A Autoridade Bancária e de Pagamentos de Timor-Leste (ABPTL/BPA), o “banco central” do novo país de língua oficial portuguesa, e o Governo da República Democrática de Timor-Leste decidiram, em estreita colaboração, desenvolver esforços no sentido de serem emitidas moedas metálicas próprias para uso no país e que pudessem servir de alternativa às moedas de cêntimos (cents) do dólar norte-americano, a moeda oficial de Timor desde meados do ano 2000, quando a administração da ONU (UNTAET) decidiu nesse sentido.

Esta decisão, que não põe em causa a continuação da utilização do USD como a moeda oficial do país (particularmente das suas notas), tem por base várias considerações. Destas salientamos as seguintes: conveniência, para facilidade de utilização, em dispor de moedas que, ao contrário das americanas, tivessem o seu valor facial expresso em números; necessidade de tentar fornecer uma alternativa ao uso intensivo de notas de 1 (um) USD pois estas degradam-se rapidamente, tal o uso que lhes é dado no país; necessidade de afirmar a soberania do novo (e jovem) país; e possibilidade de o Estado colher alguns benefícios financeiros através do que, em jargão económico, se designa por “direitos de senhoriagem” – que resultam do diferencial entre o custo de produção das moedas ou das notas e o valor facial a que ambas são disponibilizadas aos agentes económicos pela entidade emissora.

Na face comum a todas as moedas vê-se representado um kaibauk, um dos símbolos de poder normalmente utilizados pelos homens, particularmente os de estatuto social mais elevado no seio da organização tradicional timorense. O rebordo, por sua vez, é uma estilização de um crocodilo e inspira-se em motivos semelhantes constantes dos panos típicos de Timor-Leste, os tais.

O náutilo (nautilus pompilius), relativamente abundante nos mares de Timor, é um cefalópode que vive usualmente a grandes profundidades e cuja concha é habitualmente recolhida em mar alto por pescadores timorenses. A sua inclusão numa das faces da moeda procura salientar a necessidade de preservar os recursos marinho do país.

A espiga de arroz, uma das principais culturas praticadas em Timor-Leste, foi escolhida para representar a moeda de 5 centavos, como forma de chamar a atenção para a necessidade de providenciar alimento a todos os timorenses.

O galo de combate é o companheiro inseparável de muitos timorenses
que fazem da luta de galos um dos seus desportos favoritos. A sua representação
é uma homenagem à cultura timorense e à capacidade de
luta que os timorenses demonstraram ao longo do tempo até alcançarem
a independência.
O beiro é um barco tradicionalmente utilizado pelos pescadores timorenses.
Feito ora de um tronco único de árvore que é escavado
até tomar a forma pretendida, ora de tábuas montadas para o
efeito, os “beiros” são fundamentais para a sobrevivência
de muitas comunidades de pescadores existentes ao longo das ricas (em peixe)
costas de Timor-Leste.
A moeda de 50 centavos é a única que não corresponde
a uma moeda americana equivalente em circulação em Timor-Leste.
Nela se encontra representada uma planta de café, a principal riqueza
agrícola do país e seu primeiro produto de exportação.
Representar esta árvore é, simultaneamente, homenagear cerca
de 75% da população do país, tal é a percentagem
de habitantes das zonas rurais de Timor-Leste.
Fonte: www.turismotimorleste.com

Frutos do cafeeiro numa moeda de 50 centavos de 2003
O investimento secular de Portugal na sua colónia na Insulíndia não foi suficiente para a desenvolver adequadamente, tendo esta permanecido pobre até aos nossos dias.
Foram, no entanto, construídas algumas infra-estruturas de saúde, ensino e transportes depois da Segunda Guerra Mundial. O comércio de sândalo, uma das principais mercadorias do território perdeu importância e a sua única fonte de rendimento passou a ser uma modesta produção de café.
A contribuição dada pela Indonésia na construção de infra-estruturas foi superior ao de Portugal, apesar de corresponder também a interesses próprios, como o do transporte mais rápido das tropas ou da absorção sócio-cultural indonésia e descaracterização da cultura própria timorense. No entanto, grande parte das edificações foi destruída pelas milícias pró-indonésias no período que se seguiu à declaração de vitória dos independentistas: bancos, hotéis, escolas, centros de saúde, etc. A já débil economia timorense foi completamente arrasada, tendo ficado dependente totalmente da cooperação internacional para a sua reconstrução.
Fonte: pt.wikipedia.org