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TÉTANO

“O capitão de um grande navio esmagou o dedo indicador de sua mão direita com a âncora. Sete dias depois apareceu uma secreção fétida, depois problemas com a língua, queixava-se de que não podia falar adequadamente. Foi diagnosticado tétano. Suas mandíbulas ficaram presas, os dentes travados e depois os sintomas se estenderam para o pescoço. No terceiro dia apareceram opistótonos acompanhados de sudorese. Seis dias após o diagnóstico ele morreu”.

Hipócrates (460-375 A.C.)

O tétano é uma doença infecciosa não-contagiosa, causada por um bacilo que produz uma exotoxina (Tétanospasmina). A toxina tem acentuado neurotropismo e produz espasmos tônicos dos músculos voluntários.

O agente etiológico é o Clostridium tetani, um bacilo Gram-positivo longo, fino e anaeróbio.

É importante conhecer as definições de período de incubação (pode variar de um dia a três ou mais semanas, e compreende o período que vai do momento da exposição ao agente infeccioso até o surgimento dos primeiros sintomas) e período de progressão (tempo entre o surgimento dos primeiros sintomas e a primeira contratura), já que quanto menor o período de incubação e o período de progressão (menos de 48 horas), no caso do tétano, mais grave poderá ser a doença.

DIAGNÓSTICO CLÍNICO

TÉTANO LOCALIZADO

O início dos sintomas ocorre com mialgia por contrações involuntárias dos grupos musculares próximos ao ferimento, podendo ficar restrito a um determinado membro.

TÉTANO CEFÁLICO

Ocorre devido a ferimentos em couro cabeludo, face, cavidade oral e orelha, levando a paralisia facial ipsilateral à lesão, trismo, disfagia e comprometimento dos pares cranianos III, IV, IX, X, XII.

TÉTANO GENERALIZADO

Caracterizado pelo trismo, devido à contração dos masseteres e músculos da mímica facial, ocasionando o riso sardônico. Outros grupos musculares são acometidos, como os retos abdominais e a musculatura paravertebral, podendo ocasionar opistótono (característico das crianças). Com a evolução da doença, os demais músculos do organismo são acometidos progressivamente.

As contraturas musculares vêm logo a seguir e, dependendo de sua intensidade e freqüência, o tétano poderá ser de menor ou maior gravidade, piorando aos estímulos auditivos, visuais e táteis. Dependendo de sua intensidade, esses espasmos podem evoluir até para fraturas de vértebras ou parada respiratória. O paciente tetânico, a despeito de sua gravidade, permanece sempre lúcido. A febre, quando presente, indica mau prognóstico ou infecção secundária. Entre as manifestações de hiperatividade simpática, temos: taquicardia, hipertensão arterial lábil, sudorese profusa, vasoconstrição periférica, arritmias cardíacas e até hipotensão arterial.

TÉTANO NEONATAL

É causado pela aplicação de substâncias contaminadas na ferida do coto umbilical. O período de incubação é de aproximadamente sete dias e tem como característica principal o opistótono. No início, a criança pode apresentar apenas dificuldade para se alimentar. Geralmente ocorre em filhos de mães não-vacinadas ou inadequadamente vacinadas no pré-natal. É importante o diagnóstico diferencial com meningite e sepse do período neonatal, já que os quadros infecciosos graves neste período podem cursar com opistótono.

DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

O diagnóstico do tétano é essencialmente clínico.

Rotineiramente devem ser solicitados quando da internação: hemograma, bioquímica do sangue (TGO, TGP, uréia e creatinina), radiografia de tórax e EAS.

O leucograma é normal ou com discreta leucocitose. Pode haver anemia devido à hemólise causada pela toxina Tétanolisina ou pelos medicamentos.

Normalmente o líquor é normal, motivo pelo qual não é colhido de rotina, exceto em casos do diagnóstico diferencial com meningite.

TRATAMENTO

DEBRIDAMENTO DO FOCO

Deve ser amplo, profundo e rigorosamente diário, visando bloquear a produção de toxina no local da ferida, através da limpeza do ferimento com peróxido de hidrogênio (água oxigenada) ou permanganato de potássio. A finalidade é retirar as condições de anaerobiose, removendo todo o tecido desvitalizado e possível corpo estranho (pedaço de madeira, osso ou metal). A cicatrização deve se dar por segunda intenção e a sutura está proscrita. Eventualmente, novos debridamentos podem ser necessários. No caso de tétano neonatal, o curativo do coto umbilical deve ser feito com água oxigenada ou permanganato de potássio.

SORO ANTI-TETÂNICO

Utiliza-se o soro anti-tetânico (SAT), para a neutralização da toxina circulante, na dosagem de 20.000 UI IV (independente do peso do paciente ou da gravidade do caso).

MODELO DE PRESCRIÇÃO PARA SORO HETERÓLOGO

1) Dieta oral zero até segunda ordem (ou após término da soroterapia)
2) Instalar acesso venoso com cateter em Y
3) Hidrocortisona 500 mg (ou 10 mg/kg) IV 30 minutos antes do item 6
4) Cimetidina 300 mg (ou 10 mg/kg) IV 30 minutos antes do item 6
5) Prometazina 50 mg (ou 0,5 mg/kg) IV 30 minutos antes do item 6
6) Soro anti-tetânico 20.000 UI IV
7) Deixar bandeja de traqueostomia e material de urgência à beira do leito
8) Sinais vitais a cada 10 minutos
Quando disponível, deve-se dar preferência ao uso da gamaglobulina anti-tetânica humana (soro homólogo), 3.000-6.000 UI IV.

VACINA ANTI-TETÂNICA

O toxóide tetânico deve ser aplicado em três doses para a imunização plena do paciente, sendo a primeira dose (1 ampola IM) aplicada na admissão do paciente ao hospital e as demais doses com 30 e 60 dias, respectivamente.

TRATAMENTO ANTIMICROBIANO

Recomenda-se a penicilina G cristalina (150.000 a 200.000 UI/kg/dia IV), 4/4 horas, por 10 a 14 dias. Em caso de alergia à penicilina, podemos optar pelo metronidazol (30 mg/kg/dia IV), 8/8 horas, por 10 dias.

TRATAMENTO DAS CONTRATURAS

Podemos lançar mãos de drogas sedativas para manter o paciente sedado, podendo ser usados até curarizantes nos casos mais graves.

DROGA
APRESENTAÇÃO
DOSE
INTERVALO
COMENTÁRIOS
Diazepam (IV ou VR) 1 amp. = 10mg 10mg (0,25-0,5mg/kg) Máximo de 1mg/kg/dia) 6/6h até 1/1h (conforme a necessidade) Droga de primeira escolha; não diluir a medicação. Usar doses menores em idosos, pelo risco de coma
Clorpromazina (IM ou IV) 1 amp. = 25mg 25-50mg (1mg/kg) 6/6h ou 4/4h Droga sempre associada do diazepam, quando esta droga, em altas doses, não puder controlar as contraturas
Cloridrato de pancurônio (IV) 1 amp. = 4mg 4mg (0,04 a 0,2mg/kg) 4/4h até 1/1h (conforme a necessidade) Utilizamos quando não se controlam as contraturas com outras medicações; o paciente deve ser entubado ou traqueostomizado e colocado em ventilação mecânica, não esquecer de associar droga sedativa. Não deve ser usado em gestantes

TRATAMENTO DA HIPERATIVIDADE SIMPÁTICA

Utilizam-se beta-bloqueadores, como o propranolol ou atenolol, nas taquicardias acima de 140 bpm (a dose deve ser avaliada de acordo com a resposta do paciente, com o devido cuidado no uso em idosos).

CUIDADOS GERAIS

1. O paciente deverá sempre ser transferido para o Isolamento, em quarto fechado, escuro e silencioso, a fim de se prevenir as contraturas desencadeadas por estímulos luminosos ou sonoros (lembrar sempre de confortar o paciente, que geralmente está muito ansioso); a remoção para a UTI está indicada nos casos de impossibilidade de controle das contraturas ou comprometimento da ventilação

2. O paciente deve estar em constante vigilância pela enfermagem

3. Oxigenioterapia por máscara facial e controle diário da gasometria arterial estão indicados nos pacientes com distúrbio ventilatório

4. Inicialmente o paciente deve estar em dieta oral zero e, posteriomente, poderá receber dieta líquida oral, sob supervisão da enfermagem, ou através de sonda nasogástrica, caso o paciente esteja entubado

5. Hidratação venosa e suporte calórico adequado estão indicados, preferencialmente através de dissecção venosa, a fim de se corrigir distúrbios hidro-eletrolíticos e ácido- básicos

6. Utilizar medicação anti-ácida para prevenção das úlceras gástricas de estresse

7. Aspirar as secreções das vias aéreas superiores (ou do tubo endotraqueal ou cânula de traqueostomia) sempre que necessário, já que as complicações pulmonares infecciosas são muito freqüentes, consistindo em importante causa de mortalidade nesses pacientes

8. Deve-se considerar a traqueostomia precoce nos pacientes com contraturas incontroláveis ou acúmulo de secreção no tubo endotraqueal, já que permite higiene mais eficaz

9. O uso prolongado de sondas vesicais de demora predispõe à infecção de trato urinário, motivo pelo qual deve-se evitar ao máximo este procedimento

1. Está indicada a profilaxia de embolia pulmonar com heparina (5.000 UI SC 12/12h) ou enoxaparina (30 mg SC 12/12h) para pacientes idosos ou que estejam em ventilação mecânica na UTI;

2. A infecção secundária deverá ser tratada com antibioticoterapia de amplo espectro, contudo, deverá ser avaliada individualmente para cada caso;

3. Sugere-se alta hospitalar quando o paciente estiver deambulando, se alimentando, sem contraturas, curado de suas complicações infecciosas e com pelo menos sete dias de antibiótico;

4. Lembrar que o tétano neonatal é considerado de alta gravidade, devendo sempre que possível ser manejado em UTI.

Fonte: www.fmt.am.gov.br

tétano

O tétano é uma doença grave causada pela toxina produzida por uma bactéria, o Clos-tridium tetani. Essa bactéria é encontrada no ambiente (solo, esterco, superfície de obje-tos) sob uma forma extremamente resistente, o esporo. Quando contamina ferimentos, sob condições favoráveis (presença de tecidos mortos, corpos estranhos e sujeira), tor-na-se capaz de produzir a toxina, que atua em terminais nervosos, induzindo fortes con-trações musculares.

Quais os sinais e sintomas?

As primeiras manifestações, geralmente dificuldade de abrir a boca (trismo) e de engo-lir, surgem alguns dias após a inoculação dos esporos do Clostridium tetani nos feri-mentos e estão associadas ao acometimento dos músculos pescoço. Na maioria dos ca-sos, ocorre progressão para contraturas musculares generalizadas, que podem colocar em risco a vida do indivíduo quando comprometem a musculatura respiratória.

Como tratar?

Independentemente do esquema vacinal estar completo ou não, a limpeza do ferimento com água e sabão, e a retirada corpos estranhos (terra, fragmentos de madeira) é essen-cial, até para evitar infecção secundária com outras bactérias. Se o indivíduo não estiver com o esquema completo, dependendo do tipo de ferimento, pode ser necessário que, além da vacina, receba também imunização passiva (imunoglobulina antitetânica ou, apenas na sua falta, soro antitetânico). Para as pessoas não vacinadas, é importante completar a vacinação antitetânica no posto de saúde mais próximo da sua residência.

Como se prevenir?

O tétano é uma doença imunoprevenível. Como não é possível eliminar os esporos do Clostridium tetani do ambiente, para evitar a doença é essencial que todas as pessoas estejam adequadamente vacinadas.Grande parte da população adulta nunca recebeu, ou desconhece que tenha recebido, a vacina contra o tétano e precisa, portanto, receber o esquema vacinal completo.

Em adultos, o esquema vacinal completo é feito com três doses da dT (vacina dupla, própria para adultos), que confere proteção contra o tétano e a difteria. O esquema pa-drão de vacinação (indicado para os maiores de sete anos) preconiza um intervalo de um a dois meses entre a primeira e a segunda dose e de seis a doze meses entre a segun-da e a terceira dose, no intuito de assegurar elevados títulos de anticorpos protetores por tempo mais prolongado.Admite-se, entretanto, que a vacinação possa ser feita com in-tervalo mínimo de 30 dias entre as doses. Para os que iniciaram o esquema e interrom-peram em qualquer época, basta completar até a terceira dose, independente do tempo decorrido desde a última aplicação. A dT pode ser administrada com segurança em gestantes e constitui importante medida de prevenção do tétano neonatal. Cabe ressaltar que, para assegurar proteção permanente, além da série básica, é necessária a aplicação de uma dose de reforço a cada dez anos, uma vez que a proteção contra o tétano fica reduzida com o passar do tempo.

Situação do Tétano no Mundo e no Brasil

Como podemos observar acima, o tétano tem distribuição no mundo todo, portanto a recomenda-se a atualização da situação vacinal contra tétano para todos os viajantes.

Fonte: www.anvisa.gov.br

TÉTANO

O tétano é uma doença grave causada pela toxina produzida por uma bactéria, o Clostridium tetani. Essa bactéria é encontrada no ambiente (solo, esterco, superfície de objetos) sob uma forma extremamente resistente, o esporo. Quando contamina ferimentos, sob condições favoráveis (presença de tecidos mortos, corpos estranhos e sujeira), torna-se capaz de produzir a toxina, que atua em terminais nervosos, induzindo fortes contrações musculares.

As primeiras manifestações, geralmente dificuldade de abrir a boca (trismo) e de engolir, surgem alguns dias após a inoculação dos esporos do Clostridium tetani nos ferimentos e estão associadas ao acometimento dos músculos pescoço. Na maioria dos casos, ocorre progressão para contraturas musculares generalizadas, que podem colocar em risco a vida do indivíduo quando comprometem a musculatura respiratória.

Profilaxia

O tétano é uma doença imunoprevenível. Como não é possível eliminar os esporos do Clostridium tetani do ambiente, para evitar a doença é essencial que todas as pessoas estejam adequadamente vacinadas.Grande parte da população adulta nunca recebeu, ou desconhece que tenha recebido, a vacina contra o tétano e precisa, portanto, receber o esquema vacinal completo.

Em adultos, o esquema vacinal completo é feito com três doses da dT (vacina dupla, própria para adultos), que confere proteção contra o tétano e a difteria. O esquema padrão de vacinação (indicado para os maiores de sete anos) preconiza um intervalo de um a dois meses entre a primeira e a segunda dose e de seis a doze meses entre a segunda e a terceira dose, no intuito de assegurar elevados títulos de anticorpos protetores por tempo mais prolongado.

Admite-se, entretanto, que a vacinação possa ser feita com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses. Para os que iniciaram o esquema e interromperam em qualquer época, basta completar até a terceira dose, independente do tempo decorrido desde a última aplicação. A dT pode ser administrada com segurança em gestantes e constitui importante medida de prevenção do tétano neonatal. Cabe ressaltar que, para assegurar proteção permanente, além da série básica, é necessária a aplicação de uma dose de reforço a cada dez anos, uma vez que a proteção contra o tétano fica reduzida com o passar do tempo.

Independentemente do esquema vacinal estar completo ou não, a limpeza do ferimento com água e sabão, e a retirada corpos estranhos (terra, fragmentos de madeira) é essencial, até para evitar infecção secundária com outras bactérias. Se o indivíduo não estiver com o esquema completo, dependendo do tipo de ferimento, pode ser necessário que, além da vacina, receba também imunização passiva (imunoglobulina antitetânica ou, apenas na sua falta, soro antitetânico). Para as pessoas não vacinadas, é importante completar a vacinação antitetânica iniciada nos Hospitais de Emergência até a terceira dose (com intervalo mínimo de um mês), nos Centros Municipais de Saúde.

O Cartão de Vacinação é um documento de comprovação de imunidade, sendo responsabilidade das Unidades de Saúde emití-lo ou atualizá-lo por ocasião da administração de qualquer vacina. Deve ser guardado junto com documentos de identificação pessoal. É importante que seja apresentado nos atendimentos médicos de rotina e fundamental que esteja disponível nos casos de acidentes.

Fonte: www.cives.ufrj.br

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