O tifo epidémico, coloquialmente referido simplesmente como Tifo, é uma doença epidémica transmitida por parasitas comuns no corpo humano os piolhos e causada pela bactéria Rickettsia prowazekii.
O tifo é uma doença causada pela R.prowasekii, distinta e não relacionada à Febre tifóide que é causada pelas Salmonella. Há outras formas semelhantes ao Tifo, como Tifo endémico causado pela R.typhi e Tifo do mato causado pela Orientia tsutsugamushi (antigamente R.tsutsugamushi).
A Rickettsia prowaseki é um pequeno (menos de meio micrómetro) bacilo cocóide parasita intracelular que é incapaz de se reproduzir fora das suas células hóspedes.
Infecta os piolhos do corpo humano Pediculus humanus corporis. Permanece viva muitos dias nas fezes e/ou cadáveres dos piolhos.
O tifo epidémico foi durante muito tempo uma causa importante de epidemias mortíferas na Europa (especialmente Europa de Leste e Rússia) e Ásia. Hoje em dia está erradicada na Europa, e em outras regiões quando surge as medidas de saúde pública geralmente previnem o aparecimento de epidemias. Existem casos esporádicos na Amércia do Sul, Ásia e África.
Infecta os piolhos do corpo humano Pediculus humanus corporis, mas é rapidamente mortal para eles também, logo as epidemias que surgem têm de ser de transmissão rápida, exigindo grande número de pessoas e piolhos susceptiveis, como em exércitos e outras aglomerações. É por essa razão que as epidemias são facilmente evitaveis por medidas simples de higiene das roupas, e banho regular.
É transmitido pelo piolho humano do corpo Pediculus humanus corporis, (mais raramente pelo piolho dos cabelos), que os excretam nas suas fezes, invadindo o ser humano através de pequenas feridas invisiveis. A incubação é de 10 a 14 dias, enquanto as bactérias se reproduzem no interior de células endoteliais que revestem os vasos sanguineos, libertando a descendencia para o sangue de forma continua, com inflamação dos vasos (causa do eritema).
A febre alta surge após essas duas semanas, seguida do exantema (eritema) em manchas após mais quatro a sete dias.
A mortalidade é de 20% se não tratado convenientemente, mas em algumas epidemias em desnutridos pode chegar a dois terços.
A doença de Brill-Zinsser é uma infecção secundária que pode surgir anos mais tarde num periodo de fraqueza devido às rickettsias que se esconderam do sistema imunitário dentro das células em estado quiescente. Caracteriza-se por sintomas mais moderados.

Exantema no peito de homem com tifo epidémico, no Burundi
O diagnóstico é feito através da detecção de anticorpos especificos contra a R.prowasekii no soro sanguineo do doente. Também é possivel a observação microscópica após cultura de amostras em meios com células vivas (recolhidas de ovos fecundados de galinha). Podem-se confirmar os achados por detecção de DNA através da técnica de PCR.
O tratamento é com antibióticos, sendo a primeira escolha as tetraciclinas. Existe uma vacina que não é muito eficaz.
O Tifo foi uma importante causa de epidemias antes da Segunda guerra mundial. Atingia particularmente os exércitos em campanha e as populações prisionais.
Alguns historiadores acreditam que foi o Tifo a doença misteriosa que atingiu Atenas no século de Péricles (430 aC), um evento associado ao declinio dessa grande cidade-estado.
Uma das epidemias mais importantes foi aquela que atingiu Napoleão Bonaparte e a sua Grande Armée na sua campanha de invasão da Rússia, em 1812. Durante a retirada dos suas tropas após a destruição de Moscovo pelos russos, as tropas de Napoleão foram reduzidas de 600.000 a 40.000 mais devido ao Tifo e ao frio que às tropas inimigas.

Os exércitos de Napoleão Bonaparte foram atingidos pelo Tifo
durante a Campanha na Rússia. Quadro de Antoine-Jean Gros
Outra epidemia mortifera surgiu na Irlanda entre 1846 e 1849 durante a fome da batata nesse país, onde o Tifo se uniu à destruição de um fungo parasita dessa cultura para reduzir, pela morte e emigração, a população da ilha para menos de um terço.
As medidas higiénicas militares, hoje parte importante da disciplina de todos os exércitos, foram introduzidas pelos franceses em reacção à mortalidade pelo Tifo.
A obrigatoriedade de raspar a barba e cortar o cabelo rente foram mediadas inicialmente introduzidas nos soldados de forma a erradicar os piolhos transportadores da infecção. Antes de se descobrir que a higiene e a limpeza das roupas reduziam as mortes por tifo, a higiene não era grande preocupação para os oficiais. Devido a estas medidas, durante a primeira guerra mundial na frente ocidental quase não houve mortes de Tifo, enquanto na frente oriental, após a quebra de autoridade que se seguiu à Revolução de Outubro na Rússia Czarista, três milhões de pessoas morreram da doença.
Apesar de medidas baratas e fáceis de prevenção já serem conhecidas, os Nazis deixaram centenas de milhares de presos nos seus campos de concentração, incluindo a maioria de Judeus, morrer da doença durante a segunda guerra.
Apesar de medidas baratas e fáceis de prevenção já serem conhecidas, os Nazis deixaram centenas de milhares de presos nos seus campos de concentração, incluindo a maioria de Judeus, morrer da doença durante a segunda guerra.
A primeira descrição reconhecivel de Tifo foi dada em 1083 em Itália. Só em 1546 é que o famoso médico de Florença, Girolamo Fracastoro (o primeiro médico a defender os germes como causa das doenças), decreveu a doença em termos cientificos.
Em 1909, Charles Nicolle identificou o piolho como vector da doença. Ganhou em 1928 o Prémio Nobel pela sua descoberta.
Foi Henrique da Rocha Lima em 1916 quem identificou a bacteria Rickettsia prowazekii como responsável pela doença. O nome homenageia H. T. Ricketts e Stanislaus von Prowazek, dois zoólogos que perderam as suas vidas vítimas da doença ao investigá-la em 1915 numa prisão.
Fonte: pt.wikipedia.org
Condições de higiene precárias são propícias à propagação do tifo, razão pela qual essa doença é tradicionalmente associada a períodos de guerra e escassez de água, campos de refugiados, prisões, campos de concentração e navios.
Aplica-se o nome de tifo a uma série de doenças infecciosas agudas caracterizadas por um súbito ataque de dor de cabeça, calafrio, febre, dores generalizadas, erupção cutânea e toxemia (substâncias tóxicas no sangue), sintomas que duram por duas ou três semanas. O tifo esteve originalmente associado a uma única manifestação clínica, mas hoje designa um grupo de doenças assemelhadas causadas por rickéttsias. Transmitido por insetos, é classificado como exantemático ou epidêmico, murino ou endêmico, febre de tsutsugamushi, tifo rural e tifo do carrapato.
Tifo exantemático. Causado pela Rickettsia prowazekii, o tifo exantemático é transmitido pelo piolho, que se infecta ao picar um indivíduo contaminado. O homem se infecta ao coçar o local da picada, esfregando assim as fezes do animal na ferida aberta. Após a instalação da doença, uma erupção cutânea característica se alastra por todo o corpo. A temperatura se eleva até o final da primeira semana e só começa a diminuir no 12º dia, para se tornar normal em dois a quatro dias. Em casos fatais, a prostração é progressiva, seguida de delírio e coma. O colapso cardíaco costuma ser a causa imediata de morte.
Como os outros tipos de tifo, o exantemático pode ser tratado de forma rápida e eficaz com os antibióticos cloranfenicol e tetraciclina. Uma vacina desenvolvida durante a segunda guerra mundial consegue conter o avanço da doença em pessoas contaminadas. Apesar das técnicas de vacinação e de combate ao piolho, o tifo exantemático é uma ameaça constante aos povos miseráveis de todo o mundo.
Tifo murino. A ratazana é o principal vetor do tifo murino, causado pela Rickettsia mooseri. Em algumas ocasiões também foram descobertos ratos domésticos e outras espécies de pequenos roedores infectados. A pulga (Xenopsylla cheopis) transmite a doença do rato para o homem. A evolução do tifo murino é essencialmente a mesma do exantemático, embora seja ele mais brando e apresente complicações menos freqüentes.
Fonte: ©Encyclopaedia Britannica do Brasil
Publicações Ltda.
Mais conhecido no meio científico como riquetsioses, o tifo pode se expressar de diversas maneiras, pois trata-se de um conjunto de doenças causadas pelas bactérias do gênero Rickettsia. A miséria humana constitui o ambiente ideal para a proliferação do tifo, daí a ligação da doença com países de terceiro mundo, campos de refugiados, de concentração ou episódios trágicos da história como as guerras. Entre seus tipos principais, destacam-se o tifo exantemático, ou epidêmico e o tifo murino, ou endêmico.
É o tipo mais comum de tifo, causado pela bactéria Rickettsia prowasekii e transmitido pelo piolho. A doença se estabelece quando se coça o local picado pelo parasita, e suas fezes, que contém a bactéria, misturam-se com a ferida, permitindo a Rickettsia entrar na corrente sangüínea. Os principais sintomas do tifo exantemático são dores nas articulações, dor de cabeça muito forte, febre alta que pode evoluir para um quadro de delírio e erupções cutâneas hemorrágicas. A doença deve ser tratada com a administração de antibióticos, principalmente a doxaciclina e o cloranfenicol.
Assim como ocorre na peste, o tifo murino é comum entre ratos, sendo transmitido para o homem somente quando há um grande número de roedores contaminados (epizootia), o que obriga a pulga Xenopsylla cheopis a buscar novos hospedeiros. O causador da doença é a bactéria chamada Rickettsia mooseri e os sintomas são praticamente os mesmos do tifo epidêmico, só que mais brandos. O tratamento também é semelhante.
O primeiro cientista a isolar a bactéria causadora do tifo foi o brasileiro Henrique da Rocha Lima, em 1916, na Alemanha. A bactéria acabou por chamar-se Rickettsia prowasekii em homenagem a dois pesquisadores (Howard Ricketts e S. von Prowasek) que morreram por causa da doença. O nome tifo vem do grego "typhus", que significa "estupor". Quem assim descreveu a doença foi Hipócrates, pai da medicina, ao observar o estado de pacientes infectados.
Fonte: www.fiocruz.br
O tifo epidêmico, popularmente chamado simplesmente de tifo, é uma doença epidêmica transmitida pelo piolho humano do corpo e causada pela bactéria Rickettsia prowazekii. Atualmente, o termo tifo também pode designar uma série de doenças infecciosas agudas, causadas por rickettsias, caracterizadas por dores de cabeça, calafrio, febre, dor no corpo e nas articulações, manchas vermelhas e toxemia (substâncias tóxicas no sangue), que duram cerca de duas ou três semanas. O tifo não tem nenhuma relação com a febre tifóide, causada pelas Salmonellas.
Epidemias da doença quase sempre estão relacionadas a fatores de ordem social, como falta de higiene e pobreza extrema, razão pela qual são comuns em períodos de guerra e escassez de água, campos de refugiados, prisões, campos de concentração e navios. Veja abaixo os principais tipos de tifo:
Causado pela bactéria Rickettsia prowazekii, ele é transmitido pelo piolho humano do corpo Pediculus humanus corporis ou, mais raramente, pelo piolho dos cabelos. A transmissão se dá quando o piolho excreta suas fezes, liberando bactérias que invadem o corpo humano através de feridas invisíveis na pele. Estes microorganismos se reproduzem no interior de células endoteliais, que revestem os vasos sanguíneos, provocando inflamação.
O tifo epidêmico foi durante muito tempo uma causa importante de epidemias mortíferas na Europa e Ásia. Focos da doença existem hoje em muitos países da Ásia, África, regiões montanhosas do México, e América do Sul e Central. No Brasil, esta forma de tifo ainda não foi descrita.
O tempo de incubação do tifo exantemático varia de 1 a 2 semanas, mas, na maior parte dos casos, os sintomas ficam evidentes dentro de 12 dias. A febre alta costuma surgir após duas semanas e, dentro de quatro a sete dias, aparecem as manchas. A mortalidade da doença é de cerca de 10 a 40% dos casos não tratados, mas em pessoas maiores de 50 anos, essa taxa pode subir para 60%. O paciente deve ser medicado com antibióticos. Existe uma vacina, mas ela só é usada eventualmente.
Uma complicação decorrente do tifo exantemático é a doença de Brill-Zinsser, que pode ocorrer até anos mais tarde. A doença é conseqüência de rickettsias que se esconderam do sistema imune (de defesa do organismo) e que aproveitam períodos de baixa imunidade para se instalar.
Os ratos são os principais vetores da doença causada pela bactéria Rickettsia mooseri. Assim como ocorre na peste, o tifo murino é transmitido para o homem quando há um grande número de roedores contaminados (epizootia), o que obriga a pulga Xenopsylla cheopis a buscar novos hospedeiros. A doença é comum em várias ilhas e zonas portuárias do mundo. No Brasil, ela já foi descrita nos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.
A evolução do tifo murino é essencialmente a mesma do exantemático, embora ele seja mais brando e apresente complicações menos freqüentes. Como as demais infecções causadas por rickettsias, o tifo murino é tratado com antibióticos.
Para combater a doença, é necessário manter condições adequadas de higiene e controlar a proliferação de ratos.
Fonte: www.museudavida.fiocruz.br
O tifo murino (tifo da pulga do rato, tifo urbano da Malásia) é causado pela Rickettsia typhi, que provoca febre e uma erupção cutânea.
A Rickettsia typhi vive nas pulgas que infestam os ratos, as ratazanas e outros roedores. As pulgas dos ratos transmitem a rickettsia aos homens. A doença está presente em todo o mundo e costuma manifestar-se sob a forma de surtos, particularmente em áreas urbanas muito habitadas nas quais é frequente encontrar ratos.
Os sintomas aparecem entre 6 e 18 dias após a infecção. Em geral os primeiros sintomas são calafrios com tremores, dor de cabeça e febre. Este quadro dura cerca de 12 dias. Aproximadamente 80 % dos doentes infectados desenvolvem uma erupção cutânea discreta, ligeiramente saliente e de cor rosada ao fim de 4 ou 5 dias. No início, afecta apenas uma pequena parte do organismo e torna-se difícil vê-la. Ao fim de 4 a 8 dias desaparece gradualmente.
A doença é tratada com antibióticos, como as restantes infecções por rickettsias. Geralmente os doentes com tifo murino recuperam totalmente. No entanto, os idosos e as pessoas debilitadas podem morrer, especialmente aquelas cujo sistema imunitário seja deficiente.
Fonte: www.manualmerck.net