
A palavra trek tem sua origem na língua africâner. Ela passou a ser amplamente empregada no início do século XIX, pelos vortrekkers, os primeiro trabalhadores holandeses que colonizaram a África do Sul.
O verbo trekken significava migrar e carregava uma conotação de sofrimento e resistência física, numa época em que a única forma de se locomover de um ponto a outro era caminhando.

Quando os britânicos invadiram a região e estabeleceram seu domínio político na África, a palavra foi absorvida pela língua inglesa e passou a designar as longas e difíceis caminhadas realizadas pelo exploradores em direção ao interior do continente, especialmente na busca de novos conhecimentos, como a nascente do rio Nilo e as neves do monte Kilimanjaro.
A seguir chegaram os aventureiros em busca de fortes emoções, normalmente encontradas em regiões distantes e de difícil acesso, só atingidas após longas caminhadas em terrenos acidentados. Eram os novos trekkers.
Atualmente utilizamos a palavra também em português, significando caminhadas em trilhas naturais em busca de lugares interessantes para se conhecer. Possibilitando um maior contato com a natureza, o trekking passou a ser a atividade esportiva que mais cresce no mundo em número de adeptos.
Outra expressão em inglês, muito utilizada no exterior mas ainda quase desconhecida no Brasil, para significar a mesma coisa, é hike (marcha) e hiker (andarilho).
A colonização da região Médio Rio Paraíba do Sul, começou a ser ocupada pelo homem branco em meados do séc. XVIII. A nação indígena que dominava a região era a dos Puris, mais tarde chega os negros para trabalhar nas lavouras.
A bandeira paulista de Simão da Cunha Gago, vinda de Santos-SP, fixou seu acampamento por volta de 1744 em Campo Alegre da Paraíba Nova (hoje Resende/RJ), a região era o caminho que escoava o ouro de Minas Gerais para Angra dos Reis e daí para a Europa. Acredita-se que a Travessia da Serra Negra originou-se destas bandeiras.
Por volta de 1888, com a abolição da escravatura e o esgotamento das terras a monocultura cafeeira entrou em declínio, chega a vez da pecuária prover a sobrevivência das fazendas. Nessa época houve também a colonização européia (alemães, suíços, franceses e holandeses) nas terras de Irineu Evangelista de Souza, o Visconde de Mauá. Nas suas fazendas se desenvolveu a fruticultura e a criação de pequenos animais. O projeto não alcançou êxito, mas preservou a área em que mais tarde foi criado o primeiro parque nacional do país, o Itatiaia.
Até hoje a travessia é amplamente utilizada por mulas que transportam o resultado da produção rural de comunidades como Serra Negra, Fragária, Campo Redondo para Maromba. Não é difícil cruzarmos com mulas carregadas de queijo, mel, mantimentos e recebermos a saudação sempre simpática e alegre do homem do campo.
Em uma caminhada longa, muitas vezes solitária, em ambientes isolados e de difícil acesso, são necessários alguns equipamentos para facilitar a locomoção, alimentação, descanso e aproveitamento da viagem. Um trekker bem equipado, mesmo no trekking de um dia, é sinônimo de segurança e aventura com final feliz, mantendo o chamado risco sob controle.

Veja sua necessidade de acordo com seu roteiro. Embora o trekking não dependa de equipamentos sofisticados, alguns itens ajudam o andarilho a manter-se mais feliz consigo mesmo e com seu grupo.
Não deve ser muito grande, que dificulte a caminhada, nem muito pequena, que obrigue o trekker a pendurar suas coisas no lado de fora, enganchando em todos os galhos do caminho. Para um trekking de alguns dias, uma mochila de 55 litros é um bom tamanho. O equipamento deve ser acondicionado em camadas, colocando o material mais leve e volumoso embaixo e o mais pesado margeando as costas do carregador.
Há tamanhos e modelos a escolher. Fabricantes nacionais e importados chegam com facilidade ao conhecimento do consumidor, que tem de avaliar qual volume que deseja, recortes adequados (bolsos externos, fitas para prender, espaço para capacete, roupa molhada, enfim) e armações.
Acondicione tudo em sacos plásticos, para não molhar. Uma capa que protege a mochila é uma opção e existe modelos que vem com esta embutida.
O bastão de trekking - telescópicos - é um ótimo recurso e utilizado principalmente nas descidas, quando boa parte do peso do corpo - e da mochila - recai sobre os tornozelos e joelhos. Pode ser feito de um tronco fino e firme caído no chão, em meio à trilha, ou comprado em lojas especializadas. É especialmente recomendável nas seguintes situações:

*Trekkers com idade avançada;
*Corpo com excesso de peso;
*Trekkers com problemas nas juntas ou na espinha;
*Quando se está carregando mochilas muito pesadas;
*Quando caminhando em encostas nevadas ou úmidas;
*Em caminhadas com pouca visibilidade.
Atenção: O bastão não deve ser utilizado indistintamente, fazendo disto uma regra, especialmente por crianças e jovens, pois o uso contínuo do bastão de trekking faz a pessoa diminuir suas habilidades de coordenação motora.
Levar água na mochila é sempre recomendável, mesmo que haja informação segura de que há mais água no caminho. Mas, onde? Pode ser em caramanholas, mas cantis e hydrapaks são mais indicados para acondicionar junto ao resto do equipamento e, principalmente, manter a temperatura por algum tempo. O Camelbak é o mais conhecido, uma mochilinha que guarda um saco de plástico especial, que não deixa gosto na água e mantém a temperatura por até quatro horas.
Para tornar a água coletada de rios potável, você pode usar comprimidos de cloro, comprados em farmácias, ou em gotas, o Hidroesteril. Se não encontrar, pode utilizar o hipoclorito de sódio (em desinfetantes e kiboa), com duas gotas para cada litro d’água.
A lanterna comum, de pilhas grandes e com reservas é sempre uma boa pedida. Barata e simples de encontrar é ideal. Mas a tecnologia e o homem moderno invetaram uma alternativa bem melhor, as lanternas de cabeça...
As headlamps, com uma ou duas lâmpadas e pilhas de reserva, estão sendo usadas cada vez mais pelos aventureiros. Há muitas marcas e modelos, e com certeza os da Petzl são os mais utilizados e facilmente encontrados, pois unem resistência à confiabilidade. Pode ser de um foco ou dois, dependo do modo de utilização e da quantidade de horas necessária.
A luz química - bastões que são quebrados e usados só vez - iluminam muito pouco por 10 horas. Servem para localização da barraca ou de um bivaque, ou mesmo para serem amarradas na mochila no caso de um trekking noturno.
Já os lampiões a gás seriam excelentes pela economia e boa luminosidade, se não fossem tão pesados para serem carregados na mohila e exigirem muito cuidado em seu transporte e operação.
As lanternas a carboreto, presa à cabeça e com luz intensa, são muito utilizadas em cavernas, pois não há necessidade do foco.
Fonte: 360graus.terra.com.br