Existem, no mundo inteiro, pelo menos 200 idiomas de sinais, utilizados por deficientes auditivos. Uma das linguagens mais antigas e bem estruturadas é a American Sign Language (língua americana de sinais), conhecida pela sigla ASLE, que os lingüistas estão tentando transformar na língua universal do s surdos, uma espécie de esperanto para servir a deficientes de todos os países. Essa possibilidade está causando sensação entre os estudiosos de lingüística, que pela primeira vez podem observar o nascimento de uma nova língua.
O fato mostra que a esfera de atuação do lingüista ultrapassa as fronteiras do magistério, embora esse ainda seja um pólo de atração preferencial para quem se interessa pelo ensino em universidades. O lingüista, na verdade, é um cientista que estabelece métodos e técnicas para o estudo de quatro habilidades básicas da lingüística - falar, escutar, ler e escrever. Para isso, ele deve se valer de áreas complementares, como sociologia, antropologia, psicologia e psicanálise, além de informática e estatística.
Durante muito tempo, lingüística era apenas uma disciplina do curso de Letras. A partir da década de 60, passou a constituir um curso independente de graduação, embora ainda hoje, na maioria das faculdades, seja oferecida como uma habilitação do curso de Letras. O currículo compreende matérias como língua latina, língua portuguesa, fonética, estudos literários, fonologia, sintaxe semântica, sociolingüística, semiótica, lingüística matemática, estatística computacional e aplicações da investigação lingüística.
Investigação, aliás, é palavra-chave para entender o trabalho desse especialista em linguagens. A pesquisa constante e aprofundada deve fazer parte da rotina do profissional e se estender ao longo da vida. A dificuldade está em conseguir bolsas para continuar o trabalho de pesquisa iniciado na pós-graduação, uma vez que não existe pesquisa financiada pelo governo fora da área acadêmica. Quanto antes o aluno se iniciar em linhas de investigação, maiores serão as chances de aperfeiçoamento profissional.
Há muito o que fazer em linguística. A mutação das empresas e a revolução tecnológica abriram espaço para o especialista atuar até mesmo na área de saúde. Nesse caso, o linguista pode atuar em psicolingüística, estudando os processos entre linguagem e mente, e em neurolinguística, que trata, entre outras coisas, de pessoas que perderam a fala por problemas neurológicos. Atuando em equipes compostas por médicos, psicólogos e fonoaudiólogos, o lingüista é capaz de avaliar as dificuldades e propor terapias de recuperação.
Ultimamente, cresce a procura por parte de empresas de informática, que recrutam especialistas para aplicar seus conhecimentos de fonética à linguagem do computador e também para desenvolver linguagens de programas em informática.
O lingüista ainda pode trabalhar em projetos modernos de alfabetização, elaborar currículos e material didático para o ensino da linguagem, fazer análise e dar parecer técnico sobre o discurso político, orientar a linguagem escrita e oral de profissionais de todas as áreas, revisar textos em editoras e formar leitores em ambientes não escolares (como hospitais e casas para idosos). No campo da pesquisa, o trabalho do linguista é essencial para a recuperação e a preservação de línguas de grupos étnicos minoritários, como os índios. O salário inicial, de R$ 2 mil, segundo a Fundação Getúlio Vargas, pode ser um estímulo extra para quem deseja seguir a carreira, sem ter em vista o magistério.
Duração média do curso: quatro anos
Fonte: www1.uol.com.br