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Shigelose

O que é Shigella?

É um gênero de microrganismos em forma de bastão, Gram-negativo, não formador de esporos. O gênero contém quatro espécies: S. flexneri, S. sonnei, S. dysenteriae tipo1 e S. boydii. Todas causam uma doença humana denominada shigelose. A predominância de cada espécie depende da região geográfica. Assim, nos Estados Unidos predomina a S. sonnei, enquanto no Brasil predomina a espécie S. dysenteriae.

O que é shigelose?

Shigelose é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Shigella. Pessoas infectadas tem diarréia, febre e cólicas estomacais que se iniciam um dia ou dois após o contato com a bactéria. A diarréia é, frequentemente, sanguinolenta. Os principais afetados são crianças com menos de dois anos de idade e os idosos.

Quais são os sintomas da shigelose?

Os sintomas predominantes são diarréia, febre e cólicas estomacais. As fezes têm sangue e muco. A infecção dura de 5 a 7 dias, mas em crianças e idosos, a doença pode ser grave, requerendo hospitalização. Algumas pessoas infectadas não apresentam sintomas, mas podem transmitir a shigelose.

Como as shigeloses são diagnosticadas?

A diarréia sanguinolenta pode ser causada por diversos microrganismos diferentes e o tratamento depende do agente causador. Os médicos diagnosticam o agente causador através de exame das fezes da pessoa doente. O diagnóstico da shigelose requer procedimentos laboratoriais especiais, por isso o médico deve especificar no pedido de exame que esse microrganismo também deve ser investigado.

Como as shigeloses são tratadas?

As shigeloses devem ser tratadas com antibióticos. Pessoas com infecções brandas recuperam-se mesmo sem tratamento com antibióticos.

Como se adquire uma shigelose?

A forma mais comum de transmissão da shigelose é através do contato com pessoas infectadas. O microrganismo encontra-se nas fezes das pessoas quando elas estão doentes e mesmo depois de curadas, por até duas semanas. A transmissão ocorre quando os hábitos de higiene são inadequados. A infecção pode ocorrer também através da ingestão de alimentos contaminados, que podem ter aparência e odor normais. Os alimentos contaminam-se através da manipulação em condições higiênicas insatisfatórias, do uso de água contaminada e através de insetos. Beber ou nadar em água contaminada também pode causar shigelose.

Há conseqüências a longo prazo?

As pessoas com diarréia recuperam-se completamente, embora possa levar vários meses até que o funcionamento do intestino fique normal. Entretanto, os doentes infectados por Shigella flexneri podem apresentar a síndrome de Reiter, caracterizada por dores nas juntas, irritação nos olhos e dor ao urinar. Esses sintomas podem durar meses, podendo se transformar em artrite crônica de difícil tratamento. A Shigella dysenteriae tipo1 pode causar a síndrome urêmica hemolítica.

Como as shigeloses são prevenidas?

Não há vacina para prevenir a shigelose. A transmissão de um indivíduo para outro pode ser prevenida pela lavagem constante das mãos com sabão. O cuidado deve ser intensificado quando se tratar de crianças que ainda usam fraldas. Sempre que possível, deve-se evitar o contato de crianças infectadas com crianças não infectadas. Pessoas que cuidam de crianças infectadas devem lavar bem as mãos após a troca de fraldas. Adultos com shigelose não devem manipular alimentos ou água. Cuidados básicos de higiene e tratamento adequado da água de consumo são as medidas que previnem a shigelose.

Fonte: www.sfdk.com.br

SHIGELOSE

Shigella

As Shigella são bacilos não-móveis Gram-negativos anaérobios facultativos, pertencentes à familia Enterobacteriaceae. Há várias espécies que podem causar disenteria, como S.dysenteriae (sintomas mais graves), S.flexneri, S.boydii e S.sonnei (menos grave).

Ao contrário de outros patogénios intestinais, as Shigella são altamente invasivas.

As Shigella produzem a shiga-toxina que destroem os ribossomas das células humanas, impedindo a síntese protéica e matando a célula.

Elas são endocitadas pelas células M da mucosa intestinal, invadindo a submucosa, sendo depois fagocitadas por macrófagos. São resistentes à fagocitose, e induzem a apoptose (morte) do macrófago. Então produzem proteínas extra-celulares especificas, as invasinas, que lhes permitem acoplar e invadir os enterócitos, onde se multiplicam até destruirem as células.

Epidemiologia

Ocorre principalmente em países pouco desenvolvidos, porque a sua transmissão é eficazmente combatida pelas medidas de higiene básicas. Nos países desenvolvidos é responsável por cerca de 7% dos casos de intoxicação alimentar. Há nestes países 1 caso por cada 1.000 pessoas por ano. É mais frequente em doentes com SIDA/AIDS.

Só infectam o ser humano, bastando algumas centenas ingeridas em água ou comida contaminadas, ou por transmissão directa fecal oral, para provocarem a doença. Também pode ser transmitida em casos raros por moscas que transportam as bactérias em pequenos pedaços de fezes nas sua patas para os alimentos.

Progressão e Sintomas

O perído de incubação é de doze a cinquenta horas.

A ingestão das bactérias leva à invasão da mucosa do intestino e sua extensa destruição (necrose) devido à invasão e à produção de shiga-toxina. A destruição severa das células da mucosa (os enterócitos), leva à perda da capacidade de absorção de água, e à hemorragia dos vasos locais, com perda adicional de muco acentuada após destruição das células caliciformes. O resultado é a diarréia sanguinolenta e mucóide abundante, denominada disenteria.

Sintomas iniciais são devidos à perda da capacidade de absorção de água, com diarréia aquosa. Mais tarde a necrose leva à disenteria, diarréia com sangue semi-digerido, pús e muco, acompanhada de febre, dores intestinais e dor ao evacuar as fezes (tenesmo). A extensão da hemorragia e o risco de peritonite são as principais complicações, assim como a desidratação excessiva.

Ao contrário de outras intoxicações alimentares e da salmonelose (que causa diarréia não sanguinolenta), a disenteria exige tratamento médico, porque sem ele a mortalidade é de 10% com algumas estirpes mais virulentas.

Diagnóstico

Cultura de amostras fecais com identificação microscópica e bioquímica.

Tratamento

É administrado um liquido com eléctrolitos (ou água com sal e açucar) para evitar a desidratação, e antibióticos como penicilina, quinolonas e cefalosporinas.

Fonte: pt.wikipedia.org

SHIGELOSE

"A Shigella é um bacilo Gram negativo freqüentemente associado a episódios de disenteria febril em nosso meio. As shigeloses acometem principalmente crianças e são mais comuns durante o verão. O diagnóstico baseia-se na coprocultura e o tratamento deve ser feito com medidas de suporte e antibioticoterapia."

A shigelose é uma infecção bacteriana aguda do trato gastrintestinal, usualmente limitada a alguns dias, caracterizada por diarréia com muco, pus e sangue, associada a dor abdominal, tenesmo e febre.

A Shigella é um bacilo Gram negativo, imóvel e não encapsulado, pertencente à família Enterobacteriaceae. Atualmente, são reconhecidas quatro espécies de Shigella, divididas em quatro grupos com base na similaridade sorológica e nas propriedades antigênicas e bioquímicas: Grupo A (S. dysenteriae), Grupo B (S. flexneri), Grupo C (S. boydii) e Grupo D (S. sonnei). Entre esses grupos são conhecidos mais de 40 sorotipos, cada um designado pelo nome da espécie seguido de um número. A Shigella flexneri 2 é o sorotipo mais encontrado nos pacientes de paises subdesenvolvidos; já a Shigella dysenteriae 1 é conhecida como o Bacilo de Shiga e produz a forma mais grave de diarréia, que pode evoluir para sepse e coagulação intravascular disseminada.

A infecção por Shigella é uma doença universal que ocorre principalmente no verão, especialmente em crianças de seis meses a cinco anos de idade. A transmissão ocorre por via fecal-oral - a ingestão de volumes tão pequenos com apenas 200 bactérias viáveis pode produzir a doença. Grandes aglomerações de pessoas, baixos padrões de higiene pessoal e infra-estrutura inadequada de água e esgoto contribuem para aumentar o risco de infecção e surtos epidêmicos.

O ambiente natural da Shigella é o cólon humano. Durante a doença e por um período de até seis semanas após a recuperação, os microrganismos podem ser excretados pelas fezes. O tratamento correto diminui o tempo de eliminação das bactérias. Alguns indivíduos, dependendo do inoculo e do seu sistema imune, podem se tornar portadores e eliminadores prolongados da bactéria.

As Shigella são relativamente resistentes ao ácido e, por isso, atravessam a barreira gástrica e cruzam o intestino delgado com maior facilidade que outras bactérias. Após um período de incubação de aproximadamente 24 a 72 horas, elas atingem o intestino grosso e penetram nas células epiteliais multiplicando-se em seu interior, provocando uma resposta inflamatória na mucosa. As células epiteliais são então lisadas, resultando em ulcerações superficiais com liberação das Shigella nas fezes. A mucosa torna-se friável e apresenta uma camada de polimorfonucleares na sua superfície. A princípio, a inflamação restringe-se ao cólon sigmóide e reto, mas pode acometer o cólon proximal com o evoluir da doença. A diarréia decorre da dificuldade em absorver a água e os eletrólitos que passam pelo cólon inflamado.

Quadro Clínico

A shigelose pode evoluir como uma infecção assintomática, como uma diarréia leve ou como uma disenteria grave acompanhada de febre, toxemia e convulsões febris. A S. sonnei associa-se a quadros clínicos mais leves, enquanto que a S. flexneri e a S. dysenteriae estão relacionadas com quadros mais graves.

Classicamente a doença se inicia após 24 a 72 horas de contaminação, com um pródromo inespecífico composto de febre, anorexia, calafrios, mialgias, náuseas e ate vômitos. Concomitantemente - ou após alguns dias -, instala-se um quadro de diarréia inespecífica composta por fezes pastosas, cólicas abdominais e diarréia aquosa. Esse quadro habitualmente precede a instalação da disenteria, que se caracteriza por eliminação freqüente de sangue e muco nas fezes conseqüente à lesão da mucosa colônica. As evacuações podem atingir uma freqüência de 20-40 episódios por dia, com dor retal intensa e tenesmo incontrolável, muitas vezes levando ao prolapso retal durante o esforço. Nessa fase também há dor à palpação abdominal, principalmente na projeção do cólon sigmóide (fossa ilíaca esquerda). Após uma ou duas semanas de tratamento, a doença tende a ceder espontaneamente na maioria dos pacientes.

A doença também pode levar a complicações decorrentes da desidratação intensa. Além disso, septicemia (principalmente pela S. dysenteriae 1 em crianças desnutridas), reação leucemóide, síndrome hemolítico-urêmica, íleo paralítico e peritonite são outras complicações possíveis.

A shigelose crônica, decorrente de tratamento inadequado, é rara mas pode ocorrer. Nela, o paciente apresenta surtos de diarréia, dispepsia, fraqueza e quadros de disenteria ocasionais. Os pacientes que possuem o antígeno de histocompatibilidade HLA B27 podem desenvolver Síndrome de Reiter (artrite, uretrite e conjuntivite) após exposição à Shigella.

Diagnóstico

Deve-se levantar suspeita de shigelose em qualquer caso de diarréia com muco, pus e sangue associada a febre. O diagnóstico diferencial deve ser feito com outros microrganismos, tais como Campylobacter jejuni, Salmonella enteritidis, Yersinia enterocolitica e Clostridium difficile. O Vibrio parahemolyticus e a Entamoeba histolytica também devem ser descartadas.

O diagnóstico de certeza é dado pelo achado e isolamento da Shigella sp em cultura de fezes frescas. As culturas tornam-se positivas 24 horas após o início dos sintomas e são positivas em 90% dos casos, principalmente quando obtidas nos três primeiros dias da doença. Os meios seletivos utilizados são o Salmonella-Shigella-ágar ou o Desoxicolato-citrato-ágar. O exame a fresco das fezes recém eliminadas coradas pelo azul de metileno ou pelo método de Giemsa pode auxiliar o diagnóstico, excluindo outras causas de disenteria.

No hemograma evidencia-se a anemia devido ao sangramento e algum grau de leucocitose. Ocasionalmente, como já foi dito, podemos ter uma reação leucemóide, com a leucometria chegando a 50.000 células por milímetro cúbico. A hemocultura raramente é positiva e os testes sorológicos não são utilizados como rotina.

Tratamento

O principal objetivo do tratamento da shigelose é manter o equilíbrio hidroeletrolítico do paciente. A hidratação oral é o método de escolha e deve ser instituído o quanto antes. A via parenteral só deve ser utilizada em caso de vômitos intensos e desidratação grave, quando a hidratação oral não foi efetiva.

Outro ponto importante na terapêutica é o aporte calórico. A dieta não deve ser suspensa - muito menos o leite materno. Em casos de vômitos intensos, a dieta pode ser momentaneamente interrompida e reintroduzida tão logo o paciente tolere. Inibidores da motilidade intestinal (p.ex.: loperamida, difenoxilato e elixir paregórico) estão contra-indicados: a inibição da motilidade intestinal aumenta o tempo disponível para proliferação do agente infeccioso.

Dados clínicos mostram que o tratamento antimicrobiano da Shiguelose diminui a duração da febre e da diarréia em 50%, sendo que a excreção de bacilos diminui numa percentagem ainda maior, fato de vital importância epidemiológica. Por outro lado, vários trabalhos vêm relatando a crescente resistência da Shigella aos antimicrobianos mais utilizados, o que implica a necessidade imperiosa de coprocultura e antibiograma para guiar a terapia. Quando não se conhece o padrão de sensibilidade, a medicação de escolha e o Sulfametoxazol- Trimetoprim.

Norfloxacina ou ciprofloxacina podem ser utilizadas em adultos portadores de shigelose e provenientes de áreas com elevada resistência a trimetoprima, ou naqueles que se considera conveniente o tratamento empírico contra o Campylobacter. Em crianças, as quinolonas estão contra-indicadas pelo comprometimento das cartilagens de crescimento. Ceftriaxona e outras cefalosporinas de terceira geração administradas por via parenteral podem ser opção em casos de vômitos intensos.

Indivíduos excretores de Shigella devem ser afastados do manuseio de alimentos até a obtenção de culturas negativas a partir de três amostras sucessivas de fezes colhidas após o termino da antibioticoterapia. A medida de controle mais importante consiste na higiene pessoal (lavagem de mãos com sabão) daqueles que manuseiam alimentos ou trocam fraldas.

Conclusão

A Shigella é um bacilo Gram negativo pertencente à família Enterobacteriaceae e responsável por um quadro infeccioso agudo caracterizado por diarréia mucopiossanguinolenta, dor abdominal, tenesmo retal e febre. As shigeloses são mais comuns no verão, principalmente em crianças na faixa de seis meses a cinco anos de idade. O quadro clássico é autolimitado, iniciando com um episódio súbito de febre associado a dor abdominal e diarréia inicialmente aquosa, mas que evolui para disenteria. O objetivo do tratamento é evitar a desidratação e a desnutrição, empregando reidratação oral e permitindo dieta livre. A antibioticoterapia deve ser feita com base em antibiograma e coprocultura, sendo essencial para a diminuição do tempo de doença e de eliminação de bacilos.

Fonte: www.espacorealmedico.com.br

Sigelose

Agente infeccioso: Shigella spp., Grupos A, B, C, e D - S. dysenteriae, S. flexneri, S. boydii e S. sonnei

Descrição clínica: início súbito de diarreia (por vezes com sangue, muco e pús) acompanhada de febre e cólicas

Frequência notificada em Portugal: taxa de incidência mediana em 1992-96 (/105) = 0,15. Taxa de incidência em 2004 (/105) = 0,12

Período de incubação: 1-7 dias

Reservatório: homem doente ou portador

Via de transmissão: fecal-oral directa ou indirecta (exemplo: alimentos contaminados não submetidos a cozedura)

Período de transmissão

Até 2 coproculturas negativas, colhidas com um intervalo mínimo de 24 horas, e 48 horas após a cessação de antibioterapia

Geralmente até 4 semanas após início da doença

É muito raro ser portador durante meses

Controlo do doente ou portador:

Rehidratação

Antibioterapia: tetraciclinas, ampicilina, cotrimoxazol

Proibição de manipulação dos alimentos e afastamento do cuidado íntimo das crianças ou doentes, quando portadores

Controlo dos contactos

Reforçar as precauções de higiene (ex.: lavagem das mãos antes das refeições e após as dejecções, cozedura dos alimentos, etc.)

No caso de instituições, quando os contactos são funcionários, manipuladores de alimentos, ou cuidam de crianças ou doentes, devem ser afastados/proibidos destas actividades até à obtenção de 2 coproculturas negativas

Fonte: saudepublica.web.pt

SHIGELOSE

Aspectos Epidemiológicos

Agente etiológico - Bactérias gram negativas do gênero Shigella, constituídas por quatro espécies S. dysenteriae (grupo A), S. flexneri (grupo B) S. boydii (grupo C) e S. sonnei (grupo D).

Reservatório - Trato gastrointestinal do homem, água e alimentos contaminados.

Modo de transmissão - A infecção é adquirida pela ingestão de água contaminada ou de alimentos preparados com água contaminada. Também está demonstrado que as Shigelas podem ser transmitidas por contato pessoal.

Período de incubação - Variam de 12 a 48 horas.

Aspectos Clínicos

Descrição - Infecção bacteriana de expressão clínica pleomórfica, podendo se manifestar através de formas assintomáticas ou sub-clínicas, ou formas graves e tóxicas. Nas formas graves, a shigelose é doença aguda toxêmica, caracterizada por febre, diarréia aquosa, que pode ser volumosa e com dor abdominal. A dor abdominal tem característica de cólica difusa, geralmente precedendo a diarréia, que se constitui no sintoma mais freqüente, presente em cerca de 90% dos casos. De 1 a 3 dias após, as fezes se tornam mucossangüinolentas, a febre diminui e aumenta o número de evacuações, geralmente de pequeno volume e freqüentes, com urgência fecal e tenesmo (colite exsudativa). Além da febre alta, outras manifestações podem estar presentes, tais como: anorexia, náuseas, vômitos, cefaléia, calafrios, estados totêmicos, convulsões e sinais meningíticos. Ao exame físico, pode-se observar hipertermia, desidratação, hipotensão, dor à palpação abdominal e ruídos hidroaéreos exacerbados. Nas formas leves ou moderadas, a shigelose pode se manifestar apenas por diarréia aquosa, sem aparecimento de fezes disentéricas.

Sinonímia - Disenteria bacilar clássica.

Complicações - As complicações neurológicas (convulsão, meningismo, encefalopatias, letargia, alucinações, cefaléia, confusão mental, etc.) constituem as manifestações extra-intestinais mais freqüentes da shigelose, ocorrendo mais em crianças que em adultos. Outras complicações: sepse, peritonite secundária à perfuração intestinal, SRA, SHU e hemorragia digestiva, pneumonia, conjuntivite, uveíte, prolapso retal, osteomielite, artrite séptica e S. de Reiter.

Tratamento - Semelhante ao indicado para todos os tipos de diarréias. Reidratação oral (SRO), que simplificou o tratamento, pois sabe-se que o esquema de tratamento adequado independe do diagnóstico etiológico, já que o objetivo da terapêutica é reidratar ou evitar a desidratação. Esse esquema não é rígido, administrando-se líquidos e o SRO de acordo com as perdas; manter o paciente na unidade de saúde até a reidratação; o uso de sonda nasogástrica-SNG é indicado apenas em casos de perda de peso após as 2 primeiras horas de tratamento oral e em face a vômitos persistentes, distensão abdominal com ruídos hidroaéreos presentes ou dificuldade de ingestão; Só indica-se hidratação parenteral em alteração da consciência, vômitos persistentes (mesmo com uso de sonda nasogástrica) e íleo paralítico.

Características epidemiológicas - A freqüência das infecções por Shigella aumenta com a idade da criança. No Brasil, a prevalência dessa bactéria é de 8 a 10% em crianças com menos de um ano de idade e de 15 a 18% em crianças com mais de 2 anos. Os índices de prevalência nos adultos são semelhantes aos encontrados em crianças com mais de dois anos.

Vigilância Epidemiológica

Objetivo - É uma das doenças diarréicas agudas, cujo objetivo da vigilância epidemiológica é o de monitorar a incidência, visando intervenções em surtos e a manutenção de atividades de educação em saúde com o propósito de diminuir sua freqüência e letalidade.

Notificação - Não é doença de notificação compulsória. Entretanto, como explicitado no capítulo das doenças diarréicas agudas, tem-se instituído o monitoramento das diarréias através de sistemas de notificações sentinelas.

Definição de caso - Indivíduo que apresentar fezes cuja consistência revele aumento do conteúdo líquido (pastosas, aquosas, que podem ser mucossangüinolentas), com aumento do número de dejeções diárias e duração inferior a 2 semanas. A confirmação é feita através de culturas agente.

Medidas de Controle

Melhoria da qualidade da água, destino adequado de lixo e dejetos, controle de vetores, higiene pessoal e alimentar.

Educação em saúde, particularmente em áreas de elevada incidência.

Locais de uso coletivo, tais como colégios, creches, hospitais, penitenciárias, que podem apresentar riscos maximizados quando as condições sanitárias não são adequadas, devem ser alvo de orientações e campanhas específicas.

Ocorrências em crianças de creches devem ser seguidas de isolamento entérico, além de reforçadas as orientações às manipuladoras de alimentos e às mães. Considerando a importância das causas alimentares na diarréia das crianças menores, é fundamental o incentivo ao prolongamento do tempo de aleitamento materno, prática essa que confere elevada proteção a esse grupo populacional.

Fonte: www.pgr.mpf.gov.br

Sigelose

Shigella

Shigella é um germe que causa uma doença intestinal infecciosa (chamada "shigelose" ou "disenteria"). Essadoença pode ser tratada, e a maioria das pessoas melhora rapidamente. A diarréia intensa pode causar desidratação, um quadro perigoso para crianças pequenas, pessoas idosas e doentes crônicos. Em raros casos, o germe pode causar problemas em outras partes do corpo.

Quais são os sintomas?

Os sintomas mais comuns são diarréia, febre, náuseas, vômitos, cólicas abdominais e necessidade de fazer forçapara evacuar. As fezes podem conter sangue, muco ou pus. Embora seja raro, crianças pequenas acometidas peladoença podem ter convulsões. Os sintomas podem demorar até uma semana para surgir, mas na maior parte das vezes começam de dois a quatro dias após a ingestão dos germes; geralmente os sintomas duram vários dias, mas podem permanecer por semanas.

Todas as pessoas infectadas ficam doentes?

Não. Algumas só apresentam sintomas brandos e outras nem sequer adoecem. Mas elas ainda eliminam os germes pelas fezes e, se não tiverem cuidado, poderão contaminar outras pessoas.

Como a Shigella é transmitida?

Para causar infecção, os germes precisam ser ingeridos. Geralmente eles são transmitidos quando as pessoas não lavam as mãos com água e sabão após ir ao banheiro ou trocar fraldas. Quem tem os germes nas mãos pode se infectar ao comer, fumar ou levar a mão à boca. Pode também passar os germes para qualquer pessoa ou objeto que tocar, até mesmo para alimentos que, se não forem bem cozidos, poderão transmitir a doença.

Em raros casos, os germes Shigella também podem ser transmitidos em lagos e em piscinas com quantidade insuficiente de cloro. Quando alguém com diarréia banha-se ou nada na piscina ou no lago, os germes podemsobreviver na água e infectar outras pessoas que engolirem esta água ou apenas molharem os lábios com a água.

A Shigella pode ser transmitida por animais?

Não.

Animais domésticos comuns, animais de fazenda e animais silvestres não transmitem esses germes; apenas seres humanos e macacos podem transmiti-los.

Como posso ter certeza que tenho Shigella?

Seu médico, enfermeiro ou centro de saúde precisa enviar uma amostra das suas fezes ou de um swab retal (material coletado por via anal da porção final do intestino) a um laboratório. O laboratório então faz uma cultura dos germes e realiza testes para verificar se há Shigella na amostra. Leva alguns dias para os germes crescerem na cultura em número suficiente para que o laboratório possa executar os testes.

Como a doença é tratada?

A shigelose é tratada com antibióticos. Se você acha que pode estar com essa doença, procure seu médico ou centro de saúde o mais rápido possível. Pessoas com diarréias ou vômitos precisam ingerir bastante líquido.

Como você pode evitar a shigelose?

As duas coisas mais importantes a lembrar são que a Shigella só pode causar doença se você ingeri-la e que sabão mata o germe. Siga as dicas a seguir; se você fizer delas um hábito, poderá evitar a shigelose - bem comooutras doenças.

-Lave sempre muito bem as mãos com água e sabão antes de comer ou tocar nos alimentos e depois de ir aobanheiro ou trocar fraldas.

-Se estiver cuidando de alguém com diarréia, esfregue as mãos com bastante água e sabão depois de limpar o banheiro, ajudar a pessoa a usar o banheiro ou após trocar fraldas, roupas ou lençóis sujos.

-Não compartilhe alimentos, bebidas, talheres nem canudinhos.

-Caso seu filho freqüente uma creche (day care) e esteja com diarréia, avise os funcionários da creche paraque possam tomar todos os cuidados necessários para que os germes não sejam transmitidos a outras crianças.

-Não deixe ninguém com diarréia usar uma piscina ou nadar num lago enquanto estiver doente. Sejaextremamente cuidadoso com crianças pequenas, mesmo que elas usem fraldas. Se você ou seu filho tiver diarréia persistente (com ou sem febre), ou se a diarréia for muito forte, telefone para seu médico ou para o centro de saúde e peça aconselhamento.

Existem normas de saúde para pessoas com shigelose?

Sim.

Como a shigelose é uma doença que pode ser facilmente transmitida para outras pessoas, os profissionais da saúde são obrigados por lei a relatar os casos da doença à secretaria local da saúde. Para proteger a população, os funcionários de empresas do ramo alimentício que contraírem shigelose devemficar afastados do trabalho até que não tenham mais diarréia e os exames de laboratório realizados com duas amostras diferentes de fezes comprovem a ausência de Shigella.

Funcionários de empresas do ramoalimentício que estiverem com diarréia e que moram com alguém infectado com shigelose também deverão comprovar que suas fezes não apresentam Shigella. Empresas do ramo alimentício incluem restaurantes, lanchonetes, cozinhas hospitalares, supermercados, fábricas de laticínios e de processamento de alimentos. Essa lei também se aplica a funcionários de escolas, programas domiciliares, creches (day care) e clínicas que fornecem alimentação, tratamento bucal ou administram medicamentos a clientes ou pacientes.

Fonte: www.mass.gov