Os peixes são organismos pertencentes ao filo Chordata (animais com corda dorsal – notocorda) e subfilo Vertebrata (animais com crânio cartilagíneo ou ósseo; com vértebras ou arcos vertebrais).
Existem duas classes distintas de peixes: Osteichthyes (Fig. 1) ou peixes ósseos (e.g., sargos e robalos) e Chondrichthyes (Fig. 2) ou peixes cartilagíneos (tubarões, raias e quimeras).
Os peixes cartilagíneos, vulgarmente referidos pelos pescadores como “peixes-couro”, têm uma pele com escamas placóides e cinco a sete pares de brânquias em câmaras separadas.
Os peixes ósseos têm uma pele com escamas ganóides, ciclóides ou ctenóides e quatro pares de brânquias numa cavidade comum.

Fig.1. Anatomia externa de um peixe ósseo
Fig.2. Anatomia externa de um peixe cartilagíneo
Fonte: ipimar-iniap.ipimar.pt
A anatomia de um peixe não é uma necessidade para um aquarista mais claro que quanto mais você saiba a respeito de um animal que vocÊ deseja criar melhor este animal será criado e com certeza mais bonito ele ficará.
Esta outra ilustração e para aqueles que não conhecem as nadadeiras de um peixe com eu não conhecia.

Fonte: mondoaquatico.vilabol.uol.com.br
Anatomia do Peixe (Clique para Ampliar)
Nem todos os peixes apresentam a tradicional forma em torpedo; a forma de cada espécie reflecte o modo de vida e os hábitos alimentares de cada espécie. Se o peixe apresenta um corpo estreito e comprido é sinal que se trata de um nadador veloz, predador em liberdade e cujas barbatanas caudais grandes são em geral complementadas na outra extremidade por uma grande boca cheia de dentes.
Os peixes lateralmente espalmados como 0 Escalar (Pterophyllum sp.) habitam cursos de água pouco rápidos onde existem caniços; os peixes espalmados verticalmente vivem em geral no leito dos rios.

A posição da boca indica qual o nível de profundidade em que o peixe geralmente habita. A boca virada para cima indica que o peixe frequenta normalmente a região próxima da superfície da água; nestes peixes, a boca possui a forma ideal para apanhar os insectos que se encontram a flutuar à superfície da água. Estes peixes apresentam quase sempre uma superfície dorsal direita.
Os peixes cujas bocas estão localizadas na extremidade da cabeça, no enfiamento de uma linha imaginária que passa pelo meio do corpo, são exemplares que frequentam o nível médio de profundidade e apanham os alimentos à medida que eles vão caindo para o fundo, embora também consigam apanhar os alimentos que se encontram à superfície da água ou no fundo da água. Muitos outros peixes apresentam a boca virada para baixo; esta característica, aliada a uma superfície ventral lisa, indica que se trata de espécies que habitam no fundo da água. Mas estes peixes, cujas bocas viradas para baixo servem para raspar as algas das superfícies das rochas (e das paredes do aquário), podem não ser exclusivamente frequentadores do fundo.
Alguns peixes de fundo apresentam uma espécie de barbas à volta da boca, as quais se encontram frequentemente equipadas com papilas gustativas que permitem ao peixe localizar mais facilmente os seus alimentos.
As escamas dos peixes oferecem-Ihe não só protecção para o corpo como também Ihe conferem um maior aerodinamismo. Uma das variações à cobertura por escamas pode ser encontrada no grupo dos Peixes-Gato (Calictídeos), cujos corpos estão cobertos com duas ou três filas de cascas ósseas sobrepostas. Alguns peixes-gato, nomeadamente os Mocoquídeos e os Pimelodídeos, são <,nus» e não estão cobertos por escamas nem por cascas ósseas.
O peixe utiliza as suas barbatanas para se deslocar e manter a estabilidade e, em alguns casos, como auxiliares de postura durante o acasalamento ou no período de incubação dos ovos. As barbatanas podem apresentar-se isoladamente ou em pares. A barbatana caudal transmite a força que impele o peixe através da água, por isso é que os nadadores velozes possuem esta barbatana com uma bifurcação bastante pronunciada. O Cauda de Espada macho (Xiphophorus hellen) apresenta a parte inferior da barbatana caudal alongada.
A barbatana dorsal pode ser eréctil (como no caso dos Molinésia Velífera-Poecilia velifera, P. latipinna) e constituída normalmente por estrias duras e moles. Algumas espécies podem apresentar duas barbatanas dorsais, mas estas não devem ser confundidas com a barbatana adiposa, uma pequena barbatana (quase sempre constituída por tecido gorduroso) encontrada em certas espécies, nomeadamente no grupo dos Caracóides, entre a barbatana dorsal principal e a barbatana caudal.
A barbatana anal é outra das barbatanas que se encontram na parte inferior do corpo do peixe, um pouco antes da barbatana caudal. Muitas vezes utilizada como estabilizador, nos machos vivíparos desenvolveu-se como órgão de reprodução. Em algumas espécies de Caracóides a barbatana anal do macho possui pequenos ganchos que se destinam a manter o casal junto durante o abraço da desova.
As barbatanas ventrais, ou pélvicas, apresentam-se em número par e encontram-se à frente da barbatana anal. Em muitos dos Anabantídeos (os Gouramies) essas barbatanas são filamentosas e muitas vezes são utilizadas para explorar o local em que o peixe se encontra. O Escalar também possui barbatanas ventrais finas e compridas, as quais no entanto não são tão manobráveis nem apresentam papilas gustativas. Os peixes-gato do género Corydoras utilizam as barbatanas ventrais para transportarem os ovos para o local da desova.
Em algumas espécies as barbatanas ventrais são frequentemente unidas de modo a formarem uma bolsa de sucção que prende os peixes ao leito do rio impedindo assim que sejam arrastados pela corrente da água.
As barbatanas peitorais têm a sua origem imediatamente abaixo dos opérculos. Utilizadas sobretudo para orientação dos movimentos, também estão adaptadas para outros fins. Certos peixes imitam os peixes-voadores de água salgada deslocando-se à superfície da água com as suas barbatanas peitorais bem desenvolvidas. O Gurnard de água salgada caminha no fundo do mar apoiado em «pernas» formadas por certas espinhas modificadas das barbatanas peitorais.
Muitos peixes de aquário apresentam barbatanas muito compridas e decorativas. Os criadores conseguiram, através de programas de criação específicos, que esses peixes desenvolvessem essas barbatanas; os parentes desses animais que vivem na Natureza não apresentam barbatanas iguais.
O peixe possui os mesmos cinco sentidos que um ser humano - visão, tacto, paladar, olfacto e audição. De todos eles, os dois últimos apresentam-se bastante mais desenvolvidos do que no Homem. Muitos peixes detectam os alimentos pelo cheiro e, frequentemente, a grandes distâncias. Os orifícios nasais de um peixe não são utilizados para respirar mas apenas para cheirar. No mundo submarino não existe consenso quanto ao nível a que a audição pode chegar e quando é que começa a detecção das vibrações de baixa frequência. Isto porque os peixes estão equipados com um sexto sentido, o sistema da linha lateral. Através de orifícios existentes numa fila de escamas, o sistema nervoso do peixe permite-Ihe detectar vibrações instantâneas no meio que o rodeia. Isto alerta-o para a presença de outros peixes ou de obstáculos na sua proximidade. O Peixe-Cego (Astyanax mexicanus) adapta-se facilmente à vida no aquário, navegando exclusivamente através do seu sistema da linha lateral.
Algumas espécies de peixp6 desenvolveram auxiliares sofisticados para poderem viver em águas turvas ou em locais mal iluminados; a título de exemplo, podemos citar a capacidade de algumas dessas espécies de emitirem um pequeno campo electromagnético. O Peixe-Gato Eléctrico (Malapterurus electricus sp.), apesar de não ter escamas, não precisa de muita protecção contra os predadores porque tem a capacidade de emitir um choque eléctrico bastante forte. Pensa-se que estes peixes também utilizam essa arma para atordoar os peixes mais pequenos.
Uma das características exclusivas dos peixes é a existência de um órgão hidrostático de flutuação designado por bexiga natatória. Este órgão permite ao peixe colocar-se em qualquer nível da água, conferindo-Ihe automaticamente uma densidade neutra. Alguns peixes, como os tubarões marinhos, não possuem este órgão.
Além de ser um atractivo para os aquariofilistas, a cor desempenha uma função muito importante no mundo aquático. Permite identificar as espécies em geral e o sexo em particular.
Serve de camuflagem ao peixe na presença de predadores ou então constitui um indicador visual bastante claro de que uma determinada espécie pode ser venenosa. A cor pode representar um alvo falso para um possível atacante e dar indicação quanto à disposição do peixe, isto é, se ele está com medo ou se está zangado.
A cor é determinada por dois factores - pelo reflexo da luz e pela pigmentação. Os tons prateados e iridescentes que vemos muitas vezes no flanco de muitas espécies de água doce são provocados por camadas reflectoras de guanina. Esta substância é apenas um detrito que não é expelido pelos rins nem pelo corpo mas armazenado sob a pele. A cor que vemos depende do ângulo de incidência da luz e com o qual esta é reflectida pelos cristais de guanina. Muitos peixes, quando iluminados por uma luz que passa através do vidro da frente do aquário apresentam uma cor diferente daquela que têm quando são iluminados a partir de cima. Isto também explica a razão pela qual a areia de cor clara normalmente confere aos peixes tonalidades mais fracas.
Os peixes que apresentam cores mais carregadas possuem células de pigmentação no corpo e algumas espécies conseguem controlar a intensidade das cores que apresentam. Podemos observar este fenómeno com facilidade nos peixes que têm o hábito de repousar na areia ou nas pedras, adquirindo então a cor do local em que se encontram pousados. Existem outros peixes que «vestem» cores nocturnas. Os populares Peixes-Lápis (Nannostomus sp.) são exemplos notáveis deste fenómeno e o aquariofilista inexperiente pode ficar admirado ao descobrir que estes peixes apresentam cores diferentes todas as manhãs. Os peixes sofrem estas alterações pela contracção ou expansão das células de pigmentação (chromatophores) para intensificar ou reduzir a cor que se vê através da pele.
É muito provável que a cor do macho se intensifique durante o período de acasalamento para atrair a fêmea, e as fêmeas de algumas espécies de Ciclídeos também podem apresentar cores mais exuberantes para que as suas crias sejam capazes de as reconhecer. Podemos observar um bom exemplo disto nas espécies do género Pelvicachromis em que as fêmeas se apresentam mais coloridas do que os machos durante o período de acasalamento.
E possível intensificar as cores dos peixes dando-Ihes «alimentos intensificadores de cor». Estes alimentos contém aditivos, como o caroteno, que intensificam as cores dos peixes. O Barbo-Tigre (Barbus tetrazona) é um dos peixes que reage de forma extraordinária a este tipo de alimentos, as suas escamas adquirindo um rebordo negro que Ihe dá o aspecto de uma rede. Infelizmente, nos concursos de aquariofilia, os membros do júri detectam com facilidade estes truques e os exemplares tratados com alimentos intensificadores da cor não obtém uma boa pontuação em virtude de não apresentarem as cores naturais da sua espécie. A utilização de lâmpadas que realçam as cores dos peixes também melhoram o aspecto dos mesmos, mas os animais recuperam as suas cores naturais quando regressarem a um meio com iluminação mais natural.
Fonte: www.ncc.up.pt