Herbert de Souza, o Betinho, foi um exemplo de sociólogo que não se limitou à teoria. Ele ficou conhecido por sua atividade política na década de 60, o que lhe valeu anos de exílio, e pela organização de campanhas nacionais contra a fome. Até morrer, em 1997, atuou no Instituto Brasileiro de Análise Social e Econômica (Ibase), tendo deixado trabalhos sociais que continuam envolvendo centenas de brasileiros.
Na regra, porém, a pesquisa científica é a base do trabalho do cientista social, que atua em três linhas de frente: na Sociologia, na Antropologia e na Ciência Política. Tais áreas são independentes, porém interligadas, na medida em que compartilham o estudo de vários tipos de sociedades e de culturas em diversas épocas da história da humanidade. O sociólogo se aprofunda nas condições sociais, econômicas, políticas, culturais e religiosas, procurando conhecer as relações que se estabelecem entre grupos e instituições. Suas teorias ajudam a compreender melhor a sociedade em que vivemos e fornecem elementos para a ação prática, que pode levar a mudanças sociais e ao engajamento em movimentos políticos.
O antropólogo trata das relações sociais entre grupos humanos, estudando suas origens e a forma de organização nas sociedades em que vivem. Muitas vezes, esse profissional dedica-se à produção acadêmica. É o caso de um dos nossos mais conhecidos antropólogos, Darcy Ribeiro. Além de ter se engajado em política partidária, ele trabalhou no Serviço de Proteção ao Índio e se dedicou a pesquisas de campo, passando longas temporadas em aldeias indígenas. Essas experiências lhe forneceram subsídios para estudos que renderam muitos livros sobre antropologia, indigenismo e Educação. Outros antropólogos dedicados ao estudo de povos indígenas conseguiram estabelecer as diferenças culturais entre eles apenas analisando a produção artesanal - máscaras, instrumentos musicais, arte plumária, redes e esteiras.
O cientista político acompanha de perto movimentos populares e associações de classe, voltando-se também para questões do poder no âmbito da sociedade. Sob essa ótica, estuda instituições - o Poder Legislativo, por exemplo -, observa o comportamento político de partidos e atua junto à opinião pública, organizando movimentos na defesa de idéias. O cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, membro do Núcleo de Estudos da Violência, ilustra bem essa atuação: ele promove debates sobre direitos humanos e estuda os obstáculos que impedem a implementação do estado de direito no Brasil.
Tratam-se, portanto, de três carreiras independentes, com um núcleo comum de disciplinas na parte básica do curso. A formação brasileira em Ciências Sociais é boa, segundo Maria da Glória Bonelli, do Departamento de Ciências Sociais do Centro de Educação e Ciências Humanas, na Universidade Federal de São Carlos, São Paulo. "Apesar de ter havido uma proliferação de cursos de baixa qualidade, problema que o governo agora tenta fiscalizar com mais empenho. A formação brasileira é até melhor do que a americana porque aqui os alunos saem da graduação com uma profissão, enquanto nos Estados Unidos isso só acontece efetivamente com a conclusão da pós-graduação", conta Maria da Glória.
O Serviço de Estatística do MEC contabiliza, hoje, 36 mil cientistas sociais no Brasil, nem todos no mercado de trabalho. "Muitos buscam apenas o diploma e sequer procuram emprego na área", acredita Maria da Glória, para quem os regimes democráticos representam terreno fértil para esses profissionais porque favorecem as discussões de questões da política, da cidadania, da desigualdade social, da violência, das organizações populares e sociais. Ela explica, ainda, que o mercado de trabalho se expande em torno do conhecimento acumulado sobre o conflito social, (como lidar com o conflito trabalhista nas indústrias, o conflito dos professores e servidores com o governo), sobre as relações entre os grupos sociais e as relações dentro de cada um deles (juventude e violência, violência nas escolas ) etc. Hoje há uma expansão de temas como o meio-ambiente, a mídia, o comportamento eleitoral, a violência, a cidadania, as ONGs.
O campo de trabalho é diversificado. O cientista social pode dar aulas nos cursos superiores ou da ensino Médio; trabalhar com pesquisa de mercado, mídia e opinião; prestar assessoria a órgãos governamentais em pesquisas sociais, planejamento urbano, meio-ambiente, violência, desigualdade social, política científica etc.; prestar assessoria voltada para a intervenção social (sindicatos, trabalhadores rurais, ONG's); assessoria a partidos, a políticos e a empresas, principalmente na parte de desenvolvimento social, relações de trabalho e mediação de conflitos. Existe competição com outras profissões. A formação mais ampla das Ciências Sociais é um fator positivo, mas se não for acoplada ao conhecimento de metodologias e técnicas específicas, esse profissional pode perder um posto de trabalho para um estatístico ou outro especialista que não tem visão geral mas domina a técnica.
Duração média do curso: quatro anos
O cientista social estuda os fenômenos sociais, como as migrações ou as eleições, suas origens e conseqüências. Pesquisa e analisa costumes e hábitos de sociedades, verifica as relações entre os indivíduos, famílias e outros grupos e as reações a fatos, momentos, produtos e comportamentos. Para isso, analisa e interpreta pesquisas de opinião. Também pode ajudar no planejamento e na assessoria de organizações que atuam nas áreas de saúde, educação, habitação, ambiente e recursos humanos, por exemplo, e dar aulas no ensino fundamental, médio e superior.
Facilidade para lidar com números e estatísticas, capacidade de associar idéias e de interpretar dados de uma pesquisa, objetividade, atenção para detalhes, organização, espírito investigativo, habilidade de lidar com o público.
Fonte: www1.uol.com.br