Um profissional que une conhecimento das duas áreas. Esse é o biomédico, cuja carreira surgiu na década dos 60 para formar professores para os cursos de Ciências Biológicas e de medicina. Como esse campo logo se saturou, os biomédicos passaram a se dedicar à pesquisa em universidades, em institutos como o Adolfo Lutz ou em laboratórios de indústrias como a farmacêutica.
“Para bons pesquisadores sempre há mercado de trabalho”, diz o professor Roberto Frussa Filho, coordenador da comissão curricular do curso de Ciências Biomédicas da Unifesp. Longe, no entanto, de haver emprego para todos. “Há excesso de biomédicos com formação inadequada e também de habilitados em análises clínicas”, acrescenta. O curso da antiga Escola Paulista de Medicina encabeça a pequena lista dos que se mantêm voltados para a formação de cientistas – o profissional preparado para desenvolvimento de vacinas (imunologia), que também passa pela descoberta de novas drogas e pela avaliação da sua toxidade (farmacologia) e chega até a manipulação de produtos derivados de plantas, animais e microrganismos para serem utilizados na indústria (biotecnologia). A maioria dos cursos, no entanto, prepara o estudante para a área de análises clínicas e mesmo a Unifesp estuda a possibilidade de oferecer essa habilitação a partir de 2001 sem, no entanto, perder a ênfase em pesquisa.
Os laboratórios de análises clínicas foram, por muito tempo, os maiores empregadores. Neles se concentra cerca de um terço dos profissionais formados em Ciências Biomédicas. Mas os biomédicos disputam essa faixa de mercado com os farmacêuticos e até com os técnicos de nível médio, profissionais mais baratos para os laboratórios. Nessa função, os biomédicos realizam testes rotineiros de exame de sangue, de fezes, podendo desenvolver novas metodologias. O sonho de montar seu próprio laboratório pode esbarrar nos altos investimentos necessários, apesar de muitas cidades médias do interior do Estado de São Paulo, por exemplo, precisarem desses serviços.
Um dos campos mais promissores é o da indústria farmacêutica. O biomédico poderá atuar na criação de novas linhas de pesquisa, acompanhando a fabricação de remédios e vacinas. Muitos acabam enveredando pela área de marketing para delinear estratégias de vendas de remédios para a clientela formada por médicos. Outro campo em ebulição é a biologia molecular e a genética. Aqueles que continuam os estudos fazendo mestrado e doutorado têm possibilidades de emprego também no exterior.
Fazem parte da formação do biomédico as áreas de biofísica, biologia molecular, bioquímica, farmacologia e parasitologia. A formação difere de faculdade para faculdade e cabe um alerta: pesquise antes qual o enfoque dado ao curso que você quer prestar – pesquisa ou análises clínicas. Na Unifesp, por exemplo, os três primeiros anos são dedicados a matérias como anatomia, citologia, fisiologia e microbiologia. “No quarto e último ano, o aluno se dedica totalmente à produção de uma monografia inédita com a supervisão de um orientador”, explica Frussa. Quer dizer, ele se torna bacharel só depois que apresentar um trabalho científico. Se aprovada, a habilitação em análises clínicas da Unifesp será oferecida no terceiro ano. De qualquer maneira, complementar as habilitações é possível depois do término do curso. Quem sai de universidades que dão ênfase à pesquisa se torna habilitado em análises clínicas depois de um curso de seis meses de duração, em média. Se for ao contrário – alguém interessado em ser cientista –, o mestrado pode ser o caminho indicado para começar no ofício. O salário inicial da carreira gira em torno de R$ 1 mil.
Duração do curso: quatro anos
O biomédico estuda, identifica e classifica os microrganismos causadores de enfermidades e procura medicamentos e vacinas para combatê-los. Realiza exames e interpreta os resultados de análises clínicas e bromatológicas (de alimentos) para diagnosticar doenças e verificar contaminações alimentícias. Esse profissional passa boa parte do tempo em laboratórios de hospitais, indústrias farmacêuticas ou órgãos públicos de saúde, fazendo pesquisas e testes. Trabalha em parceria com químicos, bioquímicos, biólogos, médicos e farmacêuticos na busca da cura ou da erradicação de doenças. O biomédico é um profissional cada vez mais valorizado no mercado de trabalho, graças ao desenvolvimento das pesquisas genéticas e da biotecnologia. Para exercer a profissão é obrigatório o registro no Conselho Regional de Biomedicina (CRBM).
Boa memória, facilidade de concentração, atenção, exatidão, meticulosidade, paciência, iniciativa, atualização, capacidade de análise.
Fonte: www1.uol.com.br