Parece impossível, embora três quartos da superfície da Terra sejam recobertos por água, o mundo está prestes a enfrentar uma crise de abastecimento. O problema já é concreto na Índia, na China, no norte da África e no Oriente Médio. Uma projeção científica indica que, no ano 2025, dois em cada três habitantes do planeta vão ser afetados de alguma forma pela escassez.
Felizmente, o Brasil é privilegiado em recursos hídricos. Calcula-se que o nosso território detenha 20% de toda a água doce superficial do planeta. Só que cerca de 80% desse potencial está na Amazônia e as maiores concentrações urbanas ficam distantes dos grandes rios como o São Francisco, o Paraná e o Amazonas. Dispor de grandes reservas hídricas, portanto, não garante o abastecimento de água. Tanto que já se fala em cobrar pelo uso da água, como forma de combater o desperdício – a conta que todo cidadão recebe se refere apenas ao serviço de tratamento e distribuição da água.
Planejar ações para preservar nossas reservas e orientar a utilização das bacias hidrográficas de maneira racional são as principais tarefas do engenheiro hídrico. Atuando ao lado de outros profissionais da área ambiental, ele deve estudar maneiras de conciliar o desenvolvimento econômico e social com a proteção das reservas hídricas. E também deve ser responsável pela gestão dos recursos hídricos e das obras hidráulicas, como canais, portos e barragens.
A Efei, Escola Federal de Engenharia de Itajubá, em Minas Gerais, é a única instituição brasileira que mantém um curso de graduação na área de Engenharia Hídrica – cuja primeira turma vai se formar em 2003. “Os alunos contam com recursos inéditos em termos de ensino, como uma central hidrelétrica no Rio Lourenço Velho, operada pela própria escola”, conta Geraldo Lúcio Tiago Filho, coordenador do curso.
Como o setor é carente de especialistas, o mercado de trabalho é ocupado por profissionais de outras áreas que fazem cursos de pós-graduação em recursos hídricos. Sua ação, no entanto, é limitada, pois eles não têm conhecimentos nas áreas de planejamento e gestão. Os grandes empregadores, segundo Tiago Filho, serão as empresas cujas atividades estão relacionadas com o uso das águas, como irrigação e drenagem, construção de hidrelétricas e estações de tratamento de esgoto, companhias energéticas e concessionárias de energia elétrica, centrais hidrelétricas e companhias de transporte fluvial. Com a promulgação da lei que estabelece uma política nacional para os recursos hídricos, abrem-se frentes de trabalho em comitês de administração de bacias hidrográficas. O profissional poderá atuar no estudo e no planejamento de energia elétrica voltado para as questões dos recursos hídricos e na elaboração de projetos de bombeamento de água dos rios para a atividade agrícola.
Outro campo é o trabalho de orientação das empresas sobre o esgoto industrial, que contamina a água com resíduos tóxicos. Junto aos agricultores, o papel do engenheiro hídrico é desenvolver projetos que acabem com o desperdício de água e com a poluição dos rios por fertilizantes e agrotóxicos. Também são promissores o planejamento e a gestão dos recursos hídricos, a prospecção e a exploração de águas subterrâneas e a operação de reservatórios.
O salário inicial, ainda não estabelecido por lei, é incerto. Mas, tomando por base os ganhos de profissionais em atuação no mercado, fica em torno de R$ 1,5 mil.
Planejar e orientar a utilização das águas de bacias hidrográficas, prevenindo os impactos negativos que as atividades industriais, agrícolas e urbanas possam ter sobre elas, é a principal função do engenheiro hídrico. Cabe a ele planejar redes de água e esgoto, de irrigação e drenagem. Ao lado do engenheiro sanitarista, acompanha a prospecção e a exploração de lençóis freáticos, a operação de reservatórios e o tratamento de águas servidas ou contaminadas. Em conjunto com engenheiros navais, projeta canais, portos e barragens. A futura falta de água potável no planeta abre boas perspectivas de trabalho para o profissional especializado em estudos ambientais. É obrigatório o registro no Crea para exercer a profissão.
Organização, exatidão, iniciativa, interesse por questões sociais e ecológicas, facilidade de lidar com números e cálculos, dinamismo.
Duração média do curso: cinco anos
Fonte: www1.uol.com.br