimento para o país. O investimento, sobretudo na área automobilística, necessitou de empréstimos de capital estrangeiro, o que implicava numa dívida externa cada vez maior e uma conturbada inflação. Um dos grandes marcos de seu governo foi a construção da nova capital do país: Brasília, inaugurada em 1960. Enquanto isso, as cidades inchavam cada vez mais com a migração das famílias provenientes de regiões agrárias, sobretudo do norte. O país, no entanto, possuía uma alegria a mais para esquecer dos problemas: o futebol brasileiro, campeão mundial nos anos de 1958 e 1962, e que viria conquistar o terceiro título em 1970.

A década de 60 é marcada pelo Golpe Militar no ano de 1964, quando os militares depuseram o presidente João Goulart e instituíram uma repressão que perseguiria, torturaria e exilaria os principais ícones de nossa política e cultura. O ano de 1968 ficou conhecido pela instituição do Ato Constitucional Número 5, que pregava a censura e condenava pessoas que viessem a se posicionar política e culturalmente contra o regime militar. Nossa cultura, no entanto, passava por um período fértil, não só na literatura e teatro, como também na música, com o nascimento dos grandes festivais de música popular e do "Tropicalismo", movimento musical que contava com nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento e outros.

O Brasil só se livraria por completo da repressão militar no ano de 1984. O principal responsável por essa busca da democracia foi o então eleito presidente Tancredo Neves, que faleceria antes de tomar posse. A presidência é assumida pelo vice, José Sarney. Segue-se um período de pacotes econômicos constantes e uma inflação que chega a níveis absurdos.

A eleição de 1990 tornou-se um marco na história do país. Finalmente um presidente seria eleito pelo povo depois de tantos anos de ditadura e sofrimento. Fernando Collor de Melo assume o poder com uma maciça campanha política e uma gama de reformas que visavam colocar a nação no eixo do desenvolvimento. Tanta disposição foi, no entanto, desmascarada, mostrando uma séria teia de corrupção e lavagem de dinheiro, levando o país a um movimento de nacionalismo nunca antes visto, que culminaria com o Impeachment do presidente.

Com Fernando Collor impedido de continuar exercendo o cargo de presidente, seu vice Itamar Franco assume o poder. O marco de seu governo é a criação de uma nova moeda, o Real, que estabilizou os índices inflacionários e equilibrou de certo modo a economia em 1994. O criador do plano, o então Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, tornou-se o sucessor de Itamar Franco na presidência, sendo reeleito no ano de 1998.

CARACTERÍSTICAS

O Modernismo tem como característica unificadora o desejo de liberdade de criação e expressão, aliados aos ideais nacionalistas, visando, sobretudo, emancipar-se da dependência européia. Esse anseio de independência inclui: o vocabulário, a sintaxe, a escolha de temas e a maneira de ver o mundo. Ao rejeitarem os padrões estilísticos portugueses, seus criadores cobrem de humor, ironia e paródia as manifestações modernistas, passando a utilizar as expressões coloquiais, próximas do falar brasileiro, promovendo a valorização diferenciada do léxico.

O mais importante é a atualidade, por isso centram o fazer literário na expressão da vida cotidiana, descrita com palavras do dia-a-dia, afastando-se da literatura tradicional, consagrada ao padrão culto. Um exemplo de incorporação da linguagem oral, na criação poética e descrição de coisas brasileiras, valorizando o prosaico, recoberto de bom humor, é o poema de Mário de Andrade, O poeta come amendoim (1924). Contudo, é preciso ressaltar que não havia imposição de normas e nem tratamento unificado dos temas.

Os modernistas revelam o nacionalismo, através da etnografia e do folclore. O índio e o mestiço passam a ser considerados por sua "força criadora", capaz de provocar "a transformação da nossa sensibilidade, desvirtuada em literatura pela obsessão da moda européia". Cantam, igualmente, a civilização industrial, destacando: a máquina, a metrópole mecanizada, o cinema e tudo que está marcado pela velocidade, aspecto preponderante no modo de vida da nova sociedade. Ao comporem o perfil psicológico do homem moderno, expõem angústias e infantilidades como forma de demonstrar o caráter e a complexidade do ser humano, apoiando-se, para tanto, na psicanálise, no surrealismo e na antropologia.

A Primeira Fase (1922-1930)

O primeiro momento, conhecido como fase heróica, corresponde à Semana de Arte Moderna em 1922, em São Paulo. Essa semana serviu como elemento de divulgação e dinamização das discordâncias, acelerando o processo de modernização. O objetivo central era se impor contra o Naturalismo, Parnasianismo e Simbolismo ainda vigentes.

Além disso, visava estabelecer uma teoria estética, nem sempre claramente explicitada por seus criadores e que acaba por renovar o conceito de literatura e de leitor. A Semana incluiu uma série de eventos (l3, l5 e 17 de fevereiro de 1922) no Teatro Municipal de São Paulo, reunindo artistas e intelectuais que, sob o aplauso e vaias da platéia, apresentaram uma espécie de sarau, declamando poemas, lendo trechos de romances, fazendo discursos, expondo quadros e tocando música.

Alguns acontecimentos, anteriores a 1922, preparam a trajetória do Modernismo; fatos, especificamente, ligados à estética renovadora, se multiplicam. Em 1912, Oswald de Andrade traz da Europa a novidade futurista; em 1913, o pintor Lasar Segall faz uma exposição, negando a pintura acadêmica. Em 1917, a exposição dos quadros de Anita Malfatti, em São Paulo, destacando a pintura expressionista, assimilada na Europa, coloca, de um lado, os que apóiam o novo e, de outro, os conservadores.

Na literatura, a transformação e o rompimento com o velho estão presentes, sobretudo, na obra de Oswald de Andrade, Memórias Sentimentais de João Miramar, publicada em 1916, cuja característica experimental notável se aprofunda em edições posteriores. Em 1920, Oswald e Menotti del Picchia iniciam a campanha de renovação nos jornais, tendo como expoente o poeta Mário de Andrade que, em 1922, traz a público Paulicéia Desvairada. Seu "Prefácio Interessantíssimo" corresponde a um primeiro manifesto estético.

Outra manifestação, em 1921, são os Epigramas Irônicos e Sentimentais, de Ronald de Carvalho, que, apesar de terem sido publicados em 1922, já revelam a busca por uma nova forma de expressão. No Rio de Janeiro, Manuel Bandeira se utiliza do verso livre. Ao final de 1921, os jovens de São Paulo preparam a Semana, contando com o apoio de Graça Aranha que, ao procurar criar uma filosofia para o movimento, acaba seu líder. Vários escritores do Rio e de São Paulo participam do evento: Manuel Bandeira, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia, Ronald de Carvalho, Ribeiro Couto, Mário de Andrade e Oswald de Andrade.

Sabem que estão produzindo algo de novo, em oposição às tendências dominantes, entretanto não conseguem apontar claramente a trajetória a ser seguida. A esses escritores juntam-se os que publicam pela primeira vez: Luís Aranha Pereira, Sérgio Milliet, Rubens Borba de Moraes, Sérgio Buarque de Holanda, Prudente de Morais (neto), Antonio Carlos Couto de Barros. Unem-se, também, os pintores: Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Emiliano di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro; o escultor Victor Brecheret; o compositor Heitor Villa-Lobos e o historiador Paulo Prado, criador do movimento Pau-Brasil, em 1924. Ainda, em 1922, é lançada a renovadora revista Klaxon, em São Paulo, cuja publicação se estende até o número nove.

O movimento pela nova estética se radicaliza em São Paulo, revelando o aspecto agressivo e polêmico da empreitada. Aos poucos, escritores de norte a sul se ligam ao grupo na batalha de oposição aos conservadores. O espírito nacionalista, inspirado pelo desejo de libertação da tradição européia, toma conta das manifestações e estimula a luta dos renovadores.

Após a Semana, surgem propostas variadas que dão origem aos grupos: Pau-Brasil, lançado por Oswald de Andrade. O nome adotado faz referência à primeira riqueza brasileira exportada e o movimento tem como princípios: a exaltação do Carnaval carioca como acontecimento religioso da raça, o abandono dos arcaísmos e da erudição, a substituição da cópia pela invenção e pela surpresa; o Verde-Amarelo, se colocando em oposição ao Pau-Brasil, prega o nacionalismo ufanista e primitivista. Mais tarde, transforma-se no grupo da Anta, escolhida como símbolo da nacionalidade por ter sido o totem da raça tupi; o Regionalista, iniciado no Recife, prega o sentimento de unidade do Nordeste; o Antropofágico, liderado por Oswald de Andrade, inspirado no quadro Abaporu, (aba, "homem"; poru, "que come"), de Tarsila do Amaral, propõe a devoração da cultura importada com intuito de reelaboração, transformando o que veio de fora em produto exportável. As obras ligadas a esse movimento são Cobra Norato, de Raul Bopp, e Macunaíma, de Mário de Andrade.

Nesses agrupamentos, o enaltecimento do primitivismo passa a incluir a mitologia e o simbólico, sobretudo no movimento Antropofágico que, propondo a devoração dos valores europeus, lança suas idéias na Revista de Antropofagia (1928-1929).

Nessa primeira fase, o rompimento com o velho, a necessidade de chocar o público e de divulgar novas idéias estão marcados pelo radicalismo. Enquanto várias revistas são criadas por escritores renomados e por iniciantes, o movimento vai se estruturando de forma mais vibrante no Rio e em São Paulo, estendendo-se a Minas e ao polêmico regionalismo nordestino. As publicações variadas são fundamentais para o movimento que, extremamente ativo, se estende até 1930, quando menos agressivo, muda de rumos, principalmente, com referência à prosa, dominada, tradicionalmente, pela literatura oficial, ligada à Academia Brasileira de Letras, antagonista dos "futuristas", ou seja, dos modernistas, "rebeldes excêntricos do período".A partir dessa data, as novas idéias se generalizam, constituindo-se em padrões de criatividade. Findo esse primeiro momento, abre-se espaço para a segunda fase; a fase construtiva que prima pela estabilização das conquistas, com forte apelo social.

A Poesia - A poesia, produzida na primeira fase, apropria-se do ritmo, do vocabulário e dos temas da prosa, constituindo-se no principal veículo de divulgação do movimento. Abandona os modelos tradicionais do Parnasianismo e deixando de lado os recursos formais, adota o verso livre, sem número determinado de sílabas e sem metrificação, respeitando a inspiração poética. A cadência rítmica é mantida próxima da prosa em obediência à alternância de sons e acentos, demonstrando que a poesia está na essência ou no contraste das palavras selecionadas. A opção pelo verso livre expressa a alteração da música contemporânea, produzida pelo impressionismo, pela dissonância, pela influência do jazz e dodecafonia.

O registro do cotidiano aparece valorizado por meio de elementos diferenciados, incluindo: a linguagem coloquial; a associação livre de idéias; uma aparente falta de lógica; a mescla de sentimentos contrastantes, revelando o subconsciente e o nacionalismo. Às vezes, a preferência recai sobre o "momento poético" - observação de um determinado aspecto ou de um instante emocional, resultando em condensação poética.

O presente é incorporado aos versos por meio do progresso, da máquina, do ritmo da vida moderna. O humor, igualmente empregado, manifesta-se sob a forma de ironia ou paradoxo, surgindo o poema-piada, condensação irreverente que busca provocar polêmica.

A Prosa - A prosa do período não apresenta o mesmo vigor da poesia, mas revela conquistas importantes. A princípio, demonstra certa densidade, carregada de imagens, provocando tensão pela expressividade de cada palavra. Os recursos são variados como: a aproximação com a poesia, o apoio na fala coloquial e na utilização de períodos curtos. Um dos modernistas, Oswald de Andrade, aplica essas experiências não só em seus artigos e manifestos, mas também na obra Memórias Sentimentais de João Miramar (1924). Trabalha a realidade através de recursos poéticos, empregando metáforas e trocadilhos. Essa técnica, aliada a uma "espécie de estética do fragmentário", compõe-se de espaços em branco na formatação tipográfica e também na seqüência do discurso, cabendo ao leitor a tarefa de dar sentido ao que lê.

Ao lado de Oswald de Andrade, outros escritores se destacam: Antonio de Alcântara Machado com Pathé Baby, Plínio Salgado com O Estrangeiro, José Américo de Almeida com Bagaceira. Há os que dão ênfase à experiência léxica e sintática, tendo como suporte a fala coloquial. Mário de Andrade é um de seus representantes com Amar, Verbo Intransitivo e Macunaíma. Neste último, o novo está, sobretudo, no emprego da lenda, revelando contornos poéticos, derivados da liberdade na escolha do vocabulário, nacionalizando o modo de escrever.

A Segunda Fase (1930-1945)

É o período de maturação e de regionalismo, revelando-se, após as conquistas da geração de 1922, uma fase muito rica na produção de prosa e poesia. Reflete o momento histórico conturbado, reinante não só na Europa, mas também no mundo.

Poesia - Nesta fase construtiva predomina a prosa, enquanto a poesia se apresenta de forma mais amadurecida. Não precisa mais ser irreverente e experimentalista, nem chocar o público; agora familiarizado com a nova maneira de expressão. As influências de Mário e Oswald de Andrade estão presentes na produção poética pós Semana de Arte Moderna. Os novos poetas dão continuidade à pesquisa estética anterior, mantendo o verso livre e a poesia sintética.

A nova técnica está marcada pelo questionamento mais vigoroso da realidade, acompanhada da indagação do poeta sobre seu fazer literário e sua interpretação sobre o estar-no-mundo. Conseqüentemente, surge uma poesia mais madura e politizada, comprometida com as profundas transformações sociais enfrentadas pelo país. Ampliando os temas da fase anterior, volta-se para o espiritualismo e o intimismo, presentes em certas obras de Murilo Mendes, Cecília Meireles, Jorge de Lima e Vinicius de Morais.

A Prosa

A prosa reflete o mesmo momento histórico da poesia, cobrindo-se igualmente das preocupações dos poetas da década de 30. São autores mais representativos: José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Jorge Amado e Erico Verissimo.

Nessa fase, a prosa se reveste de caráter mais maduro e construtivo, refletindo e aproveitando as conquistas da geração de 1922. A linguagem atinge certo equilíbrio e adota uma postura mais documental ao expor a realidade brasileira e focalizar o aspecto social. Essa tendência é aplicada nos romances urbanos, voltados à exposição da vida nas grandes cidades, revelando as desigualdades sociais, observadas na vida urbana brasileira, com destaque para algumas obras de Erico Verissimo.

Os escritores focalizam, ainda, a realidade regional do país, originando a prosa regionalista que destaca a seca e os flagelos dela decorrentes. Os romancistas comprometidos com essa temática são: Rachel de Queiroz, José Lins do Rego, Jorge Amado e Graciliano Ramos. Ao lado dessa tendência, encontra-se a prosa intimista ou de sondagem psicológica, elaborada a partir do surgimento da teoria psicanalítica freudiana. Seus representantes são: Dionélio Machado, Lúcio Cardoso e Graciliano Ramos. Portanto, a denúncia social e a relação do "eu" com o mundo e, em especial, com o povo brasileiro são o ponto de tensão dos romances do período.

A preocupação mais marcante da prosa é o homem do Nordeste, incluindo sua vida precária e as condições adversas impostas pela geografia do lugar, pela submissão dos trabalhadores aos proprietários de terras, advinda de sua grave falta de instrução. O encontro com o povo brasileiro propicia, pois, o nascimento do regionalismo, reforçado pelos temas dedicados à decadência dos engenhos; às regiões de cana-de-açúcar; às terras do cacau no sul da Bahia; à vida agreste; às constantes secas, aprofundando as desigualdades sociais; ao movimento migratório; à mão-de-obra barata, à miséria e à fome.

Em 1945, encerra-se o período dinâmico do Modernismo, abrindo espaço para a fase de reflexão, devotada aos questionamentos sobre a linguagem, ao retorno a certos modelos estilísticos tradicionais, sobretudo, no início dos anos 50, visando inovações.

Some-se a isso que, o término da Segunda Guerra Mundial (1945) empurra o país para a era industrial e passa a contar com um proletariado de grande peso representativo, ávido de participar efetivamente da vida política. Além disso, o país desponta como uma potência moderna, facilitando o aparecimento da nova estética, revelando, segundo Antonio Candido, "no seu ritmo histórico, uma adesão profunda aos problemas da nossa terra e da nossa história contemporânea".

A Terceira Fase (Pós-1945)

Nesta terceira fase, presencia-se a rejeição da geração de 22 na poesia. Surge o Concretismo, a Poesia-Práxis, o Poema-Processo, o Poema-Social, a Poesia Marginal e os músicos-poeta. Na prosa, a exploração do psicológico e dos conflitos entre o homem e a modernidade, a busca da universalização e de uma literatura engajada e o mergulho no realismo fantástico e no romance de reportagem passam a ser o foco. A crônica, o conto, a prosa autobiográfica e o teatro ganham força.

A Poesia - A poesia da segunda metade da década de 40 é marcada pela presença da Geração de 45, onde se destacariam grandes nomes dentro de nossa literatura, entre eles João Cabral de Melo Neto. Essa geração tem como marco a publicação dos nove números da "Revista Orfeu", no Rio de Janeiro. Pregavam, acima de tudo, a rejeição aos moldes modernistas da geração de 22, ou seja: o fim do verso livre, da paródia, da ironia, do poema-piada, etc. A poesia deveria seguir um modelo mais formal, de cunho neoparnasiano ou neo-simbolista, com versificação mais regrada, maior erudição com relação às palavras e uso de temas mais universais.

Contrapondo a toda essa busca pelos padrões clássicos, Décio Pignatari, Augusto de Campos e Haroldo de Campos criaram o Concretismo, que condizia mais com a rapidez e agilidade da sociedade moderna. O Concretismo vai além de tudo o que o Modernismo conquistou: prega o fim do verso, do lirismo e do tema, além da exploração do espaço em branco, e a decomposição e montagem de palavras, com seus vários sentidos e correlações com outras palavras. O poema em si muitas vezes lembra um cartaz publicitário que se evidencia pelo apelo visual e permite várias leituras.

Outro movimento de profunda importância literária é o da Poesia-Práxis, liderado pelo poeta Mário Chamie e por Cassiano Ricardo. A poesia, segundo essa nova concepção, deve ser energética e dinâmica, com um conteúdo de importância, podendo ser transformada e reformulada pelo leitor, permitindo uma leitura múltipla. O Poema-Processo, assim como a poesia concreta, apela para o campo visual, através do uso de cortes e colagens e signos não-verbais. São poemas de apreciação e compreensão muito truncadas, mais para serem vistos do que lidos. A Poesia Social surge para trazer novamente à tona a força do verso, abolido pela poesia concreta e pelo Poema-Processo, sendo que a principal preocupação está sempre voltada para o retrato da realidade social. A Poesia Marginal mantém, no entanto, algumas relações com o Concretismo e o Poema-Processo. Sua linguagem é marcada pela busca da descrição do cotidiano, do instante, numa linguagem mais simples e um tom coloquial que tem como marca a ironia, o humor e o desprezo à elite e à sociedade, retomando algumas características da obra de Oswald de Andrade. Eram, na maioria dos casos, rodadas em mimeógrafos e entregues de mão em mão.

Uma das características da poesia contemporânea é uma busca cada vez maior de uma intertextualidade com outros meios de expressão, exigindo uma linguagem cada vez mais fragmentada e rápida que muitas vezes contrasta com uma necessidade de reencontro com os padrões clássicos, onde se evidenciam poemas mais longos e lineares. Outra característica relevante que só veio a contribuir para a difusão da poesia foi seu casamento com a música popular, que acentua o crescimento dos meios de comunicação de massa e a produção mais industrializada da literatura. Surgiram músicos-poeta como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Milton Nascimento e outros, precedidos pela excelência de Vinícius de Moraes.

A Prosa - A publicação do livro Perto do Coração Selvagem de Clarisse Lispector em 1944 já indiciava um novo caminho: a prosa da década de 40 e 50 seria marcada pela exploração do campo psicológico das personagens, o urbanismo que revela a relação conflituosa entre o homem e a modernidade, e o regionalismo que renova a linguagem literária, numa profunda busca pela universalização. Além de Clarisse Lispector, outro nome se destacaria dentro dessa nova concepção literária: Guimarães Rosa. Clarisse Lispector vai usar na maioria das vezes o cenário das grandes cidades como pretexto para expressar um outro mundo: o mundo interior de cada personagem. Guimarães Rosa usa e abusa do testemunho realista e de uma linguagem completamente inovadora e mítica para redescobrir a linguagem e o sertão do Brasil, ampliando o conceito do sertão e do sertanejo que ali vive.

A prosa urbana vai ser cada vez mais explorada a partir dos anos 60, mostrando os problemas acarretados pelo progresso, e um ser humano cada vez mais solitário, marginalizado e vítima de um mundo violento, que se fecha e enfrenta também a si mesmo. A linguagem vai tender cada vez mais à concisão e à fragmentação, rompendo muitas vezes com a linearidade temporal e espacial, tentando descrever o fluxo do pensamento e mostrando a rapidez e o absurdo da modernidade. Nascendo a partir dos mesmos campos urbanos e psicológicos que propulsionaram a literatura nos anos 40 e 50, tem-se a prosa mais introspectiva, o realismo fantástico e o romance reportagem.

A prosa de cunho político vai também se impor com grande força, tendo como objetivo retratar a violência e a repressão política que assolaram o país desde 1964, ou denunciando de um modo satírico e irônico a corrupção que assola o homem, e por conseqüência o governo, e que promove a sempre a discórdia e a desigualdade social. É o caso, por exemplo, de Incidente em Antares de Erico Verissimo.

Outros gêneros que ganham força dentro do panorama literário brasileiro são a prosa autobiográfica, o conto e a crônica, sendo que os dois últimos se consolidaram como modelos de literatura moderna. O conto consegue a síntese e a rapidez que a modernidade pede, mostrando-se mais fácil e mais ágil de ser lido. A crônica ganhou um espaço muito grande dentro dos principais veículos de comunicação como a revista e o jornal devido à sua linguagem mais coloquial, sua ligação mais íntima com o cotidiano, sua irreverência e ironia, e sua mais fácil assimilação por parte dos leitores, destacando escritores consagrados e novos como, por exemplo, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Rubem Braga, entre outros.

O Teatro - Merece destaque também a revolução que o teatro brasileiro, que perdia terreno para o rádio e o cinema, sofreu a partir da década de 40, principalmente com a estréia da peça Vestido de Noiva em 1943, de Nelson Rodrigues, que promove uma verdadeira renovação com relação à ação, personagens, espaço e tempo.

A década de 60 e 70 vai mostrar também o teatro político que expressa um forte nacionalismo preocupado em revelar e denunciar a realidade agonizante do Brasil durante o regime militar, buscando uma ligação e uma participação cada vez mais sólida do público dentro da peça, e revelando atores, diretores e dramaturgos de qualidade excepcional, premiados a nível nacional e internacional.

Fonte: www.nilc.icmc.usp.br

Modernismo

Tendência vanguardista que rompe com padrões rígidos e caminha para uma criação mais livre, surgida internacionalmente nas artes plásticas e na literatura a partir do final do século XIX e início do século XX. É uma reação às escolas artísticas do passado. Como resultado desenvolvem-se novos movimentos, entre eles o expressionismo, o cubismo, o dadá, o surrealismo e o futurismo.

No Brasil, o termo identifica o movimento desencadeado pela Semana de Arte Moderna de 1922. Em 13, 15 e 17 de fevereiro daquele ano, conferências, recitais de música, declamações de poesia e exposição de quadros, realizados no Teatro Municipal de São Paulo, apresentam ao público as novas tendências das artes do país. Seus idealizadores rejeitam a arte do século XIX e as influências estrangeiras do passado. Defendem a assimilação das tendências estéticas internacionais para mesclá-las com a cultura nacional, originando uma arte vinculada à realidade brasileira.

A partir da Semana de 22 surgem vários grupos e movimentos, radicalizando ou opondo-se a seus princípios básicos. O escritor Oswald de Andrade e a artista plástica Tarsila do Amaral lançam em 1925 o Manifesto da Poesia Pau-Brasil, que enfatiza a necessidade de criar uma arte baseada nas características do povo brasileiro, com absorção crítica da modernidade européia. Em 1928 levam ao extremo essas idéias com o Manifesto Antropofágico, que propõe "devorar" influências estrangeiras para impor o caráter brasileiro à arte e à literatura. Por outro caminho, mais conservador, segue o grupo da Anta, liderado pelo escritor Menotti del Picchia (1892-1988) e pelo poeta Cassiano Ricardo (1895-1974). Em um movimento chamado de verde-amarelismo, fecham-se às vanguardas européias e aderem a idéias políticas que prenunciam o integralismo, versão brasileira do fascismo.

O principal veículo das idéias modernistas é a revista Klaxon, lançada em maio de 1922.

Artes plásticas –Uma das primeiras exposições de arte moderna no Brasil é realizada em 1913 pelo pintor de origem lituana Lasar Segall. Suas telas chocam, mas as reações são amenizadas pelo fato de o artista ser estrangeiro. Em 1917, Anita Malfatti realiza a que é considerada de fato a primeira mostra de arte moderna brasileira. Apresenta telas influenciadas pelo cubismo, expressionismo, fauvismo e futurismo que causam escândalo, entre elas A Mulher de Cabelos Verdes.

Apesar de não ter exposto na Semana de 22, Tarsila do Amaral torna-se fundamental para o movimento. Sua pintura é baseada em cores puras e formas definidas. Frutas e plantas tropicais são estilizadas geometricamente, numa certa relação com o cubismo. Um exemplo é Mamoeiro. A partir dos anos 30, Tarsila interessa-se também pelo proletariado e pelas questões sociais, que pinta com cores mais escuras e tristes, como em Os Operários.

Di Cavalcanti retrata a população brasileira, sobretudo as classes sociais menos favorecidas. Mescla influências realistas, cubistas e futuristas, como em Cinco Moças de Guaratinguetá. Outro artista modernista dedicado a representar o homem do povo é Candido Portinari, que recebe influência do expressionismo. Entre os muitos exemplos estão as telas Café e Os Retirantes.

Distantes da preocupação com a realidade brasileira, mas muito identificados com a arte moderna e inspirados pelo dadá, estão os pintores Ismael Nery e Flávio de Carvalho (1899-1973). Na pintura merecem destaque ainda Regina Graz (1897-1973), John Graz (1891-1980), Cícero Dias (1908-) e Vicente do Rego Monteiro (1899-1970).

O principal escultor modernista é Vitor Brecheret. Suas obras são geometrizadas, têm formas sintéticas e poucos detalhes. Seu trabalho mais conhecido é o Monumento às Bandeiras, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Outros dois escultores importantes são Celso Antônio de Menezes (1896-) e Bruno Giorgi (1905-1993).

Na gravura, o modernismo brasileiro possui dois expoentes. Um deles é Osvaldo Goeldi (1895-1961). Identificado com o expressionismo, cria obras em que retrata a alienação e a solidão do homem moderno. Lívio Abramo (1903-1992) desenvolve também um trabalho com carga expressionista, porém engajado socialmente.

A partir do final dos anos 20 e início da década de 30 começam a se aproximar do modernismo artistas mais preocupados com o aspecto plástico da pintura. Utilizam cores menos gritantes e composição mais equilibrada. Entre eles destacam-se Alberto Guignard (1896-1962), Alfredo Volpi, depois ligado à abstração, e Francisco Rebolo (1903-1980).

O modernismo enfraquece a partir dos anos 40, quando a abstração chega com mais força ao país. Seu final acontece nos anos 50 com a criação das bienais, que promovem a internacionalização da arte do país.

Literatura

Uma das principais inovações modernistas é a abordagem de temas do cotidiano, com ênfase na realidade brasileira e nos problemas sociais. O tom é combativo. O texto liberta-se da linguagem culta e passa a ser mais coloquial, com admissão de gírias. Nem sempre as orações seguem uma seqüência lógica e o humor costuma estar presente. Objetividade e concisão são características marcantes. Na poesia, os versos tornam-se livres, e deixa de ser obrigatório o uso de rimas ricas e métricas perfeitas.

Os autores mais importantes são Oswald de Andrade e Mário de Andrade, os principais teóricos do movimento. Destacam-se ainda Menotti del Picchia e Graça Aranha (1868-1931). Em sua obra, Oswald de Andrade várias vezes mescla poesia e prosa, como em Serafim Ponte Grande. Na poesia, Pau-Brasil é um de seus principais livros. A primeira obra modernista de Mário de Andrade é o livro de poemas Paulicéia Desvairada. Sua obra-prima é o romance Macunaíma, o Herói sem Nenhum Caráter, que usa fragmentos de mitos de diferentes culturas para compor uma imagem de unidade nacional. Embora muito ligada ao simbolismo, a poesia de Manuel Bandeira também exibe traços modernistas. Um exemplo é o livro Libertinagem.

O modernismo vive uma segunda fase a partir de 1930, quando é lançado Alguma Poesia, de Carlos Drummond de Andrade. Os temas sociais ganham destaque e o regionalismo amplia sua temática. Paisagens e personagens típicos são usados para abordar assuntos de interesse universal. Entre os que exploram o romance social voltado para o Nordeste estão Rachel de Queiroz, de O Quinze, Graciliano Ramos, de Vidas Secas, Jorge Amado, de Capitães da Areia, José Américo de Almeida, de A Bagaceira, e José Lins do Rego (1901-1957), de Menino de Engenho. Surgem ainda nessa época os romances de introspecção psicológica urbanos, como Caminhos Cruzados, de Érico Veríssimo. Numa linha mais intimista estão poetas como Cecília Meireles, autora de Vaga Música, Vinicius de Moraes, de Poemas, Sonetos e Baladas, Augusto Frederico Schmidt (1906-1965), de Desaparição da Amada, e Henriqueta Lisboa (1904-1985), de A Face Lívida.

A terceira fase do modernismo tem início em 1945. Os poetas retomam alguns aspectos do parnasianismo, como Lêdo Ivo, de Acontecimento do Soneto. João Cabral de Melo Neto, de Morte e Vida Severina, destaca-se pela inventividade verbal e pelo engajamento político. Na prosa, os principais nomes são Guimarães Rosa, autor de Grande Sertão: Veredas, e Clarice Lispector, de Perto do Coração Selvagem.

Música

O modernismo dá prosseguimento às mudanças iniciadas com o impressionismo e o expressionismo, rompendo ainda mais com o sistema tonal (música estruturada a partir da eleição de uma das 12 notas da escala como a principal). Os movimentos musicais modernistas são o dodecafonismo, o neoclassicismo e as escolas nacionais (que exploram o folclore de cada país), predominantes internacionalmente de 1910 a 1950.

Heitor Villa-Lobos é o principal compositor no Brasil e consolida a linguagem musical nacionalista. Para dar às criações um caráter brasileiro, busca inspiração no folclore e incorpora elementos das melodias populares e indígenas. O canto de pássaros brasileiros aparece em Bachianas nº 4 e nº 7. Em O Trenzinho Caipira, Villa-Lobos reproduz a sonoridade de uma maria-fumaça, e em Choros nº 8 busca imitar o som de pessoas numa rua. Nos anos 30 e 40, sua estética serve de modelo para compositores como Francisco Mignone (1897-1986), Lorenzo Fernandez (1897-1948), Radamés Gnattali (1906-1988) e Camargo Guarnieri (1907-1993).

Teatro

O modernismo influencia tardiamente a produção teatral. Só em 1927 começam as inovações nos palcos brasileiros. Naquele ano, o Teatro de Brinquedo, grupo experimental liderado pelo dramaturgo e poeta Álvaro Moreyra (1888-1965), monta Adão, Eva e Outros Membros da Família. A peça, em linguagem coloquial e influenciada pelo marxismo, põe pela primeira vez em cena dois marginais: um mendigo e um ladrão.

Ainda na década de 20 são fundadas as primeiras companhias de teatro no país, em torno de atores como Leopoldo Fróes (1882-1932), Procópio Ferreira (1898-1979), Dulcina de Moraes (1908-1996) e Jaime Costa (1897-1967). Defendem uma dicção brasileira para os atores, até então submetidos ao sotaque e à forma de falar de Portugal. Também inovam ao incluir textos estrangeiros com maior ousadia psicológica e visão mais complexa do ser humano.

A peça O Rei da Vela (1937), de Oswald de Andrade, é considerada o primeiro texto modernista para teatro. Nas experiências inovadoras anteriores, apenas a encenação tinha ares modernistas ao incluir a pintura abstrata nos cenários e afastá-los do realismo e do simbolismo. Mas o texto de Oswald de Andrade trata com enfoque marxista a sociedade decadente, com a linguagem e o humor típicos do modernismo.

A peça O Bailado do Deus Morto, de Flávio de Carvalho, é uma das primeiras montagens modernistas, encenada pela primeira vez em 15 de novembro de 1933, em São Paulo. Mescla teatro, dança, música e pintura. É o primeiro espetáculo com texto livre, improvisado, cenário impactante, linguagem popular e uso de palavrão, sem preocupação com a seqüência lógica de acontecimentos.

Fonte: www.artesbr.hpg.ig.com.br

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