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Países Baixos

História dos Países Baixos

Pré-história até a república

Antes do começo da era cristã, no que agora são os Países Baixos, viviam tribos germânicas e celtas. Até o ano 400, a região ao sul do rio Reno fazia parte do império romano. Na idade média, os Países Baixos estavam divididos em principados feudais autônomos. O imperador Carlos V da casa dos Habsburgos, (Carlos I da Espanha, 1500-1558) reuniu todos esses territórios junto com a atual Bélgica e Luxemburgo, denominando-os 'Países Baixos' e os agregou ao seu vasto império Borgonhês-Habsburguês.

Em 1568, vários principados do norte dos Países Baixos, dirigidos pelo príncipe Guilherme de Orange, se sublevaram contra Felipe II, filho de Carlos V. O motivo foi a limitação da liberdade religiosa e as aspirações absolutistas de Felipe II. Isto significou o início do que nos Países Baixos se conhece como a 'Guerra dos Oitenta Anos'. Com a Paz de Münster em 1648, a República das Sete Províncias dos Países Baixos foi reconhecida como estado independente. A República consistia de sete províncias soberanas: Holanda, Zeelândia, Utrecht, Frísia, Groninga, Overijssel e Gueldres. A forma estatal da República seguia mantendo um elemento feudal com o 'stadhouder' (governador), um cargo poderoso que era ocupado pelos herdeiros de Guilherme de Orange.

1815 até hoje: o Reino dos Países Baixos

A revolução Francesa significou o final da República das Sete Provincias dos Países Baixos. Em 1795, a República foi ocupada pelas tropas francesas, convertendo-a em um estado vassalo: a República Batava. Em 1806, Napoleão nomeou seu irmão Luis Napoleão como rei do Reino dos Países Baixos e, quatro anos mais tarde, os Países Baixos foram anexados na sua totalidade à França. Sob o reinado de Luis Napoleão, Amsterdã foi declarada capital do Reino.

Em 1813, depois do colapso do império francês, os Países Baixos readquiriram sua independência, surgiu então uma luta entre monarquistas e republicanos da qual sairam vitoriosos os monarquistas. Guilherme Frederico, Príncipe de Orange Nassau e filho do último stadhouder, regressou da Inglaterra. O Governo voltou a transferir-se para Haia; porém, Amsterdã se manteve como a capital oficial. Os Países Baixos também continuavam como "Estado Unitário", já que não se voltou ao sistema das províncias autônomas. Quando em 1815 os Países Baixos do Norte e do Sul se uniram formando o Reino dos Países Baixos, Guilherme I foi proclamado rei. Isto marcou a introdução da monarquia hereditária. Em 1848, ocorreu uma drástica revisião da constitução, os ministros não deviam mais responder ante o Monarca mas ante os representantes eleitos do povo, o parlamento. Esta nova Constituição formou a base da atual monarquia constitucional com um sistema parlamentário.

Em 1830, os Países Baixos do Sul se separaram e formaram o Estado da Bélgica. Em 1839, Guilherme I aceitou esta separação; no mesmo ano renunciou ao trono. Foi sucedido por Guilherme II. Depois da morte do seu filho Guilherme III em 1890 terminou a sucessão ao trono em linha masculina e desapareceu o vínculo pessoal com Luxemburgo, do qual, até aquele momento, o rei neerlandês havía sido Grã Duque. Sob a regência da sua mãe, a rainha Emma, chegou ao trono Guilhermina (1880-1962).

Em 1898, ao cumprir 18 anos de idade, a regência da Emma terminou, e Guilhermina assumiu as tarefas monárquicas. Durante a primeira guerra mundial (1914-1918), os Países Baixos se mantiveram neutros. Apesar de que os Países Baixos também terem mantido uma política de absoluta neutralidade até a segunda guerra mundial, em maio de 1940 as forças alemãs invadiram o país, iniciando-se assim uma ocupação de cinco anos. A rainha Guilhermina se refugiou na Inglaterra, de onde continuou exercendo um papel importante como símbolo da resistência contra o invasor.

Em 1948, após um reinado de cinqüenta anos, abdicou em favor da sua filha Juliana. Em 1980, Juliana foi sucedida no trono pela sua filha mais velha, a atual rainha Beatrix. Até a segunda guerra mundial, os Países Baixos haviam sido uma grande potência colonial, porém, pouco depois do fim da guerra, as colônias rapidamente se tornaram independentes. A Indonésia ficou totalmente independente dos Países Baixos. Em 1954, o Suriname e as Antilhas Neerlandesas, situadas no Caribe, se converteram em sócios equivalentes ao aceitar o estatuto do Reino no qual se determinava que o governo do Reino se encarregaria das relações exteriores e da defesa dos territórios em ultramar. Em 25 de novembro de 1975, o Suriname passou a ser uma república independente. Desde 1 de janeiro de 1986, Aruba que até então formava parte das Antilhas Neerlandesas junto com Curaçao, Bonaire, San Eustáquio, Saba e São Martinho, adquiriu o 'status separado' dentro do Reino, pelo qual junto com as Antilhas Neerlandesas e Países Baixos, Aruba se transformava em um sócio equivalente.

Uma sociedade multicultural

Antigamente, o conceito fracionamento era um elemento característico na organização da sociedade neerlandesa. O fracionamento refere-se à existencia de diversas correntes ideológicas ou religiosas (católica, protestante, socialista, liberal etc.), que funcionavam paralelamente. Este fenômeno ainda é encontrado na televisão, na rádio, na imprensa, no ensino e em certas organizações de defesa de interesses. Essa convivência paralela tem contribuído para o número relativamente baixo de fricções entre os distintos agrupamentos, o que tampouco é estranho já que cada grupo convivia de maneira quase independente junto à outra.

Do ponto de vista histórico, há poucos neerlandeses que não tenham um imigrante entre seus antepassados. Hoje, mais de 5% da população se compõe de pessoas que não têm a nacionalidade neerlandesa. A política atual de admissão de estrangeiros se caracteriza pela restrição, pois os Países Baixos são um dos países mais densamente povoados do mundo. Por esse mesmo motivo, há algumas décadas, o Governo praticava uma política ativa de emigração. No entanto, nos anos sessenta e setenta, a falta de mão de obra fez com que fossem contratados muitos trabalhadores de outros países. Nos últimos anos, estrangeiros somente são aceitos quando sua entrada é de grande interesse para o país, quando tratados internacionais o obrigam, ou quando existem razões humanitárias de peso.

O Governo pratica uma política ativa de integração para os estrangeiros admitidos.

Artigo 1 da Constituição neerlandesa: 'Todos aqueles que se encontram nos Países Baixos serão tratados, em casos idênticos, de maneira igual. A discriminação por razões de religião, crença, convicção política, raça, sexo ou qualquer outro motivo, não é permitida'.

Forma de governo

A monarquia como forma de governo

O Governo do Reino dos Países Baixos é formado pelo Rei (o que na Constituição significa tanto rei como rainha) e os ministros. Esta interpretação do conceito 'Governo', onde o chefe de Estado é parte do Governo, não é comum em muitas outras monarquias da Europa ocidental, onde o Governo somente é composto de ministros. Desde a revisão da Constituição em 1848, os Países Baixos são uma monarquia constitucional com um sistema parlamentar. 'Monarquia constitucional' significa que a Constituição determina e regula a divisão das competências de poder entre o Rei e outras entidades do Estado. São os ministros que respondem ante o Parlamento pelas atuações do Governo. O Rei não tem nenhuma responsabilidade política e, portanto, não pode ser convocado pelo Parlamento para prestar contas. A Rainha Beatrix no Dia dos Príncipes (Prinsjesdag) Uma das muitas funções do Rei como chefe de Estado é pronunciar anualmente o Discurso do Trono, que é o Discurso de Abertura do Parlamento, (o Dia dos Príncipes Infantes tem lugar cada ano na terceira terça-feira do mês de setembro). No Discurso do Trono são expostos os planos do Governo para o próximo ano parlamentar.

O Rei também desempenha um papel importante na formação dos Governos. Depois das eleições, o Rei consulta os líderes dos grupos parlamentares, os presidentes da Primeira e da Segunda Câmara do Parlamento, e o vice-presidente do Conselho de Estado. Baseando-se em seus conselhos, o Rei nomea um informador - pessoa encarregada de examinar quais partidos estariam dispostos a formar juntos o novo gabinete - pois, até hoje, nunca nenhum partido conseguiu uma maioria absoluta em eleições. Caso fique claro quais partidos estão dispostos a formar juntos o Governo, não há necessidade de nomear um informador. O resultado das negociações entre os partidos denomina-se 'Acordo de Governo'.

No Acordo de Governo são declarados os planos da coalizão para o próximo período governamental de quatro anos. Em seguida, o Rei nomea um 'formador', pessoa encarregada de formar um gabinete. O formador normalmente se torna Primeiro Ministro. Depois da primeira reunião oficial do gabinete, o Rei toma o juramento dos novos ministros, que são nomeados por Decreto Real, o que na prática significa que os próprios ministros decidem sobre sua nomeação.

O Decreto Real é assinado pelo rei, validando assim a decisão, e pelo Primeiro Ministro em nome dos ministros. Além destas tarefas oficiais, o chefe de Estado se reúne regularmente com o Primeiro Ministro, outros políticos e pessoas proeminentes do mundo econômico e cultural. Todos os ministros juntos formam o conselho de ministros, que é presidido pelo Primeiro Ministro. As tarefas do Governo estão a cargo dos ministros. Entre essas tarefas se encontram a gestão executiva, a preparação da legislação, a execução de leis, a supervisão das províncias e municípios, e as relações exteriores.

História de Amsterdã e Haia

Amsterdã, a capital dos Países Baixos - Haia, a sede do governo

"Após assumir a prerrogativa real, o Rei deverá prestar juramento e dentro do menor prazo possível instalar-se na capital Amsterdã onde celebrará em ato público, conjuntamente com os Estados Gerais (Parlamento), a sua investidura". Assim o determina a constituição neerlandesa.

Desde a coroação do Rei Guilherme II no ano de 1840, esta cerimônia tem sido celebrada na igreja "Nieuwe Kerk" (Igreja Nova) de Amsterdã. Embora Amsterdã seja a capital do país, as residências oficiais dos monarcas, bem como a sede do governo, situam-se em outra localidade. O atual chefe de Estado, a Rainha Beatrix, vive em Haia, localizando-se nesta mesma cidade a sede do governo e dos Estados Gerais (o Parlamento neerlandês). Os Países Baixos são um dos poucos países que possuiem este tipo de organização. E desta forma ocupam um lugar especial, mas não único, no mundo. Outro país em situação idêntica é, por exemplo, a Bolívia, cuja capital é Sucre enquanto a sede do governo localiza-se La Paz. Para entender porque o governo dos Países Baixos não tem sua sede na capital, devemos incorrer na história da cidade.

Amsterdã exerceu um papel importante na história dos Países Baixos, tanto econômicamente quanto culturalmente. Graças à sua privilegiada localização geográfica, desenvolveu-se até tornar-se o centro econômico e cultural dos Países Baixos. No século XVII, durante o chamado "Século de Ouro" neerlandês, Amsterdã chegou a ser o centro econômico e cultural do mundo. Amsterdã foi, e continua sendo, a cidade mais proeminente do país. Intelectualmente (com as suas duas universidades), culturalmente (com o Rijksmuseum, o Stedelijk Museum, o Museu Nacional Vicent van Gogh, e ainda com a renomada Real Orquestra do Concertgebouw), e economicamente (com a Bolsa de Valores e o Banco Central Neerlandês), Amsterdã representa o papel que lhe faz juz, como sendo a maior cidade dos Países Baixos.

A história de Haia caracteriza-se pelo estabelecimento de diversos tipos sucessivos de governo. Nesta cidade residiam os condes, governadores e reis, e nela se reuniam os representantes das cidades e das províncias, exatamente como o fazem nos dias atuais os representantes do parlamento neerlandês. A cidade em si, que não gozava de direitos próprios, representava bem pouco, tanto na politíca, quanto nas relações na sociedade neerlandesa como um todo. Não tinha representantes a nível provincial, nem a nível nacional. Sendo Haia uma cidade sem influências na política, era um bom lugar para a sede do governo nacional. Até os dias atuais Haia continua sendo o centro do poder político nos Países Baixos e com o passar dos anos, foi evoluindo, transformando-se em um centro da política internacional. A cidade também é a sede de vários órgãos internacionais, tais como o Tribunal Permanente de Arbitragem, o Tribunal Internacional de Justiça, a Organização para a Proibição de Armas Químicas, e o Tribunal para os Crimes de Guerra na antiga Iugoslávia, e, no futuro próximo, o Tribunal Penal Internacional. Razões suficientes para que Haia também seja conhecida como a capital jurídica do mundo.

A história das duas cidades

Entre os anos de 1230 e 1280, os Condes da Holanda construíram um castelo no mesmo local onde hoje se encontra o atual "Binnenhof". No início era uma pequena hospedaria de caça, tendo sido ampliada no governo do Conde Floris V, que mandou construir a Sala dos Cavalheiros (Ridderzaal). No século XIV, começou a se formar um assentamento ao redor desse castelo, que foi denominado de " 's-Gravenhage" (a Haia dos Condes), que atualmente vem sendo denominada Den Haag, ou, em português, Haia. Com a presença da corte, o assentamento cresceu rapidamente até tornar-se um próspero povoado no qual surgiram algumas indústrias, tais como têxteis e cervejeiras. No século XIII, na desembocadura do Rio Amstel, surgia também a cidade de Amsterdã. Seu nome se deve ao dique (dam) com eclusas (concluído em 1275) que foi construído para protegê-la do Zuiderzee (mar do Sul), conhecido atualmente como IJsselmeer (lago IJssel). No começo era um pequeno povoado de pescadores que rapidamente evoluiu transformando-se em um grande centro comercial. Esse desenvolvimento foi fomentado pelo Conde Floris V. Em 1275 Floris V permitiu ao povo holandês a circulação nos rios da região sem o pagamento de pedágios. Entre 1300 e 1306 ele outorgou direitos próprios à cidade. Por volta de 1300 foi dado início à navegação comercial para Hamburgo e para o mar Báltico que, posteriormente estendeu-se à outras partes da Europa. No século XV, Amsterdã já tinha se tornado a cidade mercantil mais importante da província da Holanda.

Em várias ocasiões, e principalmente em outros países, usa-se o nome Holanda como sinônimo de Países Baixos. Porém, os Países Baixos dividem-se em 12 províncias e Holanda é apenas o nome de duas delas, localizadas na parte ocidental do país e chamadas de Holanda do Norte e Holanda do Sul. Estas duas províncias, unificadas até 1840, dominaram por muito tempo a história neerlandesa. O condado da Holanda era formado pelas atuais províncias Holanda do Norte e Holanda do Sul e uma parte da atual província de Brabant do Norte. As cidades de Amsterdã e Haia estão localizadas respectivamente na Holanda do Norte e Holanda do Sul.

Haia, sede do governo

No século XIV, desenvolveu-se no condado da Holanda um centro administrativo permanente de governo. O mesmo ocorreu em outros condados. A administração não deveria mais acompanhar o conde por todo território nacional em cada viagem. O condado da Holanda foi concedido aos condes de Hainaut (região que atualmente pertence à Bélgica) que nem sempre podiam estar presentes. Houve então uma reorganização do governo e da administração da justiça. O atual prédio do Parlamento neerlandês, em Haia, chamado Binnenhof, parecia ser um perfeito local para a sede do governo. Situava-se em um grande condado e a hospedagem era apropriada para a chancelaria. A administração também se estabeleceu em Haia, formando-se então a base para que Haia mais tarde se tornasse a sede do governo. No século seguinte surge nos Países Baixos, que nesta época compreendiam o que hoje seria a Benelux (Bélgica, atuais Países Baixos e Luxemburgo) e uma parte do norte da França, uma primeira forma de representação do povo; os Estados de cada província, nos quais estavam representadas a nobreza, o clero e as cidades. Haia não fazia parte dos estados da Holanda por não gozar de privilégios. Amsterdã sim, embora não ocupasse o primeiro lugar entre as cidades holandesas. Este lugar era tradicionalmente ocupado pela cidade com privilégios mais antigos, que na Holanda era a cidade de Dordrecht. O Duque de Borgonha, senhor da maioria das províncias neerlandesas, convocava - principalmente quando precisava de dinheiro - os representantes encarregados de assuntos importantes de todos os estados. Esta assembléia recebeu o nome de Estados Gerais, nome este que até os dias atuais é usado para a denominação oficial do parlamento neerlandês. O Estados Gerais se reuniram pela primeira vez na de cidade de Bruges em 1464. Naquele tempo o soberano raras vezes ficava em Haia, sendo substituído por um governador que atuava em seu lugar e por sua própria conta. Soberanos posteriores como: Maximiliano da Áustria, Carlos V e seu filho o Rei de Espanha Felipe II, ocupavam-se com as questões européias e não tinham disponibilidade física para estarem nos Países Baixos. Como resultado, os governadores das várias províncias, que eram normalmente governadas por um regente sediado em Bruxelas, adquiriram um papel importante na Europa, tendo cada vez mais poder e ocupando cada vez mais cargos importantes no governo. Várias províncias eram governadas pelo mesmo governador, a partir da cidade de Haia.

A revolta

Em 1568, desatou uma rebelião contra o Rei Filipe II da Espanha, que era também Soberano dos Países Baixos. Uma das razões da rebelião foi a dura repressão às crenças protestantes, entre as quais o calvinismo, que atraíam um número cada vez maior da população neerlandesa. Além disto havia a instauração de um regime estritamente centralista, que afetava a liberdade gozada pela nobreza e pelas cidades. A rebelião iniciou a guerra dos Oitenta Anos com a Espanha (1568 - 1648), guerra esta que tinha muitas das características de uma guerra civil. A causa da rebelião rapidamente encontrou no Príncipe Guilherme de Orange, que já havia sido governador das províncias da Holanda, Zelândia e Utrecht, um líder que logo ganhou o poder. A rebelião levou um certo tempo para se espalhar. Primeiramente ela se estendeu para as províncias da Holanda e Zelândia e posteriormente para a maior parte dos Países Baixos. Desta forma Amsterdã, que inicialmente era leal ao Rei de Espanha, uniu-se em 1578 aos rebeldes.

Não dispondo de muralhas para protegê-la, Haia foi repetidamente conquistada, perdida e reconquistada, causando enormes danos à população. Em 1577, o Príncipe de Orange decidiu estabelecer novamente o governo em Haia. A partir de 1585, os Estados Gerais, que representavam as províncias rebeldes, estabeleceram sua sede definitiva em Haia. Desta vez o pequeno povoado não deveu este privilégio aos desejos do Soberano mas sim à competição entre as cidades rivais. Por não gozar de privilégios, Haia não detinha maior expressão política e social e as demais cidades aceitaram que o governo ali se estabelecesse. Por ser um povoado, Haia não podia ser membro dos estados Provincias nem dos Estados Gerais. As cidades permitiram tranqüilamente que se estabelecesse o governo em Haia sem temer que a cidade tivesse a pretenção de acumular poder para si mesma. Neste sentido, a história de Haia é parecida com a de outras capitais tais como Washington DC, Otawa e Canberra.

Um século de ouro para Amsterdã

Em 1585 as tropas espanholas conquistaram Antuérpia. Muitos habitantes deslocaram-se para o norte, para Amsterdã, que sofreu um rápido crescimento e um desenvolvimento comercial explosivo. Amsterdã assumiu então definitivamente a posição ocupada por Antuerpia até então, ou seja: o centro comercial mais importante da Europa, no que foi ajudada pelo bloqueio dos rebeldes da saída marítima da Antuérpia, na Escalda Ocidental (Westerschelde). Amsterdã tornou-se então a cidade mercantil mais importante da Holanda e da República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos, cuja independência foi finalmente confirmada pelo Tratado de Münster em 1648 (como parte da Paz de Westphália). A República era sobretudo uma nação mercantil, a frota neerlandesa navegava pelos mares do mundo inteiro e a maioria do comércio marítimo ficou em poder de Amsterdã. A prosperidade da República deveu-se principalmente à navegação comercial, especialmente àquelas dos galeões de Amsterdã pelo mar Báltico, Mediterrâneo e além mares, principalmente com as colônias neerlandesas conhecidas como as Índias neerlandesas, atualmente Indonésia. Em Amsterdã estabeleceram-se também várias empresas e companhias de navegação e a cidade chegou a ser o centro de distribuição da Europa. A partir daí deu-se então o início dos chamados anos de ouro para Amsterdã. Durante um século, "o Século de Ouro", Amsterdã dominou o comércio mundial.

Baseando-se na prosperidade econômica, adquirida durante este período, Amsterdã transformou-se também em um centro cultural. Pintores de fama mundial, como Rembrandt van Rijn, pintaram aqui suas melhores telas e a arquitetura conheceu um esplendor até então desconhecido que pode ser apreciada até hoje. Amsterdã atraía também muitos estrangeiros, entre outras razões devido ao ambiente de tolerância existente nos Países Baixos. Uma parte dos estrangeiros, entre eles muitos judeus e protestantes, buscaram refúgio na República por serem perseguidos por suas convicções em seus próprios países. A censura nos Países Baixos era mais branda do que em outros países, razão pela qual Amsterdã transformou-se também em um centro para escritores, sábios, filósofos, cientistas e artistas. Assim os filósofos René Descartes da França e John Locke da Grã-Bretanha, instalaram-se em Amsterdã já que em seus países não lhes era permitido trabalhar e publicar.

No século XVIII aconteceu um relativo retrocesso no comércio de mercadorias, mas Amsterdã seguiu sendo o centro financeiro da Europa, e o centro econônomico e cultural dos Países Baixos. Somente após a paralização do comércio marítimo em razão das guerras Napoleônicas, é que Amsterdã perdeu sua destacada posição no comércio mundial.

O período francês

A partir de 1588, os Países Baixos formaram uma República continuando nesta condição durante os primeiros anos do chamado Período Francês ( 1765 - 1813 ). O país foi aliado da França sob o nome de República Batava. Todavia, em 1806, Napoleão proclamou os Países Baixos um reinado e nomeou o seu irmão Luis Bonaparte como Rei dos Países Baixos. Era também o desejo de Napoleão que Amsterdã fosse a capital deste novo reinado. Em 1808, Luis Bonaparte instalou-se em Amsterdã e assim a cidade situada às margens do Amstel, pela primeira vez na sua história, chegou a ser a capital e a sede do governo. Inicialmente Luis Bonaparte queria construir um palácio em Amsterdã, mas o país emprobrecido, com sua economia bastante deteriorada, não tinha condições de arcar com mais despesas além daqueles da própria coroa, que já eram extremamente altas. Os tempos de glória para Amsterdã haviam terminado. O Rei, pressionado pelo governo de Amsterdã, decidiu não construir uma nova residência real, optando pela transformação da Câmara Municipal em palácio real,. A câmara, situada na praça "Dam" foi construída nos tempos de esplendor. Em 1806, Haia foi promovida à terceira cidade do reino, obtendo finalmente direitos próprios. Esta situação durou pouco tempo, porque em 1810 o Reino dos Países Baixos foi anexado à França.

Em 1813, com a derrota do Napoleão, três cidadãos proeminentes se reuniram em Haia para refletir sobre a instauração de uma nova autoridade legitima por ocasião da saída dos franceses do país. Como resultado o governo voltou a ser exercido em Haia. Em 1813, o filho do último governador, que havia abandonado a Repúbica em 1795, regressou como príncipe soberano, estabelecendo-se em Haia.

O novo reino

No Congresso de Viena, em 1815, as grandes potências unificaram os Países Baixos e a Bélgica para formarem juntos o Reino dos Países Baixos, com Guilherme I como Rei. Ele seria o primeiro rei do atual reino dos Países Baixos. Amsterdã continuou sendo a capital, enquanto Bruxelas e Haia se alternavam como residência do monarca e do seu governo. Em 1830, a Bélgica tornou-se independente dos Países Baixos e tanto o governo quanto o rei se estabeleceram em Haia. Não obstante, Amsterdã continuou sendo a capital na qual era celebrada coroação do rei.

Desde então, somente em duas ocasiões Haia não serviu como residência ofical. A primeira vez quando a Rainha Guilhermina (que reinou de1898 a 1948) e o governo neerlandês residiram em Londres durante a ocupação alemã na segunda guerra mundial (1940 - 1945). Após o término da guerra a Rainha e o governo retornaram para Haia. Quando a Rainha Juliana assumiu o trono em 1948 a corte se deslocou pela segunda vez, desta vez para Baarn onde se instalou no palácio Soestdijk, embora ainda mantivesse um palácio em Haia onde continuava também o governo. Em 1980, depois da ascenção ao trono, a atual da Rainha Beatrix voltou a residir em Haia.

Religião

Desde a reforma, os Países Baixos ficaram divididos entre a região católica e a protestante. Poderia se dizer que a linha de separação ia do sudoeste ao noroeste. A região ao norte era protestante ao sul era católica. A comunidade protestante se dividiu, por sua vez, em uma grande quantidade de denominações, como por exemplo os reformados, os contra-reformados e os luteranos. Ademais, desde o século XVII vivia nos Países Baixos uma comunidade judaica que em sua maioria procedia de descendentes de judeus originários da Espanha e Portugal. Também muitos huguenotes emigraram da França para os Países Baixos. Mais tarde chegaram os hindus e muçulmanos procedentes das antigas colônias neerlandesas da Indonésia e do Suriname. Devido ao fluxo de imigrantes de, entre outros países, Marrocos, Turquia, Indonésia e Suriname, o número de muçulmanos tem aumentado consideravelmente desde os anos sessenta. Atualmente residem nos Países Baixos aproximadamente 570.000 muçulmanos, que dispõem de 300 mesquitas.

Desde meados deste século, a influência das igrejas nos Países Baixos tem diminuído. A tradição de adotar a fé dos pais está esvaindo-se pouco a pouco. A conseguinte diminuição do número de fiéis praticantes primeiro aconteceu entre os protestantes, porém, mais tarde também entre os católicos. Agora, mais da metade dos neerlandeses não está vinculada a nenhuma religião. No obstante, as várias religiões continuam exercendo uma influência importante na sociedade. A liberdade de religião é garantida pela constituição de 1848. Além disto, nos Países Baixos existe a separação entre igreja e Estado. Isto significa que o Estado não interfere nos assuntos internos das organizações de caráter religioso ou ideológico e que essas, por seu lado, não intervêm nos assuntos do Estado. No entanto, a Administração Pública pode exercer um papel estimulante a respeito. Por exemplo, a Lei de Qualidade das Instituições de Assistência dispõe que aqueles que se dedicam à assistência, devem esforçar-se para oferecer aos pacientes nas suas instituições acesso a um conselheiro espiritual de sua própria religião ou crença.

Esporte

No seu tempo de lazer ou para transportar-se até o trabalho, muitos neerlandeses usam a bicicleta, conhecida também como o meio de transporte nacional. Quando há uma capa de gelo suficientemente grossa nos lagos e canais, milhares de pessoas vão patinar. O esporte desempenha um papel importante na vida cotidiana dos neerlandeses. Sobre uma população de 15,6 milhões de habitantes, aproximadamente 4,7 milhões de pessoas estão inscritas em alguma das aproximadamente 35.000 associacões desportivas. Ademais, um número considerável de pessoas praticam esportes sem pertencer a clube algum. Uma ampla maioria da população possui interesse por esportes. O futebol, sem dúvida, é o esporte mais popular. A federação neerlandesa de futebol é, com um milhão de sócios, a maior organização de esporte do país. Todas as semanas se joga o futebol em distintos níveis, tanto entre profissionais como entre amadores. Muitos clubes profissionais dispõem de instalações esportivas modernas. Os estádios de futebol 'Amsterdam Arena' e 'Gelredome' em Arnhem são dois dos estádios mais avançados do mundo. A seleção neerlandesa de futebol, no Brasil carinhosamente apelidada de 'Laranja Mecânica', infelizmente não se classificou para o campeonato mundial de futebol de 2002.

Os Países Baixos são também o país da patinação. O país dispõe de uma dezena de pistas de gelo artificial, com pistas de 400 metros e quadras de gelo para o hóquei sobre gelo, e para a patinação artística e patinação de velocidade em pista curta. A mais famosa corrida sobre gelo (natural) é a 'Corrida das Onze Cidades' na província de Frísia, com um percurso de 220 quilômetros. O estádio totalmente coberto de Thialf em Heerenveen é regularmente o cenário de grandes competições internacionais. Na última década, o tênis também alcançou grande popularidade. Com mais de 700.000 membros, a federação neerlandesa de tênis é atualmente a segunda organização esportiva do país. Outros esportes muito praticados nos Países Baixos são por exemplo a natação, a ginástica, o voleibol, o ciclismo, o judô, o hóquei sobre grama, o handebol etc. O golfe vem ganhando terreno.

O Estado subsidia as organizações esportivas, não somente por motivo da saúde pública, mas também pelo significado social do esporte. No obstante, a maior parte dos recursos do esporte advém das contribuições dos sócios, a venda de entradas, matrículas e loterias estatais. O mundo empresarial patrocina sobretudo o esporte de alta competição. Grande parte da política de esportes está nas mãos do próprio esporte, através da confederação do Comitê Olímpico Neerlandês - Federação Neerlandesa de Esportes (NOC-NSF).

Também se oferece nos Países Baixos a possibilidade de praticar o esporte a segmentos especiais da população, como idosos e pessoas com alguma deficiência ou doença crônica. Os Países Baixos sempre são representados por uma equipe nos Jogos Olímpicos para deficientes, os Jogos Paraolímpicos e os Jogos Mundiais. Nas grandes cidades neerlandesas são organizadas atividades esportivas especiais para promover a integração de minorias étnicas. O esporte neerlandês de alta competição prospera já há bastante tempo. No futebol profissional, a seleção nacional neerlandesa e times como Ajax, Feijenoord e PSV gozam de grande reputação em todo o mundo. Os neerlandeses se destacam também em outros esportes. Na patinação, Rintje Ritsma, Ids Postma, Annemarie Thomas e Tonny de Jong acumulam medalhas, a seleção neerlandesa de voleibol foi campeã olímpica, enquanto o time de hóquei, além de campeão olímpico, também conquistou o título mundial. Anky van Grunsven no hipismo, e Richard Krajicek no tênis, têm conseguido sucessos internacionais. Há ainda vários outros esportes onde os neerlandeses têm obtido destaque como por exemplo, no remo, navegação à vela, jogo de dardos, etc. O setor de esporte de alta competição do NOC-NSF se encarrega do auxílio médico e social aos esportistas. O Fundo para o Esportista de Alta Competição oferece ajuda econômica aos esportistas, para que estes possam preparar-se ao máximo para as competições importantes.

O idioma Neerlandês

A língua dos Países Baixos, o neerlandês, é o idioma materno de mais de 21 milhões de neerlandeses e flamengos. Além disto, no noroeste da França, outras 60.000 pessoas usam um dialeto neerlandês. Nas Antilhas Neerlandesas e Aruba, que formam parte do Reino dos Países Baixos, e na antiga colônia neerlandesa do Suriname, o neerlandês é utilizado freqüentemente pela Administração Pública e no ensino. O afrikaans, uma das línguas faladas na África do Sul, deriva do neerlandês do século XVII. O idioma neerlandês tem tido influências em outras línguas, sobretudo na terminologia da navegação, obras hidráulicas e na agricultura. O neerlandês é ensinado em aproximadamente 250 universidades no mundo e muitas vezes é escolhido como segunda língua nas escolas da região francófona da Bélgica, assim como no norte da França e na Alemanha.

Em 1980, os Países Baixos e a Flandres fundaram a União da Língua Neerlandesa (Nederlandse Taalunie), uma organização que tem como objetivo estimular o neerlandês a nível mundial e formular normas para a ortografia e a gramática.

Na província da Frísia, no norte do país, é também falada uma segunda língua: o frisão. Essa língua oficial é a língua materna de cerca de 400.000 frisões, e mostra semelhanças com o inglês e as línguas escandinavas. O neerlandês é a língua oficial do ensino nos Países Baixos e também na província da Frisia.

Culinária Neerlandesa

Como qualquer outro país, os Países Baixos têm suas proprias especialidades culinárias. Famosos são os queijos neerlandêses, como Gouda e Edammer. Menos conhecidos são seus croquetes e os maatjesharing (arenques jóvens crús salgados). A cozinha neerlandesa é bastante simples, se come muitas batatas e verduras no país. Durante o ano inteiro pode ser encontrada uma grande variedade de pescado. Os neerlandeses tradicionalmente costumam beber cerveja, mas os vinhos estão conquistando terreno rapidamente. Leite é uma das bebidas favoritas o que talvez explique porque os neerlandeses são um dos povos mais altos do mundo, tendo os homens uma altura média de 1,84 m e as mulheres 1,78 m. A vida neerlandesa seria imaginável sem a presença do chocolate. Amsterdã tem os maiores armazéns de cacau do mundo.

Os neerlandeses também gostam muito de vla (um pudim cremoso) e de poffertjes (uma espécie de pequenas panquecas com açucar refinado). Muito típico são os drops um tipo de bala salgada que tem alcaçuz como ingrediente. Junto com os escandinavos os neerlandeses são grandes consumidores de café. No que diz respeito ao chá, os neerlandeses seguem os ingleses de perto. Quando há café ou chá, raramente falta um pedaço de torta de maçã, com creme de chantilly. Não há restaurante nos Países Baixos que não ofereça essa opção no menu.

Perfil econômico dos Países Baixos

O Reino dos Países Baixos é tradicionalmente um parceiro de peso para o Brasil. Maior destino das exportações para o continente europeu, o país é igualmente destacado investidor no mercado brasileiro.

Conhecer um pouco mais deste país, é a finalidade deste perfil.

Os tópicos a seguir relatam um pouco da história, do povo, do sistema político e principalmente de aspectos de sua economia. Na sua leitura fica evidente que sobretudo graças a uma localização geográfica privilegiada, os Países Baixos desempenha um papel de relevo no mundo de hoje.

Fonte: www.mfa.n

Países Baixos

Ano de adesão à União Europeia: Membro fundador
Sistema político:
Monarquia Constitucional
Capital: Amesterdão
Superfície: 41 864 km²
População: 16,2 milhões de habitantes
Moeda: euro
Língua oficial da UE falada no país: Neerlandês

Os Países Baixos, como o seu nome indica, são um país de muito baixa altitude, com cerca de um terço do território ao nível do mar, ou abaixo do nível do mar. Muitas zonas são protegidas contra as inundações por diques e paredões e grande parte das suas terras foram conquistadas ao mar, sendo o caso mais recente o pólder da Flevolândia.

O Parlamento (ou Staten Generaal) é composto por duas Câmaras: uma com 75 membros que são eleitos indirectamente e dispõem de poderes limitados e outra, a Câmara Baixa, cujos membros são eleitos directamente e têm poder para controlar o Governo. Os membros das duas Câmaras são eleitos por um mandato de quatro anos. Atendendo ao equilíbrio entre os diversos partidos políticos, todos os governos são formados por coligações.

A actividade industrial concentra-se principalmente nos sectores da produção de alimentos, dos produtos químicos, da refinação de petróleo, dos produtos eléctricos e da maquinaria electrónica, sendo o sector agrícola também muito dinâmico. O porto de Roterdão é o porto com maior volume de tráfego da Europa, ao serviço de um vasto território que vai da Alemanha à Europa Central.


Os Países Baixos marcaram a história da pintura, em especial, no século XVII, a época dos grandes mestres holandeses como Rembrandt van Rijn, Johannes Vermeer e Jan Steen, mas os séculos XIX e XX, não são menos dignos de destaque, graças a grandes artistas como Vincent van Gogh e Piet Mondriaan.

As especialidades culinárias mais conhecidas dos Países Baixos são o arenque cru, as enguias fumadas e a sopa de ervilhas, sem esquecer os seus queijos, especialmente o Edam e o Gouda.

Fonte: europa.eu

Países Baixos


O Reino dos Países Baixos compõe-se de três territórios: os Países Baixos na Europa Ocidental, as Antilhas Neerlandesas e Aruba, no Caribe. Países Baixos na Europa Ocidental: usa-se com freqüência a denominação Holanda para se referir aos Países Baixos.

Entretanto Holanda é como se chamam as duas províncias da costa ocidental, (Holanda Setentrional e Holanda Meridional). O termo Holanda origina-se de houtland, a floresta pantanosa que se estendia ao longo do curso inferior do rio Reno.

Os Países Baixos atualmente são formados por 12 províncias. Trata-se de um país muito plano, onde aproximadamente um quarto do seu território encontra-se abaixo do nível do mar. O termo Países Baixos origina-se desta característica, por isso a designação Neerlândia (Neer significa baixo) ou Países Baixos.

Fonte: www.territoriogeografico.com.br

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