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Tuberculose

A tuberculose - também chamada em português de tísica pulmonar ou "doença do peito" - é uma das doenças infecciosas documentadas desde mais longa data e que continua a afligir a Humanidade nos dias atuais. Estima-se que sua bactéria causadora tenha evoluído há 15.000 ou 20.000 anos, a partir de outras bactérias do género Mycobacterium.

Sintomas

Raio-X do peito de um paciente com tuberculose pulmonar avançada
Raio-X do peito de um paciente com tuberculose pulmonar avançada

80% dos casos de tuberculose no mundo estão concentrados nos países assinalados em vermelho. Fonte: OMS
80% dos casos de tuberculose no mundo estão concentrados nos países assinalados em vermelho. Fonte: OMS

A bactéria

As bactérias em forma de bastão (visíveis a vermelho na imagem) são bacilos da tuberculose Mycobacterium tuberculosis.O causador da tuberculose (mais precisamente, a tuberculose pulmonar) é o Mycobacterium tuberculosis (MTB) também conhecido como bacilo de Koch, em homenagem ao seu descobridor, o médico alemão Heinrich Hermann Robert Koch. É uma bactéria aeróbica de crescimento lento, a qual se divide a cada 16 ou 20 horas, o que é bastante lento comparado a outras bactérias cuja divisão se dá em minutos. Não cora com o método de Gram, portanto a classificação Gram +/- não se adequa a ela; sendo uma bactéria ácido-álcool resistente é usada a coloração de Ziehl-Neelsen. É um bacilo (isto é, uma bactéria em forma de bastão) que pode resistir a desinfectantes fracos e pode sobreviver em meio seco durante semanas, porém, só consegue se desenvolver no organismo de um hospedeiro. A tuberculose é uma das mais importantes doenças infecciosas actuais, que até hoje afeta milhões de seres humanos, e depois do surgimento da SIDA/AIDS sua disseminação voltou a crescer.

Levou tempo até que se conseguissem fazer culturas in vitro do M. tuberculosis (ou MTB), porém, atualmente este é um processo laboratorial comum. O MTB é identificável no microscópio após tratamento com solução álcool-ácida e coloração (método de Ziehl-Neelsen). Na técnica de coloração mais comum, os bacilos absorvem um corante vermelho brilhante que contrasta bem com um fundo azul. Os bacilos álcool-ácido resistentes também podem ser visualizados por microscopia fluorescente (técnica do fluorocromo), e por coloração com auramina-rodamina.

O grupo ao qual pertence o M. tuberculosis inclui 3 outras bactérias que também podem causar tuberculose: a M. bovis, a M. africanum e a M. microti.

As duas primeiras provocam raros casos da doença, e a última não causa infecção em humanos.

A doença

Transmissão

A tuberculose se dissemina através de gotículas no ar que são expelidas quando pessoas com tuberculose infecciosa tossem, espirram, falam ou cantam. Contatos próximos (pessoas com contato prolongado, freqüente ou intensivo) têm alto risco de se infectarem (taxa de infecção de 22%). A transmissão ocorre somente a partir de pessoas com tuberculose infecciosa ativa (e não de quem tem a doença latente).

A probabilidade da transmissão depende do grau de infecção da pessoa com tuberculose e da quantidade expelida, forma e duração da exposição ao bacilo, e a virulência.

A cadeia de transmissão pode ser interrompida isolando-se pacientes com a doença ativa e iniciando-se uma terapia anti-tuberculose eficaz.

Patogenicidade

Só 10% dos pacientes com tuberculose infecciosa evoluem para o quadro da doença - uma percentagem bem reduzida.

Infecção

A infecção por tuberculose se inicia quando o bacilo atinge os alvéolos pulmonares e pode se espalhar para os nódulos linfáticos e daí, através da corrente sanguínea para tecidos mais distantes onde a doença pode se desenvolver: a parte superior dos pulmões, os rins, o cérebro e os ossos.

A resposta imunológica do organismo mata a maioria dos bacilos, levando à formação de um granuloma. Os "tubérculos", ou nódulos de tuberculose são pequenas lesões que consistem em tecidos mortos de cor acinzentada contendo a bactéria da tuberculose.

Normalmente o sistema imunológico é capaz de conter a multiplicação do bacilo, evitando sua disseminação em 90% dos casos.

A doença

Entretanto, em algumas pessoas, o bacilo da tuberculose supera as defesas do sistema imunológico e começa a se multiplicar, resultando na progressão de uma simples infecção por tuberculose para a doença em si. Isto pode ocorrer logo após a infecção (tuberculose primária – 1 a 5% dos casos), ou vários anos após a infecção(reativação da doença tuberculosa, ou bacilo dormente – 5 a 9 %).

Cerca de 5% das pessoas infectadas vão desenvolver a doença nos dois primeiros anos, e outras 5% vão desenvolvê-la ainda mais tarde. No total, cerca de 10% dos infectados com sistema imunológico normal desenvolverão a doença durante a vida.

Algumas situações aumentam o risco de progressão da tuberculose. Em pessoas infectadas com o HIV o risco aumenta em 10% ao ano, ao invés de 10% por toda a vida. Outras situações de risco incluem: o abuso de drogas injetáveis; infecção recente de tuberculose nos últimos 2 anos; raio-x do tórax que sugira a existência de tuberculose (lesões fibróticas e nódulos); diabetes mellitus, silicose, terapia prolongada com corticosteróides e outras terapias imuno-supressivas, câncer na cabeça ou pescoço, doenças no sangue ou reticuloendoteliais (leucemia e doença de Hodgkin), doença renal em estágio avançado, gastrectomia, síndromes de mal-absorção crônicas, ou baixo peso corporal (10% ou mais de peso abaixo do ideal).

A tuberculose afeta principalmente os pulmões (75% ou mais) e é chamada de tuberculose pulmonar.

Os sintomas incluem tosse prolongada com duração de mais de três semanas, dor no peito e hemoptise. Outros sintomas incluem febre, calafrios, suores noturnos, perda de apetite e de peso, e cansaço fácil. A palavra consunção (consumpção, em Portugal) surgiu porque os doentes pareciam ter sido "consumidos por dentro" pela doença.

Outros locais do corpo que são afetados incluem a pleura, o sistema nervoso central (meninges), o sistema linfático, o sistema genitourinário, ossos e juntas, ou pode ser disseminada pelo corpo (tuberculose miliar - assim chamada porque as lesões que se formam parecem pequenas sementes). Estas são mais comuns em pessoas com supressão imunológica e em crianças. A tuberculose pulmonar também pode evoluir a partir de uma tuberculose extrapulmonar.

Resistência a medicamentos

A tuberculose resistente é transmitida da mesma forma que as formas sensíveis a medicamentos. A resistência primária se desenvolve em pessoas infectadas inicialmente com microorganismos resistentes. A resistência secundária (ou adquirida) surge quando a terapia contra a tuberculose é inadequada ou quando não se segue ou se interrompe o regime de tratamento prescrito.

Diagnóstico

Uma avaliação médica completa para a TB inclui um histórico médico, um exame físico, o teste subcutâneo de Mantoux, um raio-x do tórax e estudo sob microscópio e culturas microbiológicas.

Histórico médico

O histórico médico inclui a obtenção de sintomas da tuberculose pulmonar (TB): tosse intensa e prolongada por três ou mais semanas, dor no peito e hemoptise. Sintomas sistêmicos incluem febre, calafrios, suores noturnos, perda de apetite e peso, e cansaço fácil. Outras partes do histórico médico incluem exposição anterior à tuberculose, na forma de infecção ou doença; tratamento anterior de TB; fatores de risco demográficos para a TB; e condições médicas que aumentem o risco de infecção por tuberculoses, tais como a infecção por HIV.

Deve-se suspeitar de tuberculose quando uma doença respiratória persistente - num indivíduo que de outra forma seria saudável - não estiver respondendo aos antibióticos regulares.

Exame físico

Um exame físico é feito para avaliar a saúde geral do paciente e descobrir outros fatores que podem afetar o plano de tratamento da TB. Não pode ser usado como diagnosticador da TB.

Raio-x do tórax

A tuberculose cria cavidades visíveis nas radiografias
A tuberculose cria cavidades visíveis nas radiografias
como esta, na parte superior do pulmão direito.

Um raio-x posterior e anterior do tórax é o tradicionalmente feito; outras vistas (lateral ou lordótico) ou imagens de tomografia computadorizada podem ser necessárias.

Em TB pulmonar ativa, infiltrações ou consolidações e/ou cavidades são freqüentemente vistas na parte superior dos pulmões com ou sem linfadenopatia (doença nos nódulos linfáticos) mediastinal ou hilar. No entanto, lesões podem aparecer em qualquer lugar nos pulmões. Em pessoas com HIV e outras imuno-supressões, qualquer anormalidade pode indicar a TB, ou o raio-x dos pulmões pode até mesmo parecer inteiramente normal.

Em geral, a tuberculose anteriormente tratada aparece no raio-x como nódulos pulmonares na área hilar ou nos lóbulos superiores, apresentando ou não marcas fibróticas e perda de volume. Bronquiectastia (isto é, dilatação dos brônquios com a presença de catarro) e marcas pleurais podem estar presentes.

Nódulos e cicatrizes fibróticas podem conter bacilos de tuberculose em multiplicação lenta, com potencial para progredirem para uma futura tuberculose ativa. Indivíduos com estas características em seus exames, se tiverem um teste positivo de reação subcutânea à tuberculina, devem ser consideradas candidatos de alta prioridade ao tratamento da infecção latente, independente de sua idade. De modo oposto, lesões granulares calcificadas (granulomas calcificados) apresentam baixíssimo risco de progressão para uma tuberculose ativa.

Anormalidades detectadas em radiografias do tórax podem sugerir, porém, nunca são exatamente o diagnóstico, de uma TB. Entretanto, estas radiografias podem ser usadas para descartar a possibilidade de tuberculose pulmonar numa pessoa que tenha reação positiva ao teste de tuberculina mas que não tenha os sintomas da doença.

Estudos microbiológicos

Grupos de Mycobacterium tuberculosis podem ser vistos nitidamente nesta cultura.
Grupos de Mycobacterium tuberculosis podem ser vistos nitidamente nesta cultura.

Análises de amostras de escarro e culturas microbiológicas devem ser feitas para detectar o bacilo, caso o paciente esteja produzindo secreção. Se não estiver produzindo-a, uma amostra coletada na laringe, uma broncoscopia ou uma aspiração por agulha fina podem ser consideradas. O bacilo pode ser cultivado, apesar de crescer lentamente e então, ou imediatamente após colheita da amostra corado (com a técnica de Ziehl-Neelsen) e observado ao microscópio óptico.

Teste intradermico de tuberculina

O teste subcutâneo de Mantoux é usado nos EUA e no Canadá. O teste de Heaf é usado no Reino Unido

Teste cutâneo de tuberculina, ou Teste de Mantoux

Dentre a gama de testes disponíveis para avaliar a possibilidade de TB, o teste de Mantoux envolve injeção subcutânea de tuberculina e a medição do tamanho de qualquer reação após três dias.
Dentre a gama de testes disponíveis para avaliar a possibilidade de TB, o teste de Mantoux envolve injeção subcutânea de tuberculina e a medição do tamanho de qualquer reação após três dias.

O teste de Mantoux deve ser feito em todos os casos de suspeita de tuberculose, apesar de que seus resultados devem ser interpretados com cuidado. O derivado de proteína purificada (ou PPD), que é um precipitado obtido de culturas filtradas e esterilizadas, é injetado de forma intradérmica (isto é, dentro da pele) e o exame é feito entre 48 e 72 horas depois. Um paciente que foi exposto à bactéria deve apresentar uma resposta imunológica na pele.

Classificação da reação à tuberculina

Um endurecimento de mais de 5-15 mm (dependendo dos fatores de risco da pessoa) a 10 unidades de Mantoux é considerado um resultado positivo, indicando infecção por TB.

5 mm ou mais de tamanho são positivos para a TB em:
10 mm ou mais é positivo em:
15 mm ou mais é positivo em:

Um teste negativo não exclui tuberculose ativa, especialmente se o teste foi feito entre 6 e 8 semanas após adquirir-se a infecção; se a infecção for intensa, ou se o paciente tiver comprometimento imunológico.

Não há relação entre a eficácia da vacina BCG e um teste de Mantoux positivo.

Após uma vacinação por BCG, um teste de Mantoux não é inútil nem desnecessário. Uma BCG é suficiente; a revacinação não é útil. Uma vacinação prévia por BCG dá, por vezes, resultados falso-positivos. Isto torna o teste de Mantoux pouco útil em pessoas vacinadas por BCG.

A fim de melhorar o Teste de Mantoux, outros testes estão sendo desenvolvidos. Um dos considerados promissores observa a reação de linfócitos-T aos antígenos ESAT6 e CFP10.

Teste de Heaf

O Teste de Heaf é usado no Reino Unido, e também injeta a proteína purificada (PPD) na pele, observando-se a reação resultante.

Quando alguém é diagnosticado com tuberculose, todos os seus contatos próximos devem ser investigados com um teste de Mantoux e/ou raios-x do tórax, a critério médico.

Sistema de classificação

O sistema de classificação para a tuberculose mostrado abaixo é baseado no grau de patogenia da doença.

Os agentes de saúde devem obedecer às leis de cada país no tocante à notificação de casos de tuberculose. As situações descritas em 3 ou 5 na tabela abaixo devem ser imediatamente notificadas às autoridades de saúde locais.

Sistema de classificação para a tuberculose (TB)
Classe Tipo Descrição
0 Nenhuma exposição à TB
Não infectado
Nenhum histórico de exposição
Reação negativa ao teste de tuberculina dérmico
1 Exposição à TB
Nenhuma evidência de infecção
Histórico de exposição
Reação negativa ao teste dérmico de tuberculina
2 Infecção de TB
Sem doença
Reação positiva ao teste dérmico de tuberculina
Estudos bacteriológicos negativos (caso tenham sido feitos)
Nenhuma evidência clínica, bacteriológica ou radiográfica de TB
3 TB clinicamente ativa Cultura de M. tuberculosis (caso tenha sido feita)
Evidências clínicas, bacteriológicas, ou radiográficas da doença
4 TB
não ativa clinicamente
Histórico de episódio(s) de TB
ou
Sinais anormais porém estáveis nas radiografias
Reação positiva ao teste dérmico de tuberculina
Estudos bacteriológicos negativos (se feitos)
e
Nenhuma evidência clínica ou radiográfica de presença da doença
5 Suspeita de TB Diagnóstico pendente
A doença deve ser confirmada ou descartada dentro de 3 meses

Tratamento

Pessoas com infecção de TB (classes 2 ou 4), mas que não têm a doença (como nas classes 3 ou 5), não espalham a infecção para outras pessoas. A infecção por TB numa pessoa que não tem a doença não é considerada um caso de TB e normalmente é relatada como uma infecção latente de TB. Esta distinção é importante porque as opções de tratamento são diferentes para quem tem a infecção latente e para quem tem a doença ativa.

Tratamento de infecção latente de tuberculose

O tratamento da infecção latente é essencial para o controle e eliminação da TB, pela redução do risco de a infecção vir a tornar-se doença ativa.

Avaliação para descartar TB ativa é necessária antes que um tratamento para tuberculose latente seja iniciado.

Candidatos ao tratamento de tuberculose latente são aqueles grupos de muito alto risco, com reação positiva à tuberculina de 5 mm ou mais, assim como aqueles grupos de alto risco com reações cutâneas de 10 mm ou mais. Veja em inglês na Wikipédia,classification of tuberculin reaction.

Há vários tipos de tratamento disponíveis, a critério médico.

Contatos próximos

Contatos próximos são aqueles que dividem a mesma habitação ou outros ambientes fechados. Aqueles com riscos maiores são as crianças com idade inferior a 4 anos, pessoas imuno-deprimidas e outros que possam desenvolver a TB logo após uma infecção. Contatos próximos que tenham tido uma reação negativa ao teste de tuberculina (menos de 5 mm) devem ser novamente testados 10 a 12 semanas após sua última exposição à TB. O tratamento da tuberculose latente pode ser descontinuado a critério médico.

Crianças e adolescentes

Crianças com menos de 4 anos de idade têm grande risco de progressão de uma infecção para a doença, e de desenvolverem formas de TB potencialmente fatais. Estes contatos próximos normalmente devem receber tratamento para tuberculose latente mesmo quando não os testes de tuberculina ou o raio-x do tórax não sugere TB.

Um segundo teste de tuberculina normalmente é feito de 10 a 12 semanas após a última exposição à TB infecciosa, para que se decida se o tratamento será descontinuado ou não.

Turbeculose primaria

Tratamento de tuberculose ativa

Os tratamentos mais recentes para a tuberculose ativa incluem uma combinação de drogas, às vezes num total de quatro, que são reduzidas após certo tempo, a critério médico. E por que várias drogas e não uma só? Porque se for usada apenas uma, todas as bactérias sensíveis à droga morrem, e, três meses depois, o paciente sofrerá infecção de bactérias que conseguiram resistir à primeira droga. Alguns medicamentos matam a bactéria, outros agem contra a bactéria infiltrada em células, e outros, ainda, impedem a sua multiplicação. Ressalte-se que o tratamento deve seguir uma continuidade com acompanhamento médico, e não suspenso pelo paciente após uma simples melhora. Com isto evita-se que cepas da bactéria mais resistentes sobrevivam no organismo, e retornem posteriormente com uma infecção mais difícil de curar.

Prevenção

A imunização com vacina BCG dá entre 50% a 80% de resistência à doença. Em áreas tropicais onde a incidência de mycobactérias atípicas é elevada (a exposição a algumas "mycobacteria" não transmissoras de tuberculose dá alguma proteção contra a TB), a eficácia da BCG é bem menor. No Reino Unido, crianças entre os 10 e os 14 anos são normalmente vacinadas durante o período escolar.

História

Por conta de seus variados sintomas, a tuberculose não era identificada como uma única doença até à segunda década do século XIX, e não era chamada de tuberculose até ser batizada em 1839 por J.L. Schoenlein. Algumas formas da doença provavelmente eram conhecidas deste a Grécia antiga, senão antes, considerando-se que a doença se originou a partir do primeiro gado domesticado (no qual também originou a varíola humana).

O bacilo causador da doença, Mycobacterium tuberculosis foi descrito em 24 de março de 1882 por Robert Koch. Ele recebeu em 1905 o Prémio Nobel de medicina por sua descoberta. Koch não acreditava que as tuberculoses bovina e humana fossem similares, o que impediu o reconhecimento do leite infectado como fonte da doença. Mais tarde, esta fonte foi eliminada graças à pasteurização. Koch apresentou um extrato de glicerina com o bacilo da tuberculose como um "remédio" para a doença em 1890, chamando-o de tuberculina. Ele não teve eficácia, porém, foi mais tarde adaptado por von Pirquet para um teste para tuberculose pré-sintomática.

O primeiro sucesso genuíno de vacinação contra a tuberculose foi desenvolvido a partir de linhagens atenuadas da tuberculose bovina, e criado por Albert Calmette e Camille Guerin em 1906. Era a vacina BCG (Bacilo de Calmette e Guerin). Ela foi usada pela primeira vez em humanos em 18 de julho de 1921 na França, apesar de arrogâncias nacionais terem impedido a disseminação de seu uso, seja nos EUA, Reino Unido ou Alemanha até o final da Segunda Guerra Mundial.

A tuberculose causou enorme preocupação pública no século XIX e no início do século XX, como a doença endêmica entre as classes pobres das cidades. Na Inglaterra de 1815, uma entre quatro mortes eram devido à tísica pulmonar; por volta de 1918, uma dentre seis mortes na França ainda era causada pela TB. Depois de ter ficado claro, por volta de 1880, que a doença era contagiosa, a tuberculose se tornou uma doença de notificação obrigatória na Grã Bretanha; foram feitas campanhas para que não se escarrasse em locais públicos, e as pessoas com a infecção eram "encorajadas" a irem para sanatórios que chegavam a lembrar prisões. Apesar dos "benefícios" do ar fresco e do trabalho apregoados nos sanatórios, 75% dos que neles entravam morriam num prazo de 5 anos (dados de 1908).

A preocupação com a disseminação foi tanta em alguns países, como os EUA, que chegou a surgir um movimento contrário a que se escarrasse em público, exceto em locais com escarradeiras.

Na Europa, as mortes por TB caíram de 500 por 100 000 pessoas em 1850 para 50 em 100 000 por volta de 1950. Melhorias na saúde pública já vinham reduzindo a incidência de tuberculose mesmo antes do surgimento dos antibióticos, apesar de a importância da doença ainda ser grande quando o chamado Medical Research Council da Grã-Bretanha lançou seus primeiros projetos para a doença em 1913.

Somente após 1946, com o desenvolvimento do antibiótico estreptomicina é que o tratamento, e não apenas a prevenção, se tornaram possíveis. Antes disso, somente a intervenção cirúrgica era possível como tratamento (além dos sanatórios), incluindo a técnica do pneumotórax: provocar o colapso de um pulmão infectado para deixá-lo "descansar" e permitir a cicatrização das lesões, técnica muito habitual mas pouco benéfica, e que foi posta de lado após 1946.

Esperanças de que a doença pudesse ser completamente eliminada foram frustradas desde o surgimento de cepas de bacilos resistentes aos antibióticos nos anos 80. Por exemplo, os casos de TB no Reino Unido, por volta de 50 000 em 1955, caíram para cerca de 5 500 em 1987, mas em 2001 havia mais de 7 000 casos confirmados. Por conta da eliminação de instalações de tratamento públicas em Nova Iorque nos anos 70, houve uma resurgência da doença nos anos 80. O número daqueles que interrompem seu tratamento é muito alto. Nova Iorque teve que lidar com mais de 20 000 pacientes "desnecessários" com muitas cepas resistentes a muitas das drogas normalmente usadas. O ressurgimento da tuberculose resultou na declaração de uma emergência médica global pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1993.

Em 2003, pesquisadores criaram acidentalmente, em laboratório, uma cepa mais letal e de reprodução mais rápida de bactérias da tuberculose.

A tuberculose na arte e na literatura

A tuberculose influenciou alguns artistas do movimento literário conhecido como Romantismo, como Lorde Byron (na Inglaterra) ou Álvares de Azevedo, no Brasil. A aparência pálida, "assombrada" dos que sofriam de tuberculose é vista como influência nos trabalhos de Edgar Allan Poe e nas histórias sobre vampiros. Num período recente, esta estética foi revivida pela subcultura "gótica". Nessa época, ficou conhecida como o "Mal do Século".

Mimi, a heroína da ópera de Puccini, La Bohème, sofre de tuberculose (um tema transportado para a moderna adaptação para o cinema Moulin Rouge!) - o mesmo acontece com Violeta, de "La Traviata" de Verdi, inspirada na obra de Alexandre Dumas, filho, "A Dama das Camélias".

Na novela da escritora norte-americana Sylvia Plath The Bell Jar, o protagonista Buddy Willard sofre de tuberculose.

A Montanha Mágica de Thomas Mann, relata uma visita de um jovem, Hans Castorp, a um sanatório em Davos na Suíça, onde está um seu primo. No sanatório, Hans descobre estar também com a doença e prolongará aí a sua estadia. No Brasil, no século XX, a doença influenciou muitas obras do poeta modernista Manuel Bandeira, nascido em 1886 e tuberculoso desde os dezoito anos, como o seu poema "Pneumotórax".

Os percursores da hidroterapia

É famosa a história do modo como o jovem Sebastian Kneipp curou da tuberculose um colega de estudos, regando-o secretamente, de noite, no pátio do Seminário Georgiano de Munique, com baldes de água fria. Kneipp aplicou mais vezes este tratamento a outros doentes com grande êxito, o que acabou por tornar o regador símbolo da sua terapêutica. Com efeito, os tratamentos à base de água corrente fria já eram conhecidos na antiguidade. Assim já no séc. V a.C. o grande médico grego Hipócrates fazia amplo uso das aspersões com água fria. Este método terapêutico é também assinalado pelo sábio romano Celso na época do nascimento de Cristo. No séc. II d.C., Galdeno, o último grande médico da Antiguidade, dava indicações explícitas sobre a utilização de banhos frios como medida terapêutica. Contudo só alcançaram renome mundial com as práticas e escritos de Kneipp.

É um dos métodos mais importantes da Fisioterapia, desenvolvido especialmente por S.HAHN, S.KNEIPP e V.PRIESSNITZ. A acção curativa fundamenta-se na diferença de temperatura existente entre o corpo e a água. Distingue-se entre hidroterapia fria ou quente. Entre as formas de hidroterapia contam-se os banhos de imersão, duches, vapores, lavagens, etc.

Uma das características da Hidroterapia de Kneipp é a prescrição de duches frios ou alternadamente quentes e frios, que mais tarde se vieram a chamar de «ESCOCESES» Este método de cura surgiu de uma situação de emergência acima mencionada.

Fonte: pt.wikipedia.org

TUBERCULOSE

A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria chamada “bacilo de Koch”.

A transmissão ocorre através do ar. Enfermos não tratados costumam eliminar grande quantidade de bactérias no ar ambiente tossindo, falando ou espirrando. Estes micróbios podem ser inspirados por pessoas saudáveis, levando ao adoecimento.

Os principais sintomas são tosse (por mais de 15 dias), febre (mais comumente ao entardecer), suores noturnos, falta de apetite, emagrecimento e cansaço fácil. Além do pulmão, a doença pode ocorrer em outros órgãos como as meninges (meningite), ossos, rins e etc.

Caso a pessoa apresente estes sintomas deve procurar o Posto de Saúde mais próximo de sua casa para ser examinado pelo médico. Para confirmar se o paciente realmente tem tuberculose, o médico poderá solicitar uma radiografia do tórax (“chapa” do pulmão) e o exame do escarro (baciloscopia).

A doença é curável através de tratamento com remédios fornecidos gratuitamente nos Postos de Saúde. É muito importante que os pacientes com tuberculose não interrompam seu tratamento, para evitar o surgimento de micróbios resistentes aos remédios e o adoecimento de novas pessoas.

Fonte: www.saude.rj.gov.br

Tuberculose

A tuberculose é uma infecção contagiosa, potencialmente mortal, causada por uma bactéria que se encontra no ar chamada Mycobacterium tuberculosis,M. bovis ou M. africanum.

O termo «tuberculose» faz referência à doença mais frequentemente causada pelo Mycobacterium tuberculosis, mas que, por vezes, também pode ser devida à acção do M. bovis ou do M. africanum. Apesar de outras micobactérias provocarem afecções semelhantes à tuberculose, essas infecções não são contagiosas e a maioria delas não responde aos medicamentos que, em contrapartida, se revelam muito eficazes contra a tuberculose.

Os seres humanos padecem de tuberculose desde a Antiguidade. Ela converteu-se num imenso flagelo na Europa durante a Revolução Industrial, quando as cidades se povoaram de forma exagerada e representou então mais de 30 % dos óbitos. Com o desenvolvimento do antibiótico estreptomicina nos anos 40, da isoniazida nos anos 50, do etambutol nos anos 60 e da rifampicina nos anos 70, a batalha contra a tuberculose parecia ganha. Contudo, em meados da década de 80, o número de casos em alguns países começou novamente a aumentar. A SIDA, juntamente com o excesso populacional e as más condições sanitárias de muitas zonas urbanas, os albergues para pessoas sem casa e as prisões, fizeram com que voltasse a ser um problema grave de saúde pública. Além disso, é particularmente preocupante que algumas variedades de bactérias responsáveis se tenham tornado resistentes aos antibióticos utilizados para tratar a doença. De qualquer modo, em alguns dos países referidos a incidência da tuberculose está de novo a começar a diminuir.

Esta doença é mais frequente entre as pessoas de idade avançada. Existem três razões básicas para que se verifiquem mais casos entre os indivíduos de provecta idade: 1) muitos foram infectados quando a tuberculose era mais frequente; 2) com a passagem dos anos, a eficiência do sistema imunitário do organismo reduz-se, o que possibilita que as bactérias inactivas sejam reactivadas, e 3) os idosos que se encontram em centros de cuidados crónicos têm maior probabilidade de estar mais em contacto com adultos da mesma idade, correndo o risco de contrair a doença.

A doença é em parte devida a condições de maior pobreza e de salubridade deficiente e, em parte, à forma como evoluiu a tuberculose. Durante milhares de anos, a tuberculose cobrou um preço muito elevado na Europa, que era povoada principalmente por brancos; os mais resistentes à doença conseguiram sobreviver e reproduzir-se. Como consequência, essas pessoas transmitiram os genes da resistência à tuberculose às gerações seguintes. Pelo contrário, deve assinalar-se que entre os grupos étnicos que contraíram a doença numa época relativamente recente (como se tem observado, por exemplo, na população de etnia negra americana que foi contagiada pela primeira vez à sua chegada ao novo continente) a incidência da tuberculose é maior, dado que tiveram muito menos tempo para desenvolver genes resistentes e transmiti-los à sua descendência.

Como se desenvolve a infecção

Actualmente nos países desenvolvidos, a tuberculose só se transmite inalando ar contaminado com Mycobacterium tuberculosis num ambiente fechado. Para que o ar se contamine, uma pessoa com tuberculose activa terá de expelir as bactérias com a tosse e estas poderão permanecer no ar durante várias horas.

No entanto, um feto pode adquirir tuberculose através da mãe, antes ou durante o nascimento, por respirar ou engolir líquido amniótico infectado, e um lactente pode contrair a doença, depois de nascer, ao respirar ar que contenha gotículas infectadas. (Ver secção 23, capítulo 253) Nos países em vias de desenvolvimento, as crianças podem infectar-se com outra micobactéria que cause tuberculose. Este organismo, chamado Mycobacterium bovis, pode ser transmitido através do leite não pasteurizado.

O sistema imunitário de uma pessoa afectada com tuberculose destrói habitualmente as bactérias ou então encerra-as no local da infecção. De facto, cerca de 90 % a 95 % de todas as infecções por tuberculose saram sem que a pessoa sequer o note.

Todavia, por vezes as bactérias não são destruídas, antes permanecendo inactivas dentro de determinados glóbulos brancos (chamados macrófagos) durante muitos anos. Aproximadamente 80 % das infecções tuberculosas são causadas pela activação de bactérias inactivas. As bactérias que vivem nas cicatrizes que a infecção inicial deixa (localizadas geralmente na parte superior de um ou de ambos os pulmões) podem começar a multiplicar-se. A activação de bactérias inactivas pode ter lugar quando o sistema imunitário do indivíduo não funciona bem (por exemplo, em virtude da SIDA, do uso de corticosteróides ou da idade avançada), caso em que a afecção pode pôr a sua vida em perigo.

Geralmente uma pessoa infectada com tuberculose tem uns 5 % de probabilidades de vir a desenvolver uma infecção activa num período de um a dois anos. A eclosão da tuberculose varia em grande medida de pessoa para pessoa, dependendo de diversos factores, como a origem étnica.

Contudo, o índice de progressão depende, em particular, da força do sistema imunológico do indivíduo. Por exemplo, a progressão de uma infecção activa é muito mais provável e rápida nos doentes com SIDA. Um doente com SIDA que aparece infectado com tuberculose tem 50 % de probabilidades de desenvolver uma doença activa antes de dois meses. Se as bactérias que causam a infecção tuberculosa se tornam resistentes aos antibióticos, uma pessoa com SIDA e tuberculose tem 50 % de probabilidades de morrer num lapso de tempo de dois meses.

A tuberculose activa começa habitualmente nos pulmões (tuberculose pulmonar). A tuberculose que afecta outras partes do organismo (tuberculose extrapulmonar) costuma provir de uma infecção tuberculosa pulmonar que se disseminou através do sangue. Como no caso dos pulmões, a infecção pode não causar doença, dado que as bactérias podem permanecer inactivas acantonadas numa pequena cicatriz.

Sintomas e complicações

De início, uma pessoa infectada pode simplesmente não se sentir bem ou ter uma tosse que é atribuída ao tabaco ou a um episódio recente de gripe. A tosse pode produzir uma pequena quantidade de expectoração verde ou amarela pela manhã. A quantidade de expectoração aumenta habitualmente à medida que a doença progride. Finalmente, a expectoração pode surgir raiada de sangue, embora não seja frequente encontrá-lo em grandes quantidades.

Um dos sintomas mais frequentes é o facto de se acordar durante a noite empapado num suor frio que obriga a pessoa a mudar de roupa ou mesmo a trocar de lençóis. Este suor é devido à descida da ligeira febre de que o doente se não apercebe.

A dificuldade em respirar pode indicar a presença de ar (pneumotórax) ou líquido (derrame pleural) no espaço da pleura. (Ver secção 4, capítulo 44) Cerca de um terço das infecções que se declaram fazem-no sob a forma de derrame pleural. Aproximadamente 95 % dos derrames pleurais que afectam os adultos jovens são causados por uma infecção recente por Mycobacterium tuberculosis. Em geral torna-se difícil estabelecer o diagnóstico, mas os médicos experientes sabem que a referida situação deve ser tratada como tuberculose porque, caso contrário, cerca de metade das infecções acabariam por se converter numa verdadeira tuberculose do pulmão ou de outro órgão.

Numa primoinfecção tuberculosa as bactérias transferem-se da lesão do pulmão para os gânglios linfáticos que drenam esse órgão. Se as defesas naturais do organismo puderem controlar a infecção, esta não prossegue o seu avanço e as bactérias são inactivadas. Contudo, nas crianças, os gânglios linfáticos podem aumentar de volume e comprimir os brônquios, causando uma tosse metálica e até, possivelmente, um colapso pulmonar.

Ocasionalmente as bactérias disseminam-se pelos canais linfáticos até formar um grupo compacto (massa) de gânglios no pescoço. Estes gânglios linfáticos podem rebentar, romper a pele e deixar sair o pus através dessa abertura.

A tuberculose pode afectar outros órgãos do corpo além dos pulmões, numa doença denominada tuberculose extrapulmonar. Os rins e os ossos são provavelmente os locais onde mais frequentemente se desenvolve a tuberculose extrapulmonar. A tuberculose dos rins pode determinar poucos sintomas, mas a infecção é capaz de destruir parte desses órgãos. A partir daí, a tuberculose pode propagar-se para a bexiga, mas, diferentemente de outras infecções vesicais, pode não provocar muitos sintomas.

Nos homens, a infecção também se pode propagar à próstata, às vesículas seminais e ao epidídimo, formando uma tumefacção no escroto. Nas mulheres, a tuberculose pode cicatrizar os ovários e as trompas de Falópio, provocando esterilidade. A partir dos ovários, a infecção pode propagar-se ao peritoneu (a membrana que reveste a cavidade abdominal). Os sintomas desta doença, chamada peritonite tuberculosa, podem variar desde a fadiga e queixas de estômago ligeiras com alguma dor à palpação até uma dor intensa parecida com a da apendicite.

A infecção pode propagar-se até uma articulação, causando artrite tuberculosa. A articulação fica inflamada e dói. As mais frequentemente afectadas são as que suportam mais peso (as ancas e os joelhos), mas os ossos do pulso, da mão e do cotovelo também podem ser lesados.

A tuberculose pode infectar a pele, os intestinos e as glândulas supra-renais. Registaram-se mesmo casos em que a infecção se localizou na parede da aorta (a principal artéria do corpo), causando a sua ruptura. Quando a tuberculose se propaga ao pericárdio (o saco membranoso que rodeia o coração), este dilata-se em virtude da presença de líquido, uma doença conhecida como pericardite tuberculosa. Este líquido pode afectar o bombear de sangue por parte do coração. Os sintomas são febre, dilatação das veias do pescoço e dificuldade em respirar.

Uma infecção tuberculosa localizada na base do cérebro (meningite tuberculosa) é extremamente perigosa. Em alguns países desenvolvidos, a meningite tuberculosa é, actualmente, mais frequente entre as pessoas de idade avançada. Nos países em vias de desenvolvimento, é mais frequente entre as crianças, desde a nascença até aos 5 anos. Os sintomas da meningite tuberculosa são febre, dor de cabeça constante, náuseas e sonolência que pode acabar em coma. A nuca costuma estar tão rígida que o queixo não consegue tocar no peito. Quanto mais se atrasar o tratamento, mais probabilidades há de que ocorram danos cerebrais irreparáveis. Por vezes, enquanto a pessoa afectada de meningite tuberculosa melhora, pode ter-se formado no cérebro uma massa semelhante a um tumor chamada tuberculoma. Este pode provocar sintomas como fraqueza muscular, semelhante à causada por um acidente vascular cerebral, e é possível que tenha de ser extirpado cirurgicamente.

A tuberculose miliar

Quando um grande número de bactérias se dissemina por todo o corpo através da corrente sanguínea, pode produzir-se uma variedade de tuberculose que põe a vida em perigo. Esta infecção recebe o nome de tuberculose miliar devido aos milhões de pequenas lesões do tamanho de um grão de alpista, as pequenas sementes arredondadas que as aves silvestres comem.

Os sintomas da tuberculose miliar podem ser muito difusos e difíceis de identificar; entre eles figuram a perda de peso, febre, arrepios, fraqueza, mal-estar geral e dificuldade em respirar. Se a medula óssea for afectada, é possível que a pessoa tenha uma anemia intensa e outras anomalias do sangue, que sugerem a presença de leucemia. Uma libertação intermitente de bactérias para a corrente sanguínea a partir de uma lesão oculta pode causar febre intermitente, com um enfraquecimento gradual do organismo.
Tuberculose miliar

Nas crianças as bactérias podem infectar a coluna (as vértebras) e as extremidades dos ossos conmpridos dos braços e das pernas. Se as vértebras forem afectadas, surge dor. Como nestes casos as radiografias da coluna podem ser normais, é possível que seja necessário utilizar outras técnicas, como a tomografia axial computadorizada (TAC) ou a ressonância magnética (RM). Se a doença não receber tratamento, uma ou duas vértebras podem achatar-se e causar paralisia nas pernas.

Nos países em vias de desenvolvimento, as bactérias da tuberculose podem ser transmitidas através de leite contaminado e instalar-se nos gânglios linfáticos do pescoço ou então no intestino delgado. Dado que a membrana mucosa do tubo digestivo é resistente às bactérias, só se verificará uma infecção se um grande número destas permanecerem no intestino delgado durante muito tempo ou se o sistema imunitário for deficiente. A tuberculose intestinal pode não causar nenhum sintoma, mas antes provocar um crescimento anormal de tecido na zona infectada, que assim pode confundir-se com um tumor.

Diagnóstico

Em geral, o primeiro indício de tuberculose é uma radiografia do tórax anormal, efectuada no contexto de uma avaliação para diagnosticar uma doença com sintomas muito vagos. Na radiografia, a doença manifesta-se como zonas brancas irregulares que contrastam com o fundo normalmente escuro, embora outras infecções e o cancro possam dar as mesmas imagens. Também pode revelar a presença de derrame pleural ou mesmo um aumento da silhueta do coração (pericardite).

O diagnóstico depende dos resultados da prova cutânea da tuberculina e do exame da expectoração, no qual se pesquisa o Mycobacterium tuberculosis.

Apesar de a prova da tuberculina ser uma das mais úteis no momento de diagnosticar a doença, ela só indica que houve uma infecção pela referida bactéria em algum momento do passado. Não indica se a infecção se encontra activa na actualidade, nem se em algum local do organismo há bactérias tuberculosas vivas.

Prova de tuberculina

A prova cutânea da tuberculina efectua-se injectando uma pequena quantidade de proteína derivada das bactérias da tuberculose entre as camadas da pele, geralmente no antebraço. Por vezes, injecta-se uma substância de controlo noutro ponto, que contenha algum elemento perante o qual os indivíduos geralmente reajam, como leveduras ou fungos.

Aproximadamente dois dias depois observa-se o local da injecção: o inchaço e a vermelhidão indicam um resultado positivo. Se uma pessoa não reagir à substância de controlo, é possível que o seu sistema imunitário não esteja a funcionar de forma adequada. Nesse caso, um resultado negativo de uma prova cutânea da tuberculina poderá ser incorrecto (falso negativo). As pessoas afectadas de tuberculose grave e cujo sistema imunitário seja deficiente também poderão fornecer falsos resultados negativos ao serem submetidas a esta prova.

Para se certificar do diagnóstico, o médico tem de obter uma amostra de expectoração, líquido infectado ou tecido para a analisar no laboratório. É possível utilizar uma agulha para se obter uma amostra de líquido do peito, do abdómen, de uma articulação ou do saco que rodeia o coração. Para obter uma pequena porção de tecido infectado, provavelmente será necessário recorrer a um procedimento de pequena cirurgia denominado biopsia. A expectoração pode constituir uma amostra pulmonar adequada; caso contrário, o médico pode utilizar um instrumento chamado broncoscópio para inspeccionar os canais brônquicos e obter amostras de muco ou de tecido pulmonar.

Provavelmente será necessário efectuar uma punção da coluna vertebral para obter uma amostra de líquido da espinal medula (líquido cefalorraquidiano), com o objectivo de procurar confirmação de uma meningite tuberculosa, uma infecção das membranas que cobrem o cérebro e a espinal medula. A amostra de líquido é enviada a um laboratório que disponha do equipamento necessário para efectuar uma análise chamada «reacção em cadeia da polimerase» (PCR). Apesar de o médico poder contar com os resultados das análises rapidamente, costuma-se administrar antibióticos face à mais leve suspeita de meningite tuberculosa, com a finalidade de evitar a morte do doente e reduzir ao mínimo o dano cerebral.

O exame dos rins à procura de tuberculose é consideravelmente mais difícil do que no sector pulmonar.

Para a análise de PCR pode utilizar-se uma amostra de urina, mas é possível que sejam necessários outros exames para determinar qual o dano que a doença já causou.

Por exemplo, o médico pode usar uma técnica radiológica na qual se injecta um contraste. O referido contraste delimita o contorno dos rins na radiografia e revela qualquer massa ou cavidade anormal que possa ser causada pela tuberculose. Em certos casos, o médico utiliza uma agulha para obter uma amostra do tecido de uma massa. A amostra é examinada ao microscópio para distinguir se se trata de um tumor ou de tuberculose.

Para confirmar a tuberculose dos órgãos reprodutores femininos, o médico pode examinar a pelve com um tubo que possui uma lâmpada numa das suas extremidades (laparoscópio). Por vezes, a doença pode ser descoberta através de um exame ao microscópio de amostras colhidas na parte interna do útero.

Em alguns casos, necessita-se de uma amostra de tecido do fígado, de um gânglio linfático ou da medula óssea. Apesar de, em geral, ser possível obter essas amostras mediante uma agulha, pode ser às vezes necessário recorrer à cirurgia.

Tratamento

Em quase todas as situações os antibióticos curam mesmo os casos mais avançados de tuberculose. Os antibióticos que se podem utilizar são cinco e a sua eficácia é tal que uma só bactéria em cada milhão escapa ao seu efeito. Como uma infecção de tuberculose pulmonar activa costuma conter 1000 milhões de bactérias ou mais, qualquer fármaco que se administrasse isoladamente deixaria mil microrganismos totalmente resistentes à sua acção. Como consequência, é necessário administrar pelo menos dois fármacos com mecanismos de acção diferentes que, associados, possam destruir virtualmente todas as bactérias. O tratamento deve continuar inclusivamente muito depois de o doente se sentir completamente bem, porque leva muito tempo até conseguir eliminar aquelas bactérias de crescimento lento e reduzir a possibilidade de recaída quase a zero.

Os antibióticos mais frequentemente utilizados são: a isoniazida, a rifampicina, a pirazinamida, a estreptomicina e o etambutol. Os três primeiros fármacos podem estar contidos no mesmo comprimido. Isso reduz o número de comprimidos que o doente tem de tomar diariamente e assegura o cumprimento adequado da terapêutica.

Os antibióticos isoniazida, rifampicina e pirazinamida podem causar náuseas e vómitos como resultado do seu efeito sobre o fígado. Nos casos em que se verifiquem efectivamente náuseas e vómitos, os medicamentos devem deixar de ser administrados até que se possam fazer análises da função hepática.

Se os resultados mostrarem uma reacção apenas a um deles, em regra costuma encontrar-se um substituto satisfatório para poder completar o tratamento.

O etambutol começa a ser aplicado numa dose relativamente elevada para ajudar a reduzir rapidamente o número de bactérias. A dose é reduzida ao cabo de dois meses, com o fim de evitar efeitos colaterais prejudiciais para os olhos. A estreptomicina foi o primeiro fármaco considerado eficaz contra a tuberculose; deve, porém, ser administrada por injecção. Apesar de continuar a ser um medicamento muito eficaz contra as infecções avançadas, pode afectar o sentido do equilíbrio e a audição se for administrado em grandes doses ou durante mais de três meses.

Actualmente quase nunca é necessário extrair cirurgicamente uma parte do pulmão, desde que o doente siga rigorosamente o esquema de tratamento.

No entanto, em certos casos, é preciso recorrer à cirurgia para drenar o pus de onde ele se tiver acumulado e ocasionalmente para corrigir uma deformação da coluna causada pela tuberculose.

Prevenção

Existem várias formas de prevenir a tuberculose. Por exemplo, pode utilizar-se a luz ultravioleta, pelo seu poder germicida, naqueles sítios onde pessoas diversas com afecções distintas possam ter de estar sentadas juntas durante várias horas, como nos hospitais ou nas salas de espera dos serviços de urgência. Aquela luz destrói as bactérias que se encontrem no ar.

O fármaco isoniazida é muito eficaz quando se aplica a indivíduos com elevado risco de desenvolver tuberculose. Entre eles encontram-se aqueles que tenham estado em contacto íntimo com alguém afectado pela doença, como, por exemplo, os trabalhadores da saúde cujas provas cutâneas à tuberculina se tenham tornado positivas (quando antes eram negativas) e cujas radiografias não revelem nenhuma doença. Isso significa que existe uma infecção recente que ainda se não desenvolveu por completo; ela pode ser curada tomando isoniazida diariamente durante 6 a 9 meses. Estudos recentes demonstraram que cerca de 10 % das pessoas com infecções recentes desenvolvem tuberculose se não for aplicado tratamento, qualquer que seja a sua idade.

O benefício da terapêutica preventiva é evidente nas pessoas com menos de 25 anos que reajam face à prova cutânea da tuberculina, dado que existe a possibilidade de que aquela infecção seja recente e possa ser curada facilmente antes que progrida. Os benefícios do tratamento preventivo em adultos com mais de 25 anos é difícil de demonstrar. O risco de toxicidade pelos antibióticos pode ser maior do que o risco de desenvolver tuberculose, excepto quando a reacção é o resultado provável de uma infecção recente.

Um indivíduo que tenha tido um resultado positivo na prova cutânea da tuberculina e, além disso, se infecte com o vírus da imunodeficiência humana (VIH, o vírus causador da SIDA) corre um risco muito elevado de desenvolver uma infecção activa; como consequência, administra-se-lhe isoniazida durante o maior tempo possível, para evitar o desenvolvimento da tuberculose. As pessoas infectadas com o VIH que não reajam à prova cutânea da tuberculina, mas que tenham um risco considerável de entrar em contacto com pessoas com tuberculose activa, devem também receber isoniazida. Este tratamento preventivo revela-se eficaz para eliminar as bactérias tuberculosas.

As pessoas com tuberculose pulmonar que estejam a receber tratamento não precisam de estar isoladas durante mais do que alguns dias, porque os fármacos reduzem rapidamente a capacidade infectante das bactérias. De qualquer modo, os indivíduos que tossem e não tomam a sua medicação correctamente podem necessitar de um isolamento mais prolongado para que não transmitam a doença. Um doente costuma deixar de ser contagioso ao fim de 10 a 14 dias de tratamento farmacológico. Contudo, se uma pessoa trabalha com outras muito expostas à doença, como os pacientes com SIDA ou as crianças pequenas, o médico pode necessitar de repetir as análises de uma amostra de expectoração para determinar quando já não existe perigo de transmissão da infecção.

Nos países em vias de desenvolvimento aplica-se uma vacina chamada BCG para evitar a infecção pelo Mycobacterium tuberculosis. A sua eficácia é duvidosa e só se utiliza nos países em que a probabilidade de contrair tuberculose é muito elevada.

Doenças semelhantes à tuberculose

Existem vários tipos de micobactérias. Algumas são semelhantes às que causam a tuberculose; de facto, podem provocar infecções com muitos dos sintomas da doença em questão. Apesar de estas micobactérias serem comuns, em geral só causam infecção nas pessoas com um sistema imunitário debilitado. As bactérias infectam principalmente os pulmões, mas também podem atacar os gânglios linfáticos, os ossos, a pele e outros tecidos.

As mais habituais são um grupo de micobactérias conhecidas como o complexo Mycobacterium avium. Estas micobactérias são muito resistentes à maioria dos antibióticos, incluindo os utilizados para tratar a tuberculose. As infecções causadas por estas bactérias não são contagiosas.

A infecção pulmonar causada pelo complexo Mycobacterium avium ocorre nas pessoas de meia-idade cujos pulmões tenham sido danificados por um tabagismo prolongado, uma infecção tuberculosa antiga, bronquite, enfisema ou outras doenças. Todavia a infecção por esta micobactéria é particularmente comum entre os doentes com SIDA.

A infecção costuma desenvolver-se lentamente. Os primeiros sintomas são tosse e expectoração com muco. À medida que a infecção avança, o indivíduo pode cuspir sangue regularmente e ter dificuldade em respirar. Uma radiografia do tórax pode revelar a infecção. No entanto, é necessário analisar no laboratório uma amostra de expectoração do indivíduo afectado para poder distinguir esta infecção da tuberculose. O tratamento com antibióticos não costuma ser eficaz, nem mesmo quando se associam vários fármacos.

De qualquer modo, dentro de muito pouco tempo disporemos de novos medicamentos capazes de atrasar a progressão destas infecções nas pessoas de idade avançada. Os casos ligeiros em pessoas que não estejam doentes com SIDA podem curar-se sem tratamento.

Nos doentes com SIDA ou outras afecções que debilitam o sistema imunológico, o complexo Mycobacterium avium pode disseminar-se por todo o corpo. Os sintomas são febre, anemia, perturbações sanguíneas, diarreia e dor de estômago. Apesar de os antibióticos poderem aliviar temporariamente os sintomas, a infecção costuma ser mortal, a menos que a resposta imunológica do organismo melhore.

A infecção dos gânglios linfáticos causada pelo complexo Mycobacterium avium pode verificar-se nas crianças, geralmente entre 0 e 5 anos de idade.

Ela ocorre habitualmente por se comer terra ou beber água contaminadas pelas micobactérias. Os antibióticos não curam normalmente a infecção, mas os gânglios linfáticos infectados devem ser extirpados mediante cirurgia.

Outras micobactérias crescem nas piscinas e até mesmo nos aquários domésticos e podem originar perturbações cutâneas. Estas infecções podem desaparecer sem tratamento. No entanto, as pessoas com infecções crónicas costumam necessitar de tratamento com tetraciclinas ou outro antibiótico durante 3 a 6 meses. Outra variedade de micobactéria, o Mycobacterium fortuitum, pode infectar as feridas e as partes artificiais do corpo humano, tais como uma válvula cardíaca mecânica ou um implante mamário. Os antibióticos e a excisão cirúrgica das áreas infectadas curam habitualmente a infecção.

Tuberculose: uma doença de vários órgãos
Localização da infecção Sintomas ou complicações
Cavidade abdominal Fadiga, ligeira dor ao tacto, dor semelhante à da apendicite.
Bexiga Micção dolorosa.
Cérebro Febre, dor de cabeça, náuseas, sonolência, compromisso cerebral que degenera em coma.
Pericárdio (saco membranoso que envolve o coração) Febre, dilatação das veias do pescoço, dificuldade respiratória
Articulações Sintomas semelhantes à artrite.
Rim Compromisso renal, infecção em torno do rim.
Órgãos
reprodutores:
Homens
Mulheres

Volume no escroto.
Esterilidade.

Coluna Dor, possível ruptura de vértebras e paralisia das pernas.

Fonte: www.manualmerck.net

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