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ORIGAMI NA ESCOLA

Linguagem Gravura Brincando no quintal

Curiosidades

Pela segunda vez em dez anos, tenho em mãos um livro de origami medindo 54 X 37 cm, fechado, publicado provavelmente nos anos 50, por Edespe. O nome Edespe é a única referência que tenho para os editores, uma vez que nos exemplares que examinei estavam faltando muitas páginas, principalmente a dos créditos. Mesmo fazendo várias consultas, não descobri nada além disso. O livro contém várias receitas para dobrar brinquedos e animais, além de ilustrações.

Algumas peças são produzidas com duas folhas, lembrando o estilo de Isao Honda. Outras são produzidas com alguns cortes e dobras. Reproduzo aqui, exatamente como está no livro, uma das atividades proposta, para que você tenha uma idéia de como a dobradura era trabalhada em sala de aula, 40 ou 50 anos atrás. Agradeço à Denise, da Grecco e Melo Editora, pelo empréstimo do livro.

Manhã quente de domingo de verão numa cidade do interior.

Era dia de festa de aniversário na casa da menina Maria Tereza, que convidara seus primos Heládio e José Luís para brincarem no quintal. Alegres e folgazões, sempre inventando diabruras e brincadeiras de toda espécie, os irmãos Heládio e José Luís resolveram fazer naquela manhã, com o auxílio de dobraduras, algumas brincadeiras e mágicas para a prima Maria Tereza, que aniversariava. Aproveitaram as lições da professora Geni sobre dobraduras, e acabaram levando para a festa dois "estalos" e um "chapéu de palhaço". — Vou fazer uma mágica! — anunciava José Luís, que passou a brincar com Heládio diante de suas primas Maria Tereza e Cecília, que procuravam encher de água os seus copinhos de papel.
— Prestem bem atenção!!!

Silencioso e olhando fixo para baixo, José Luís, com seu "chapéu de palhaço", mais parecia um feiticeiro desses que existem ainda hoje entre os índios do interior de nosso país, e então começou a preparar, por passes mágicos, uma inesperada magia.

— Vou provar como sei fazer "estalos" com este simples pedaço de papel. E concluindo a confecção da dobradura, conforme aprendera na escola, passou a provocar "estalos", tendo em vista a atenção e curiosidade das duas primas.

Heládio, da mesma forma que trouxera de casa uma daquelas dobraduras já prontas, começou a provocar "estalos" e mais "estalos", originando estampidos como se fossem de espoletas vermelhas queimadas por revólveres de crianças.

— Ora, vejam! — disse Cecília, esperando a sua vez de tomar água da torneira do quintal que se encontrava ao lado de sua irmã Maria Tereza, a aniversariante.
— Vamos ver quem vai estalar mais alto! Querem vocês fazerem uma aposta?
— O que ganhar cortará o primeiro pedaço do bolo de aniversário de Maria Tereza, que está muito bonito lá dentro na sala de jantar.

Imediatamente, como se houvesse uma aceitação tácita, os dois irmãos alegres e folgazões, começaram a correr e a estalar, a estalar e a correr, até que se foram lá para dentro da casa acompanhados pelas duas irmãs, agora torcedoras aflitas.

O sol alto aquecia o ar, inundando de luz os rostos e as roupas multicoloridas das crianças em festa. No alvoroço das conversas dos mais velhos, dos tios e parentes que estavam na sala, as primas decidiram, com aprovação geral, dar a vitória, ao mesmo tempo, aos dois irmãos, Heládio e José Luís. Assim, sob palmas e sorrisos, os dois cortaram o belo bolo todo enfeitado de maravilhosos confeites, entregando o primeiro pedaço como troféu, ganho da pequena olimpíada doméstica, à querida prima Maria Tereza, que sorria no entrecruzado de palmas e vivas.

Era a alegria sadia e contagiante de crianças que sabiam brincar sempre juntas, sem derrota nem vitória, porque estavam sempre ligadas, no estudo e nos folguedos, umas às outras, por essa coisa maravilhosa que aproxima todos nós: a SOLIDARIEDADE, o grande bem da vida, da paz e da CONCÓRDIA entre os homens.

Sugestões didáticas aos pais e professores

Dentro da orientação impressa a esta obra, procurou-se, na presente historieta, demonstrar a participação dos personagens na competição e uso das dobraduras. Tal orientação educativa é concebida como moderna técnica de direção da aprendizagem, uma vez que leva o enredo a esclarecer uma das numerosas aplicações das dobraduras assinaladas: fatores de recreação e de lazer da criança no lar.

Os pais interessados no aperfeiçoamento da educação emocional e intelectual de seus filhos, perceberão facilmente que as atividades senso-motoras - fazer, tocar, manusear e reproduzir com as mãos - se completam com as estruturas lógicas do pensamento.

Os professores das escolas primárias, renovarão seus planos de trabalho com a introdução das dobraduras nos teatros de silhuetas. As dobraduras colocadas diante de um foco luminoso se projetarão numa tela, que poderá ser utilizada como boca de cena. A movimentação das dobraduras, agora como sombras projetadas, propiciarão novos e interessantes estimulos às atividades de um público infantil sempre participante.

Vocabulário

Procurar no dicionário o significado das seguintes palavras:
- folgazão, feiticeiro, magia, tácita, confeites, troféu, olimpíada, solidariedade e concórdia.

Receita

Siga os passos da receita do chapéu. Mantive a descrição da receita como está no livro.

Chapéu

1. Inicia-se com um papel quadrado, dobrando-se em forma de triângulo, e em seguida, dobra-se da mesma forma, pelas pontilhadas .

2. Dobram-se ambas as folhas para cima, pelas pontilhadas do desenho n° 1.

3 e 4. Em seguida, abre-se com os dedos pelo meio e, ao mesmo tempo, aperta-se a parte de cima de maneira que fique sob forma adequada, e fecha-se logo após.

4. Conclusão da fase 3.


5. Dobra-se para cima, pelas pontilhadas do desenho n° 4.

6. Para finalizar, com os dedos, puxa-se as pontas para fora, formando assim as abas do chapéu procurado


7. O chapéu está pronto.

O origami e o teorema de Pitágoras

Utilize uma folha quadrada e siga as instruções para fazer uma demonstração simples do Teorema de Pitágoras, conforme as instruções.

1. Numa folha quadrada, dobre e desdobre as duas diagonais e mediatrizes. Depois, dobre dois triângulos (cantos) para trás.

2. O triângulo x é um triângulo retângulo. Após as dobras, foram construídos dois quadrados sobre os catetos (b e c) desse triângulo. Antes de dobrar os outros dois cantos para trás, note que cada quadrado (amarelo) pode ser decomposto em dois triângulos exatamente iguais ao triângulo x.

Se recortamos e transportarmos esses quatro triângulos (amarelos) para a hipotenusa (a) do triângulo x, produziremos um quadrado com lados iguais a ela.

No caso do origami, evitamos o recorte e, ao dobrar os dois últimos cantos para trás, produzimos um quadrado de lado igual à hipotenusa do triângulo x.

Portanto, podemos afirmar que: b2 + c2= a2

Determinação dos ângulos

O origami pode ser utilizado como auxílio no ensino da Geometria. Ao desdobrar a base do pássaro é possível vizualizar a formação de ângulos e retas.

Tangram a partir de um quadrado

O tangram é um jogo, e jogos sempre exercem atração sobre as crianças, facilitando sua aplicação em sala de aula.

Objetivos:

- Treinar a precisão no ato de dobrar;
- Trabalhar com medidas sem usar instrumentos (aproximação);
- Calcular as áreas das figuras;
- Observar a simetria nas figuras;
- Observar a semelhança entre figuras;
- Construir figuras da imaginação, utilizando os dois conjuntos de tangrans;
- Decompor o quadrado e o teorema de Pitágoras.

Para propor uma atividade com origami em sala de aula, é necessário que o professor domine pelos menos as técnicas básicas. Como isso não é comum, perdem-se boas oportunidades com a ausência desse excelente recurso didático. Quanto custa uma folha de sulfite? Dela obtemos um quadrado e, a partir dele, começa a grande aventura geométrica.

Para as escolas que queiram organizar oficinas para os professores, basta clicar no banner Oficinas para solicitar informações.

Como conseguir dois tangrans a partir de um quadrado

Fase 1
1. Vinque (marque) as duas diagonais do quadrado.
2. Vinque (marque) a bissetriz do ângulo A.
3. Dobre aproximadamente 2 mm acima do ponto de intercessão da bissetriz com a diagonal (aproximadamente 2/7 da diagonal).

Fase 2

1. Dobre os outros três cantos, sempre em ângulo reto com as diagonais, formando um retângulo.
2. Recorte os quatro triângulos.

Fase 3

1. Divida o retângulo em doze quadrados iguais. O lado menor é dividido em três e o maior, em quatro.
2. Recorte nas linhas tracejadas, conseguindo as dez peças que, somadas aos quatro triângulos, formarção os dois conjuntos de tangrans.

Este é o quadrado sem os recortes, mostrando apenas os vincos. O tangram é útil nas aulas de matemática, na ilustração de histórias ou simplesmente para ajudá-lo a criar suas próprias figuras.

O tangram é um quebra-cabeça chinês de origem e inventor desconhecidos, composto por sete peças recortadas a partir de um quadrado que, quando arranjadas, podem produzir mais de mil peças diferentes.

Para cada composição, devem ser usadas as sete peças, que não podem ser sobrepostas.

A proposta aqui é a construção de um tangram por origami para fazer a demonstração do Teorema de Pitágoras, tendo um triângulo retângulo como módulo básico, dobrado a partir de uma folha quadrada.

O tangram por origami

Montagem por Origami - cinco módulos básicos formam os cinco triângulos

1. Após dobrar três cantos de uma folha quadrada para o centro, dobre ao meio.

2. Abra e achate. Depois vire o papel e repita a operação.

3. Dobre, colocando o triângulo branco para dentro do modelo.

4. Módulo básico pronto.Em cada lado forma-se uma bolsa que permite um encaixe.

5. Veja como unir os triângulos para formar o quadradinho e o paralelogramo.

6. O tangram e seus cortes (sua formação se dá pela união de partes distintas, em que dois módulos básicos formam o paralelogramo e devem ser unidos por um papel quadrado com diagonal igual ao lado do módulo (cateto). Dois módulos básicos formam o quadrado e devem ser unidos por um papel quadrado com diagonal igual ao lado do módulo (hipotenusa)).

7. Transportar os dois tangrans para a hipotenusa a fim de demonstrar a expressão b2 + c2 = a2 . Você terá de pensar muito e tentar fazer o transporte dos dois quadrados menores, para assim formar o maior.

Notas

Uma folha quadrada com 15 cm de lado, dobrada como indicam as figuras a seguir, gera um triângulo cuja hipotenusa tem 10,5 cm. Considerando a área desse quadrado, serão necessárias duas folhas inteiras para os dois triângulos maiores.

Para o triângulo médio, a área do quadrado deve ser metade da folha inteira, que é obtida dobrando-se os quatro cantos da inteira para o centro.

Para construir os dois triângulos menores, são necessárias duas folhas com 1/4 da área da folha inteira.

Para o quadradinho, duas folhas com 1/4 da área da folha inteira, cujos módulos serão unidos pela diagonal. Para o paralelogramo, duas folhas com 1/4 da área da folha inteira. Os módulos serão unidos por um dos catetos.

Fonte: www.eduquenet.net

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