O Pequinês é uma antiga raça de cão miniatura, originária da China. É um cão pequeno, bem equilibrado e valente. O seu aspecto é leonino, é independente e capaz de defender-se. O peso do pequinês varia entre os 2 e 8 kg.
Eles eram os animais de estimação favoritos da corte imperial. Estes animais também eram chamados de cães Fu (ou Fu Lin) pelos chineses, que os reverenciaram representando-os em várias obras de arte. Eram considerados espíritos guardiães, visto que se assemelham ao mítico leão chinês.

Pequinês
Nome original: Pekingese
País de origem: China
Grupo: 9
Seção: 8
Número #207 - 09/11/2004
A raça pequinesa tem mais de 2000 anos de existência e mudou pouco em todo esse tempo, sendo muito provavelmente a resultante do cruzamento de cães do tipo maltês e terriers tibetanos (que originaram o Lhasa Apso) com os pequineses já existentes nesta época. Atualmente, os criadores modernos e juízes de competições caninas parecem preferir o tipo de pêlos longos ao tipo mais tradicional, de pêlo estilo spaniel. Um poema escrito pela imperatriz Tzu Hsi descreve aqueles que seriam os aspectos essenciais da raça e nos ajudam a entender como os chineses de antanho viam este cão.
Os padrões da raça admitem praticamente todo tipo de combinação de cores. A mais comum é o sable vermelho; esta é a cor da maioria dos pequineses do Westminster Kennel Club Dog Show. Preto e bronze são populares também, mas os dourados parecem ser os preferidos para cães de exposição. O pequinês totalmente branco (exceto a face) ou totalmente preto é deveras impressionante. É fundamental que a face (nariz, lábios e contorno dos olhos) seja negra e os olhos, marrons. Supostamente, há uma variante de pêlo azul (acinzentado) na linhagem pequinesa britânica.
Os olhos do pequinês são grandes, cristalinos, de cor escura e brilhante, levemente proeminentes e redondos. As orelhas, em forma de coração, são providas com longas franjas. O pescoço é um pouco curto e grosso. O tronco é curto, mas com tórax amplo. A cauda é de inserção alta, posição rígida, levemente curva sobre o dorso, com franjas abundantes. Sua pelagem é longa e reta, com crina abundante que se estende atrás dos ombros, formando uma espécie de coleira ao redor do pescoço.
O pêlo de cobertura é basto, com franjas abundantes nas orelhas, nos membros, nas coxas, na cauda e nos pés. Todas as cores e manchas são admitidas, e apreciadas igualmente, com exceção do albino e da cor de fígado. Os exemplares multicoloridos apresentam manchas bem definidas.
O modo de andar bamboleante do pequinês não tem similar no mundo canino. Visto que os chineses os criavam originalmente para fazer companhia ao imperador, suas damas da corte e eunucos, as pernas são arqueadas para desencorajar perambulações. Todavia, eles o podem fazer e o farão, mesmo com cães maiores, quando permitido. É impressionante como as pernas arqueadas lhes permitem caminhar, correr ou trotar.
Pelo padrão inglês, os pequineses devem pesar até 5 Kg (machos) e 5,5 kg (fêmeas), e medir de 15 a 23 cm de altura nas espáduas. Em competições, o padrão americano recomenda que animais acima de 7 kg sejam desclassificados.
Estes cães podem ser teimosos e ciumentos. Não é do tipo que sempre atende quando o dono chama. Pequineses podem ser agressivos, principalmente com outros cães. Pode levar um bom tempo até que pequineses se acostumem a outros cães que não sejam filhotes, companheira(o)s e irmã(o)s. Todavia, pequineses podem ser socializados apropriadamente para conviver com outros tipos de animais e até se tornar grandes amigos destes. É fácil acreditar que os pequineses sabem que pertencem à realeza e esperam que você também perceba disso. Isto pode torná-los inadequados para o dono de cão iniciante. A personalidade do pequinês pode ser comparada a do gato doméstico, embora isso não seja muito preciso. Onde um gato pode ser treinado, um pequinês precisa ser convencido de que o treinamento é benéfico para ele tanto quanto para você. Mas se ele te amar, fará qualquer coisa por você, mesmo lutar até a morte para lhe proteger.
O pequinês geralmente é cão de um único dono. Ele decide de quem gosta mais e pode lhe surpreender. Eles até aceitam outras pessoas na sua vida, mas você deve estar pronto a lhe dar menos atenção se ele começar, por exemplo, a encarar uma criança como rival. A maioria dos pequineses saudáveis e bem treinados lidam muito bem com crianças, mas infelizmente pelo fato de estarem entre as raças consideradas "fofas e bonitinhas", muitas pessoas não os treinam adequadamente e terminam com problemas difíceis envolvendo ciúmes.
O pequinês foi introduzido no Brasil na década de 1960 e em fins da década de 1970 a grande procura estimulou a ganância comercial, o que abastardou e praticamente fez desaparecer a raça do país. Além disso, o pequinês ganhou uma injustificada má fama de animal desequilibrado, nervoso, agressivo - e fedorento. Segundo avaliação da criadora Belkiss Dugleia Andrade, do Canil Sagitarius de São Paulo, SP, "o verdadeiro pequinês ficou com a imagem incorreta".
Os principais problemas dos pequineses envolvem os olhos grandes e sensíveis e o sistema respiratório, por conta de seu crânio pequeno e cara chata, e alergias de pele. Um problema bastante comum são ulcerações nos olhos que podem se desenvolver espontaneamente. Pequineses nunca deveriam ser mantidos fora de casa, pois tem dificuldade em regular a temperatura corporal quando o tempo está demasiadamente quente ou frio. Seus dorsos longos demais se comparados às pernas, os fazem vulneráveis a lesões nas costas. Deve-se tomar cuidado ao erguê-los, para proporcionar suporte adequado para as costas: coloca-se uma mão sob o peito e outra sob o abdômen. Por causa das pernas curtas, alguns pequineses têm problemas com escadas; cães idosos podem não ser mais capazes de subir ou descer escadas sozinhos.
Manter a pelagem do pequinês saudável e apresentável exige que ela seja escovada pelo menos uma vez ao dia (embora criadores admitam que isso possa ser feito apenas três vezes por semana, a escovação diária lhe permitirá levar seu cão ao tosador apenas de 3 em 3 meses). Todavia, se o animal se sujar e a sujeira secar no pêlo, será necessário levá-lo ao tosador, posto que é difícil para um leigo fazer a limpeza sem machucar o cão.
Análises de DNA recentes indicam que os pequineses são uma das mais antigas raças de cães do mundo. Pelo menos desde a Dinastia Ming (1368-1644), sua posse estava restrita aos membros da corte imperial chinesa, sendo que o cruzamento e a criação ficavam a cargo dos eunucos. Estes, por sinal, disputavam arduamente entre si as boas graças dos governantes, tentando produzir os exemplares mais ferozes e de aparência mais leonina.
Companhias constantes do imperador, quando este seguia para o salão de audiências, muitos dos seus pequenos companheiros lideravam a procissão anunciando sua chegada com latidos agudos (uma dica para que os simples mortais virassem o rosto para o outro lado). À noite, eles carregavam lanterninhas penduradas nos pescoços.
Ao longo dos primeiros dois séculos da Dinastia Manchu (1644-1912), o pequinês e o Lhasa Apso eram mais parecidos entre si do que são hoje. Mas foi somente nos últimos 100 ou 150 anos que programas especializados de cruzamento na Cidade Proibida e no Ocidente estabeleceram uma conformidade que permitisse distingüir claramente entre ambas as raças.
Durante a Segunda Guerra do Ópio, em 1860, a Cidade Proibida foi invadida pelas tropas inglesas. O imperador Xianfeng fugiu com toda a sua corte. Todavia, uma tia idosa do imperador ficou para trás e, quando os ‘diabos estrangeiros’ entraram, ela suicidou-se. Junto do corpo, os soldados encontraram cinco pequineses que pranteavam sua morte.
Os animais foram recolhidos pelos ingleses antes que o Velho Palácio de Verão fosse queimado. Lord John Hay levou um casal, posteriormente chamados de ‘Schloff’ e ‘Hytien’ e os deu à sua mãe, a duquesa de Wellington, esposa de Henry Wellesley, 3° duque de Wellington. Sir George Fitzroy levou outro casal, e os deu para seus primos, o duque e a duquesa de Richmond e Gordon; este dois, que receberam o prefixo de Goodwood, são os fundadores da linhagem inglesa. O tenente Dunne presenteou o quinto pequinês para a rainha Vitória do Reino Unido, que o denominou Looty.
A Imperatriz Viúva Tzu Hsi presenteou com pequineses vários americanos, incluindo John Pierpont Morgan e Alice Lee Roosevelt Longworth, filha de Theodore Roosevelt.
Os primeiros pequineses na Irlanda foram introduzidos pelo Dr. Heuston. Ele fundou clínicas de vacinação contra varíola na China e o efeito foi dramático. Em reconhecimento, o ministro chinês Li Hung Chang presenteou-o com um casal de pequineses. Eles foram chamados de Chang e Lady Li. O Dr. Heuston fundou o canil Greystones.
O ápice do pequinês como queridinho dos palácios imperiais chineses ocorreu durante o reinado da Última Imperatriz (Tzu Hsi), que ascendeu ao poder em 1861. Para obter prestígio, ela se fez cercar dos diminutos "cães-leões", insistindo para que sua semelhança com o leão fosse tão próxima quanto possível. Após a morte dela em 1908, os serviçais da corte mataram a maior parte dos animais para que eles não caíssem em mãos indignas. Os poucos que escaparam desapareceram em residências particulares sem deixar vestígios; não fosse a raça estar firmemente estabelecida no Ocidente, teria muito provavelmente sido extinta nesta ocasião.
Existem duas fábulas sobre a origem dos pequineses. A primeira é a mais comum, O Leão e a Sagüi:
Um leão e uma sagüi se apaixonaram. Mas o leão era grande demais para a macaquinha. O leão foi até Buda e lhe contou sua desventura. Buda permitiu que o leão encolhesse até o tamanho da sagüi. E o pequinês foi o resultado dessa história.
A segunda fábula, menos comum, é a dos Leões-Borboleta:
Um leão apaixonou-se por uma borboleta. Mas a borboleta e o leão sabiam que a diferença de tamanho era demasiada para ser vencida. Juntos, foram até Buda, que permitiu que o tamanho de ambos se encontrasse na média. E daí veio o pequinês.
Outra lenda diz que o pequinês é o produto da união de um leão e uma macaca, recebendo sua nobreza e pelagem do primeiro e seu andar desajeitado da segunda.
Na China Imperial, o roubo de um pequinês era punido com a morte, e esperava-se que os visitantes prestassem homenagens aos favoritos dos imperadores, pois os pequineses eram considerados pessoas e muitas vezes recebiam até títulos honoríficos ("Vice-Rei", "Guarda Imperial" etc).
Cães totalmente brancos - em parte pela sua raridade e em parte pelo fato de que branco é a cor de luto na China - eram grandemente apreciados e sujeitos a muita superstição. Quando surgia algum, acreditava-se que era o espírito de um grande homem, e como tal, o animal era mantido no templo e tratado com profundo respeito.
Visto acreditar-se que o pequinês havia sido originado do Buda, ele
era um cão de templo. Como tal, não era um mero brinquedo. Ele
havia sido feito pequeno assim para que pudesse perseguir e destruir os pequenos
demônios que podiam infestar o palácio ou templo, mas seu coração
era tão grande que ele poderia destruir mesmo o maior e mais feroz.
Um livro foi escrito com esta premissa, embora a autora (Barbara Hambly) negue
ter conhecimento das lendas: Bride of the Rat God ("A Noiva do Deus Rato").
Apenas dois cães sobreviveram ao naufrágio do RMS Titanic; um
deles era um pequinês!
Fonte: pt.wikipedia.org

Pequinês
Uma história de lealdade e coragem é narrada por autores que se aventuram a narrar um pouco da vida destes pequenos seres.
Contam que em 1860 o Palácio Imperial de Pequim na Cidade Proibida na China, foi invadido e saqueado por tropas franco-inglesas numa ação coordenada pela França e Inglaterra na destituição do poder daquela Dinastia.
Durante a invasão, soldados teriam encontrado centenas de pequenos animais mortos, e estes, mais tarde reconhecidos como ancestrais dos pequineses atuais por historiadores. Surge a idéia de que os chineses preferiam ver seus cães, tidos como sagrados, mortos a vê-los em mãos ocidentais, sobretudo naquelas que invadiam o Palácio de Verão.
Encontrariam, ainda durante a invasão, cinco exemplares vivos devidamente posicionados ao redor, como que a guardar o corpo, da princesa que se suicidara. Em outra literatura, o corpo encontrado seria aquele da tia do Imperador Chinês.
Não nos cabe contestar a história mas o certo é que desta invasão foram levados cinco exemplares do "pequeno cão leão" de volta para a Inglaterra. Eles teriam saído do Palácio como presas de guerra, pelas mãos do Lorde John Hay, Tenente Dunne e do Sir George Fitzroy.
Já na Europa ocidental eles seriam distribuídos e direcionados como descrevemos abaixo sob pretexto de ilustrar a história:
O Lorde John Hay ficou com o macho fulvo para si que chamou de Schlorff e este teria vivido até aos dezoito anos de idade. O Lorde presenteou ainda sua irmã, Duquesa de Wellington com uma fêmea, que recebeu o nome de Hytien.
O tenente Dunne presenteou a Rainha Victória com uma fêmea parti-color, castanho e branco, que recebeu o nome de Looty. O súbito aparecimento desta raça exótica, e o apreço da rainha pela sua fêmea, aliado a sanções comerciais impostas a China, teriam propiciado novas importações, muitas não documentadas, que fariam o número de exemplares aumentar rapidamente no oeste europeu.
As duas últimas fêmeas foram dadas para a Duquesa de Richmond e Gordon que chamou uma delas de Guh e a outra de Meh .
Estas últimas teriam contribuído para estabelecer a raça na Grã-Bretanha dando origem a linha de sangue Goodwood que foi a primeira designação dada a uma criação de pequineses. A reprodução destes durou até o início do século com a contribuição e dedicação de Lady Algernon Gordon Lennox, cunhada da Duquesa.
Outras importações foram realizadas pelo comandante da marinha mercante, Capitão Loftus Allen, que levou para a Inglaterra, um macho para sua esposa em 1893, que chamou de Pekin Peter. Em 1896 retornou com um casal preto, Pekin Prince e Pekin Princess (3,6 kg e 2,7 kg respectivamente). Os animais levados da China naquela época, tinham cerca de 8 polegadas, em média, de altura.
A criação criteriosa européia obteve exemplares de rara beleza e, ao mesmo tempo, decaía a qualidade dos exemplares na China sendo necessário re-importar reprodutores da Europa e Austrália.
Em 1902 foi criado o Clube do Pequinês e em 1919 foi feito o primeiro registro da raça pelo Kennel Clube da Inglaterra.
Em 1909 foi criado o Clube do Pequinês da América, nos EUA, e em 1911, organizado a primeira exposição especializada com 95 exemplares inscritos.

Pequinês
O fato é que este cão excepcional quando analisamos seu temperamento e sua estrutura, vivia recluso na Cidade Proibida e era o grande favorito da família Imperial de Pequim, geralmente andavam na companhia do imperador ou da imperatriz. Por serem considerados sagrados eram proibidos aos plebeus e rouba-los significava punição rigorosa, inclusive com pena de morte.
O aspecto do Pequinês variou pouco ao longo do tempo. A diferença se fundamenta sobretudo na pelagem menos abundante e membros menos arqueados.
Há relatos da existência de pequenos cães de luxo, provavelmente ancestrais deste cão, já em 620 DC e que nos dá indícios do desenvolvimento da raça.
Devido ao comércio existente na época, há quem acredite que os ancestrais da raça saíram do Egito rumo ao Tibet pelas mãos mercantes e deste, para a China, já que na época estes países mantinham relações comerciais.
Acredita-se que esta raça tinha mais de 2000 anos de idade quando foi encontrada na China. É evidente que os achados que sustentam esta informação, referem à existência de cães que podem ter originado a raça, e o processo de procriação, reservado às antigas Dinastias Chinesas, levou-o ao aspecto dos cães encontrados naquele ano de 1860.
Depois, com sucessivas seleções de exemplares, aliado ao padrão para a raça estabelecido, chegou-se ao que hoje chamamos de exemplar típico da raça.

Pequinês
No Brasil, à partir da década de cinqüenta, a raça receberia um impulso advindo da importação de exemplares importados para a melhora do plantel nacional, as décadas de 60 e 70 marcam uma verdadeira "febre" pela raça. Muitos lares tinham seu exemplar, típico ou não, mas que dava idéia da dimensão da popularidade da raça no país. Com a criação do Clube Paulista do Pequinês, dirigido pela Sra Yvonne Malanconi Mossi, alguns criadores, entre eles, Dna Belkis, nossa entrevistada, procuravam criar critérios de distinção e divulgação do padrão correto da raça.
Precisamos lembrar, entretanto, que naquela época a televisão, revistas especializadas, e outros veículos de informação não tinham a abrangência que têm hoje.
O que se seguiu foi uma seqüência de acasalamentos que resultaram em descendentes fora daquelas características marcantes e desejadas. A ausência de importações, a formação de criadouros meramente comerciais e a mestiçagem da raça, causaram uma sensível redução no número de cães em exposição e a descaracterização da raça.
Como mesmo modo que cresceu o número de animais, supostamente pequineses, decresceu a partir da década de 70. Outras pequenas raças, naquela época denominadas cães de luxo, foram introduzidas no país, e isto teria contribuído para o escasso número de exemplares que se viu posteriormente.
A cultura dos acasalamentos sem critérios, sem noções de qualidade, terminou por gerar animais mestiços, congênitos e degenerados quando analisamos sob a ótica do rigor técnico. As famílias de cães usadas na procriação, ainda que legítimos, não eram precursoras dos caracteres físicos e genéticos desejados.
Não queremos discorrer sobre erros do passado, apenas cita-los como
forma de experiência para o futuro.
A década de 90 marca um novo recomeço para a raça no
Brasil com a entrada, em solo nacional, de excelentes animais importados.
Falaremos um pouco sobre este período no objetivo do site.
Esperamos ter contribuído para mostrar um pouco da história
deste belo e de bom espírito cão, que denominamos pequinês.
Uma antiga lenda chinesa faz da origem do Pequinês um conto romântico. A lenda conta que há muitos séculos atrás, um leão encontrou-se com uma pequena macaca, apaixonou-se e com ela quis se casar;
Para isso era necessário apresentar-se diante do deus Hai-ho.
Este disse ao leão:
"Se estás disposto a sacrificar a tua estatura e a tua força por amor a esta macaca, consinto que te cases com ela".
O leão aceitou de boa vontade e o fruto desta união, foi o cão pequinês, que conservou a coragem, o porte orgulhoso e expressão nobre do rei das selvas, unido à graça e ternura no tamanho diminuto de uma macaquinha.
Esta é uma lenda, logo não científica, originária da china, que serve para ilustrar um pouco mais os mistérios que acompanham este cãozinho tão especial.
Não é verdade. Uma das características deste pequeno cãozinho é justamente a docilidade. Numa criação selecionada e criteriosa estes exemplares agressivos não existem pois o temperamento é fator importante na decisão da escolha dos reprodutores.
A valentia desta raça pode ser confundida com agressividade devido
à fama difundida nos últimos anos, sobretudo no Brasil. Na verdade
o pequinês é uma raça corajosa que freqüentemente
se esquece de seu tamanho em relação a cães estranhos
e às vezes, de grande porte. Gostam de vigiar o espaço que eles
entendem como seu território. Com humanos são meigos e dóceis,
porém são reservados com estranhos.
Os cruzamentos inadequados na década de 60 e 70 podem ter gerado exemplares
mais agressivos, principalmente quando houve mistura de raças, mas
em regra geral o que chamamos de exemplar legítimo da raça não
deve ter este comportamento.
Os olhos de cães desta raça, assim como os de outra raça qualquer, não tem vontade própria. Logo, podemos dizer que não "saltam" para fora da cabeça.
Uma das características da raça é ter olhos grandes, escuros e arredondados que devem estar perfeitamente alojados na órbita craniana. Podem ser discretamente proeminentes mas não é desejável animais exoftálmicos, ou seja, exibir saliência exagerada do globo ocular.
De qualquer forma é necessário que o dono esteja sempre atento aos cuidados típicos para a raça. Levando-se em conta que eles não tem focinho e são valentes ao extremo com outros cães; uma briga pode ocasionar algum trauma nos olhos e isto não é o que desejamos.
Mantendo os olhos limpos, evitando confrontos, retirando obstáculos
perigosos e eliminando o péssimo hábito de suspender o cão
pela pele do pescoço não há o que temer em relação
a este problema.
Estes cuidados podem ser aplicados a cães de outras raças também.
Esta raça faz muda de pêlo em períodos que variam de uma a duas vezes por ano.
Na verdade notamos uma troca de sub-pêlo em períodos variáveis que podem ser aquele que antecede o cio das fêmeas e a primavera nos machos. Citamos estes períodos com base em exemplares de nossa criação e notamos que quanto maior o volume de subpêlo maior a quantidade perdida na troca.
Questões climáticas podem também reduzir, acelerar ou aumentar a perda do pêlo. A queda de pêlo é natural em cães (até em humanos) mas o comprimento dos fios (longo ou curto) em outras raças pode sugerir que esta característica é exclusiva do pequinês. Não é verdade.
No pequinês a troca se faz a partir da queda por um curto período (em regra) que pode variar de 2 a 4 semanas em média. Uma rotina de escovação neste prazo e um banho ao final ajudam na remoção de pêlos mortos.
Esta característica é deixada em segundo plano quando levamos em conta que o pequinês é um cão tranqüilo, leal, companheiro e não late por qualquer motivo. Não tenha dúvida de que a sua dedicação vai ser recompensada por estes pequenos guardiões e em pouco tempo a mudança de pêlo não terá qualquer importância para você.
Outra inverdade sobre a raça.
Os machos são propensos ao acasalamento natural mas a impaciência dos proprietários ou até a necessidade de preservar a pelagem nos cães espetaculares (exposição) podem interferir no cruzamento dos animais. Relatos de outros criadores de nosso convívio confirmam nossa tese.
Embalamos literalmente a pelagem posterior de machos e fêmeas para impedir acidentes com os longos fios de pêlos durante a cobertura. Também removemos a pelagem da região genital dos exemplares e algumas fêmeas têm a região posterior aparada liberando a vulva para o coito. Mantemos o casal em ambiente limpo e tranqüilo e acompanhamos do preparo ao acasalamento. Macho pequeno em relação à fêmea pode requerer a ajuda do proprietário. Algumas outras variáveis poderiam ser aqui lembradas mas não é o propósito do site.
O médico veterinário pode auxiliar na tomada de decisão pela inseminação artificial mas sugerimos que os proprietários deixem seus cães acasalarem naturalmente. É melhor deixar este procedimento para situações onde a interferência externa seja necessária como é o caso de criações onde há um macho para muitas fêmeas. Novamente concluímos que os cuidados para o pequinês são iguais aos de outras raças com exceção da atenção com a pelagem e o cuidado para não desgastar o macho em tentativas seguidas e infrutíferas de acasalamento.
Não é verdade. Em nossa rotina de criação não tivemos casos de cesárea mas se tivéssemos não poderia ser considerado como típico da raça. Voltemos a lembrar que o parto natural é típico do pequinês. A impaciência pode precipitar a decisão pela cirurgia mas em nossa criação somos instruídos a acompanhar o parto pacientemente e só intervir através de procedimentos do médico veterinário. Como dissemos, ainda não necessitamos desta ajuda mas não deixaremos de usar este recurso se isto for necessário.
Também não injetamos qualquer medicamento de apoio ou procedimentos que forcem a aceleração do tempo do trabalho de parto. Pensamos na criação associada à qualidade de vida dos nossos pequineses.
Outro ponto a ser lembrado é com relação ao tamanho da cabeça dos filhotes. Por serem grandes sugerem que ficarão impedidas de atravessar o espaço vaginal que se abre no momento das contrações. Pensamos que se a fêmea não é capaz de ter naturalmente seus filhotes devido a este fator, o uso destes reprodutores deve ser avaliado por um especialista. Em tese o tamanho e a consistência óssea do crânio dos recém nascidos deveria ser tal que permitisse a passagem pelo canal vaginal.
Quando macho e fêmea têm mais ou menos o mesmo porte a incidência de complicações no parto fica reduzida. A inclusão de regras rígidas neste tópico pode gerar interpretações erradas mas, salvo exceções, os partos são naturais.
Outros acontecimentos sugerem anomalias ou má formação por herança genética ou outros fatores. Uma discussão mais aprofundada requer a participação efetiva de um médico veterinário. Todas estas ponderações podem ser usadas para outras raças.
Para nós estas considerações são suficientes para responder a pergunta formulada.
De maneira geral não, mas depende de que pequinês você está falando.
Comparamos algumas características:
· Os dois (antigo e novo) têm ruga sobre o nariz (trufa).
· Os dois quando vistos de frente lembram um leão com uma face reta.
· As faces de ambos lembram a forma de um quadrado ou um envelope (retangular).
· As franjas eram longas nos dois grupos.
· Os olhos antigos são iguais aos do novo pequinês.
· A boca, o nariz e os olhos são o mais escuros e brilhantes possíveis.
· Os membros anteriores são arqueados nos dois grupos.
· Tanto o novo quanto o antigo tem um andado característico.
· Vista de lado a face de ambos têm uma linha reta imaginária entre a testa e o queixo.
De maneira geral não existem diferenças estruturais tão acentuadas como as que foram sugeridas quando recebemos esta pergunta. Ainda que o cruzamento entre parentes gere animais consangüíneos ou a escolha dos reprodutores seja inadequada, esperamos encontrar todas estas características com algumas nuances diferentes. Talvez um pouco menos de pêlo, franjas mais curtas, menor volume de subpêlo principalmente nas fêmeas.
Não existem as classificações abaixo para o pequinês:
Pêlo longo e pêlo curto
·· Esperamos que todos tenham pêlo longo
Sem focinho e focinho curto
·· Todos devem ter o nariz na linha da face, suporta-se um pouco da trufa aparente (que é uma falta) mas sem focinho.
Pequinês Argentino
·· Não são diferentes de nossos pequineses, aliás, alguns excelentes exemplares do Brasil foram trazidos da Argentina.
Finalmente queremos salientar que o conjunto de características aliado a uma análise do pedigree contribui muito para uma escolha acertada do seu exemplar de pequinês.
Cães sem pêlo, focinho aparente, andar duro e sem o "rebolado" da raça, orelhas pequenas e altas, pernas retas e paralelas são indícios de reprodutores inadequados para criação. No entanto a opção é daquele que busca o filhote e a nós cabe somente esclarecer a questão. O exemplar consangüíneo ou mestiço não deve ser menosprezado enquanto um animal de estimação mas não há garantias de que venham a produzir os exemplares que você busca.
Sugerimos que não usem estes pequineses chamados "inadequados" para formação de um plantel de reprodutores mas não menospreze estes pequenos seres alheios a tudo o que discutimos aqui.
Esteja sempre atento a supostos criadores que estão nitidamente explorando o cão como "nicho de mercado" e não demonstram respeito à raça e ao animal. Sugerimos isto para todas as raças de todas as espécies.
Não é verdade, mas esta pergunta exige algumas ponderações deste criador. Por seguidas vezes fomos consultados sobre esta questão. Simplificamos a resposta dizendo que aqueles que formavam o plantel antigo foram minguando mas novos exemplares importados estão dando novo fôlego à criação da raça no Brasil.
Neste espaço quero tratar com mais profundidade sobre este assunto.
O pequinês é nativo de terras brasileiras? Faz parte da fauna brasileira?
A resposta é não, ele seria originário da China e seu padrão foi sendo modificado pelos objetivos estabelecidos na criação da raça principalmente nos países ocidentais.
Concluímos então que o pequinês não está em risco iminente de extinção já que podemos importar novos exemplares e resgatar o plantel nacional.
Quero aproveitar e promover um debate que esta questão sugere neste momento.
Não deveríamos nos preocupar com a arara-azul; o mico-leão-dourado; o cachorro-do-mato-vinagre; o peixe-boi; as baleias; a exploração predatória de nossas matas, fauna e flora; o contrabando de animais silvestres; o desrespeito ao princípio fundamental do direito a vida dos animais e o sofrimento dos animais usados em laboratórios? E isto para ficar só em algumas questões sem levar em conta o que está ou não em extinção.
Insistir na tese da extinção do pequinês e, às vezes, subsidiar esta afirmação com comentários de criadores que foram pegos de sobressalto, e não puderam analisar com tempo e profundidade a questão é criar um fato onde não existe. Ao risco da extinção os criadores responderão com um programa de acasalamento para recuperar a raça. Mas insisto, esta não é uma questão relevante neste momento.
Imperativo no momento é a criação responsável da raça pequinês e de todas as raças de cães, gatos e outros animais. Também a posse respeitosa pela vida que a nós é dado o direito da convivência, sem dar tanta importância pela origem genealógica do animal.
O momento é de reflexão sobre o destino dos nossos exemplares, como serão tratados, criados e acasalados. Qual o futuro dos descendentes que nasceram por nossa intervenção?
Lá na frente, daqui a alguns anos, eles não estarão com frio, fome, sede e com medo; caminhando sozinhos, abandonados por alguma rua, viela ou praça de alguma cidade de nosso país? Talvez você nunca veja nem saiba o que de fato aconteceu, mais isto serve de consolo a alguém?
Se nada disto te interessa e o amanhã é um tempo que não existe em suas preocupações com os animais, talvez você deva ponderar profundamente sobre a decisão de adquirir um deles para sua companhia.
Mas se você leu até aqui é porquê de alguma maneira este texto toca seus sentimentos mais profundos de amor e respeito à vida, e este modesto criador se arrisca a dizer que você está pronto(a) para esta responsabilidade.
Fonte: www.pequines.com.br