
As pesquisas que realizamos para fixar as origens levaram-nos a conclusões
que não devem ser tomadas como definitivas, principalmente porque nos
limitamos ao Rio de Janeiro e São Paulo, conseguindo nestes dois centros
recuar até 1905. Entretanto, os dados coletados são verídicos,
fornecidos pelo Sr. Lido Piccinini (SP), comprovados por recortes de jornais
e outros documentos existentes nos arquivos destes desportos, a quem apresentamos
nossos agradecimentos. Destas buscas surgiu a conclusão sobre a controvérsia
brasileira – ping-pong x tênis de mesa – como dois desportos
diferentes ou, como sendo um passatempo e outro desporto.
O que houve realmente foi que os iniciantes da prática no Brasil eram
turistas ingleses que, mais ou menos em 1905, começaram a implantá-lo
em São Paulo. O nome teria de ser ping-pong, pois a época era
a da “epidemia” deste nome em Londres; as dimensões da
mesa, os seus praticantes possuíam de memória e a contagem era
a adotada na época, na Inglaterra, bem como o saque diretamente por
cima da rede. O que aconteceu em seguida foi que o tênis de mesa brasileiro
marchou sempre atrasado em relação ao mundial, por falta de
contato até 1940.
Podemos fixar o ano de 1912 como o início das atividades organizadas
do tênis de mesa, pois até então era praticado em casas
particulares e em clubes. Naquele ano foi disputado o primeiro Campeonato
por equipes em São Paulo, saindo vencedor o Vitória Ideal Clube.
No ano seguinte venceu o Mackenzie, a ACM em 1914/1915, e o Atlético
Ipiranga até 1922. O primeiro campeonato individual foi no ano do Centenário
e o seu vencedor foi Júlio Alvizu, tendo sido disputado de acordo com
as regras codificadas e publicadas por Leopoldo Santana. Em 1926, surgia a
Liga Paulista de Ping-Pong, sendo seu primeiro presidente Lido Piccinni e
seu primeiro campeonato oficial vencido pelo Castelões Futebol Clube.
Se o tênis de mesa entrou no Brasil pela porta de São Paulo,
tudo indica que, inicialmente, teve sua marcha acelerada no Rio de Janeiro.
Embora não tivéssemos conseguido dados preciosos, apuramos que
em 1924 já se praticava no Vasco da Gama o desporto da bolinha branca
e sua equipe e sua equipe era constituída por Adão, Luzitano,
Carnaval e Lopes e que a Liga Carioca de Ping-Pong deve Ter sido fundada antes
da Paulista pois, em 1926, a filiação do Ubá Ping-Pong
Clube foi negada por não possuir o mesmo recinto fechado para a prática
do desporto.
Em 1929, um jogador alemão Máximo Cristal chegou a São
Paulo empunhando uma raquete com pino e venceu os ases de São Paulo
e o “Ourives e Afins Soc. Recreativa” campeão do ano retirou-se
da Liga fundando a Associação Paulista de Ping-Pong cujo primeiro
foi Miguel Munhoz. Até 1938 marchou o ping-pong com altos e baixos
em São Paulo mais ou menos controlado pelas duas entidades até
1934 quando a liga se extinguiu. No Rio de Janeiro sob a direção
da Liga Carioca de Ping-Pong da qual faltam dados preciosos e, marchando mais
à custa de iniciativas particulares, umas até de fundo comercial,
pois na casa de jogos denominada Frontão faziam-se exibições
pagas e um Sr. Faria possuía em 1932 um salão com quatro mesas
alugadas por 500 réis a partida de 50 pontos. Por outro lado um grande
idealista e competente desportista Joaquim Alves, à frente da seção
do Clube Ginástico Português impulsionava o desporto, realizando
jogos amistosos e disputas bem organizadas de Taças como a “Copa
Lorenzo Nicolai”, de 1934, e a Taça “Ginástico Patriarca”,
em 1932.
Embora tenhamos a convicção de que o intercâmbio Rio x
São Paulo se fez anteriormente, a primeira informação
segura obtida refere-se a 1932 e vale a pensa descrevê-la com os dados
fornecidos por Luiz Brasil Freões pelo pitoresco de seus incidentes.
Nos primeiros dias de junho de 1932, a Liga Carioca de Ping-Pong e o E. C.
Antártica resolveram disputar em São Paulo uma série
d jogos. A equipe da liga era constituída por Hélio, Horácio,
Nelson, Pizoti e Pindoba e a do clube pelos três últimos, mais
Colosso e Luiz, que chefiariam as duas delegações. Dificuldades
financeiras ameaçavam a excursão, mas a insistência de
Pindoba obrigou os demais a embarcarem quase desprovidos de numerário
no dia 8 de junho de 1932. Antes não o tivessem feito e por isso não
perdoaram Pindoba (a quem atribuímos o título de primeiro “secura”
do tênis de mesa brasileiro), pois que em Cruzeiro o trem ficaria duas
horas, mesmo levando no último vagão o general Meira de Vasconcelos
e seu estado Maior, designado comandante da Região Militar. Estouraria
a Revolução Constitucionalista e, ao chegarem em São
Paulo, em vez de desportistas a esperá-los, tiveram guarda de honra
militar. E foi assim durante três meses. Tiveram que viver em São
Paulo, amparados na medida do possível pelos desportistas da paulicéia,
quer com alojamento nos salões dos clubes ou com presentes de mantimentos
que tinham de ser preparados por eles próprios, quer com exibições
de entradas pagas que quase nada rendiam, pois a época era de guerra.
Contou-nos Luiz que uma série interminável de padecimentos eles
sofreram, até ameaças à integridade por parte de elementos
mais exaltados, um dos quais, ao receber de Luiz a resposta de que era gaúcho
e não carioca, respondeu: “é a mesma coisa, eu quero é
acertar alguém”.
Em 1937, o raquetista paulista Rafael Bolgna leu na revista “Life”
uma reportagem do ás norte-americano Lou Pagliaro e constatou a diferença
entre o tênis de mesa nacional e o praticado no estrangeiro. Mesmo com
a colaboração do jogador francês Kurt Ortweilor, radicado
em São Paulo, não obteve este desportista boa acolhida na Associação
de Ping-Pong, mas, não esmorecendo, conseguiu que a colônia húngara,
sob o patrocínio do Sr. Leon Orban promovesse a vinda ao Brasil em
1938 dos ases mundiais M. Szabados e I. Kellen. Apesar das diferenças
das regras e das dimensões da mesa, Ricardo D’Angelo bateu Szabados
perante cerca de duas mil pessoas, obtendo assim a primeira vitória
internacional do Brasil. Foi então que os desportistas brasileiros
tomaram conhecimento das novas regras, pois também no Rio o ás
carioca Guilherme Ferreira não quis enfrentar o húngaro em vista
da diferença de regras e, juntamente com Lourival de Carvalho e Djalma
de Vicenzi encetaram a campanha de adoção das regras internacionais.
Em 7 de novembro de 1940, o Clube Atlético Fazenda Estadual inaugurava
a primeira mesa de tênis no Brasil, e a antiga Associação
de Ping-Pong transformava-se em julho de 1941 em Federação Paulista
de Tênis de Mesa. Em outubro deste ano, o C.A.F.E. vem ao Rio de Janeiro
e disputa jogos pela nova regras com o Fluminense, Tijuca e Braz de Pina,
levando Di Vicenzi a fundar em 10 de novembro a Federação Metropolitana
de Tênis de Mesa na Sede do Tijuca Tênis Clube e apoiado pelos
grandes clubes do Rio.
Em janeiro de 1942, os cariocas representados por De Vicenzi, A. Neves e G.
Ferreira, além dos paulistas Bologna, F. Nunes e W. Silva, aprovam
a tradução das regras e assinam convênios que levam à
oficialização do Tênis de Mesa pela C.B.D. (Confederação
Brasileira de Desportos). Em 1947, graças aos esforços de De
Vicenzi, o Brasil participa do 3º Campeonato Sul-Americano e o internacional,
tão indispensável para o nosso progresso, se intensifica com
a idéia de Mário Jofre de participar dos mundiais – idéia
que Dagoberto Midosi pôs em execução e que estes dois
desportistas concretizaram com o auxílio de outros.
Fonte: www.fptm.com.br