O setor de telecomunicações está em pleno desenvolvimento não apenas no Brasil, mas no mundo todo. O planeta está plugado na internet ou em outros sistemas como TV a cabo, graças aos avanços tecnológicos via ondas de rádio e satélite (no ar) ou fibras ópticas (na terra). Essa evolução das comunicações levou ao surgimento de uma profissão relativamente nova no Brasil – a de engenharia de telecomunicações, criada há cerca de cinco anos. Algumas faculdades que atenderam à demanda do mercado abriram outros dois cursos, ainda mais específicos: engenharia de redes de comunicação e engenharia elétrica com ênfase em telecomunicações.
O mercado é promissor e tudo indica que vai continuar assim por algum tempo. Primeiro porque o setor de telecomunicações brasileiro não recebia investimentos há muito tempo. A privatização das companhias telefônicas trouxe à tona as falhas do sistema anterior e, conseqüentemente, a necessidade de melhorá-lo. Segundo porque há empresas com tecnologia de ponta e dinheiro para investir. O crescimento do número de profissionais trabalhando na área de telecomunicações no Brasil pode dar idéia de como anda o mercado. Na década dos 70, calcula-se que havia cerca de 120 mil, número que caiu em 30% na década seguinte. Em 2000, esse contingente voltou a crescer e hoje estima-se que chegue a 140 mil profissionais. “Antigamente, as estatais não contratavam, não existia demanda”, explica Herbert Rodrigues do Nascimento Costa, coordenador do curso de Engenharia de Telecomunicações da Universidade São Marcos. “Hoje, faltam profissionais preparados”, completa. Segundo especialistas do setor, serão criados 100 mil novos empregos nos próximos quatro anos, para tarefas que vão desde a instalação de cabos até a administração dos serviços.
A Engenharia de Telecomunicações é uma ramificação da eletrônica, aplicada na transmissão de informações a distância. É imprescindível que o profissional da área conheça os princípios, as práticas e as técnicas computacionais das telecomunicações. Ele também deve dominar as técnicas e os processos de representação, transmissão e recepção da informação no formato analógico e digital. Esse engenheiro estuda, pesquisa, aprimora ou cria sistemas de telecomunicações. No seu dia-a-dia, lida com planejamento, projeto, implantação, transmissão, recepção, gerenciamento e codificação de sinais digitais de dados, som ou imagem. O que inclui telefones (móvel e fixo), pagers, internet, TV a cabo e satélites.
O engenheiro de telecomunicações pode trabalhar em empresas concessionárias dos serviços de telecomunicações, em rádio e TV, em companhias que usam sistemas de teleprocessamento e transmissão de dados e também em fabricantes de equipamentos. Em geral, ele trabalha ao lado do engenheiro elétrico. Dar aulas em universidades ou cursos técnicos é outro campo promissor, considerando-se a escassez de profissionais no mercado como um todo.
O curso tem disciplinas comuns a qualquer engenharia: matemática, física, química, computação. Mas estuda-se ainda engenharia mecânica e muita engenharia elétrica, além de matérias específicas de telecomunicações como processamento digital de sinais e comunicações ópticas. Aliás, estudar sempre é questão de sobrevivência para esse profissional, pois os avanços tecnológicos não param de acontecer. Os salários iniciais estão em torno de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil.
Duração média do curso: cinco anos
O tecnólogo em Telecomunicações desenvolve projetos e implanta sistemas de transmissão de sinais digitais e analógicos por meio de satélites, cabos metálicos, fibras ópticas e microondas. Ele aprimora o padrão de qualidade dos sinais e controla os equipamentos de difusão de emissoras AM e FM, TVs por assinatura e serviços de comunicação via rádio. Também atua nas redes de telefonia fixa e móvel, gerenciando sua operação, estudando a viabilidade de sistemas e acompanhando o cabeamento e a conexão de telefones, o teleprocessamento e a comunicação de dados à distância, planejando a utilização de redes LAM, VAM, internet e intranet. Pode, ainda, analisar projetos de telecomunicações, dar suporte e operar sistemas que envolvem fibras ópticas, antenas e satélites. É preciso obter o registro no Crea para trabalhar.
Fonte: www1.uol.com.br