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Vaginose Bacteriana

Vaginose Bacteriana - Foto Ilustrativa

Durante muitos anos o termo vaginite inespecífica foi usado para designar corrimento vaginal cuja causa não era Trichomonas vaginalis ou Candida spp. Em 1955 Gardner e Dukes definiram clinicamente essa afecção, denominando-a "vaginite por Haemophilus vaginalis". Desde então es- se microorganismo foi renomeado Gardnerella vaginalis.

Atualmente a vaginite por Haemophilus vaginalis é chamada de vaginose bacteriana (ou vaginose anaeróbica no Reino Unido) por causa da ausência de inflamação no epitélio vaginal. Outros usam o termo bacteriose vaginal, que significa excesso de bactérias na vagina. Supõe-se que a vaginose bacteriana resulte de uma interação complexa de muitas espécies de bactérias. Gardner e Dukes acreditavam que a doença fosse causada por G. vaginallis porque observaram que ela estava presente em mulheres sem essa afecção.

Em retrospecto, parece que eles não puderam recuperar a G. vaginalis neste último grupo porque o meio de cultura era inadequado e nas mulheres com vaginose bacteriana o número desses microorganismos é muito maior que nas mulheres sem essa afecção. O uso de técnicas de cultura mais sensíveis mostra que cerca de 50% das mulheres assintomáticas são colonizadas por G. vaginalis.

Epidemiologia

A vaginose bacteriana é a causa mais comum de vaginite mas sua epidemiologia ainda é pouco conhecida. Não é considerada DST, apesar de ser associada com grande número de parceiros e rara em mulheres não sexualmente ativas. O tratamento dos parceiros sexuais não é recomendado porque nenhum estudo documentou que essa conduta diminua a recidiva da vaginose bacteriana. Apesar da associação com DIU e história de tricomoníase, a maioria das pacientes não têm fatores de risco identificáveis para vaginose bacteriana. Sem tratamento a afecção pode ser autolimitante, recidivante ou crônica.

Manifestações Clínicas

Em 1983 o International Working Group on Bacterial Vaginosis estabeleceu critérios clínicos para o diagnóstico de vaginose bacteriana. Muitos casos são assintomáticos e diagnosticados somente em exames de rotina. Algumas dessas pacientes no entanto são apenas aparentemente assintomáticas, porque após o tratamento notam desaparecimento de mau cheiro ou pequeno corrimento vaginal dos quais até então não se tinham dado conta.

Esse achado pode ser atribuído ao fato de que muitas mulheres consideram o mau cheiro vaginal mais um problema de higiene do que um sintoma resultante de infecção. As mulheres portadoras de vaginose bacteriana podem se queixar de corrimento ou mau cheiro vaginal. Nos casos de vaginose bacteriana sem outras infecções genitais, 90% das pacientes se queixam de mau cheiro e 45% de irritação vaginal.

O corrimento, tipicamente leitoso, aderese na parede vaginal. A mucosa da vagina e da vulva têm aspecto normal, a falta de inflamação levou ao uso de vaginose em vez de vaginite. O termo vaginose não implica ausência de polimorfonucleares leucócitos na estrutura úmida da vagina. Em um terço dos casos há mais de 30 neutrófilos por campo de grande aumento.

O exame da paciente com queixa de corrimento ou mau cheiro vaginal inclui a avaliação segundo critérios para diagnóstico de vaginose bacteriana. O odor da secreção vaginal deve ser testado pelo ato de cheirar o espéculo após sua retirada ("teste de cheirada"); a secreção vaginal normal não tem odor desagradável. Se o teste for negativo executa-se um procedimento mais sensível para detecção de aminas, que consiste na mistura de algumas gotas de secreção vaginal e de hidróxido de potássio (KOH) a 10%, A mistura deve ser cheirada imediatamente para pesquisa de odor craccterístico e transitório de "peixe morto" da vaginose bacteriana. O hidróxido de potássio aumenta o pH, volatizando poliaminas como putrescina, cadaverina e trimetilamina. Muitas mulheres percebem o odor desagradável logo após o coito, porque o sêmen, com pH de 8,0, alcaliniza o fluido vaginal e libera as aminas voláteis.

Tratamento

Sendo a vaginose bacteriana causada por um desequilíbrio no ecossistema vaginal, alguns clínicos têm usado drogas homeopáticas como iogurte, gel de ácido acético, gel de ácido láctico e cremes hormonais. Nenhum desses tratamentos se mostrou mais eficaz que o placebo em estudos cuidadosamente controlados. É possível que a recolonização vaginal com cepas humanas adequadas de lactobacilos possa ser útil em conjunto com o tratamento antimicrobiano, mas até agora nenhuma cepa comercialmente disponível se mostrou benéfica. Numerosos estudos recentes relacionaram a vaginose bacteriana com complicações da gravidez, incluindo parto precoce, prematuridade e infecção de líquido amniótico. A preocupação com efeitos teratogênicos e carcinogênicos potenciais do metronidazol limita seu uso durante a gravidez, mas essa droga é considerada segura para uso no segundo trimestre.

Fonte: www.fmt.am.gov.br

VAGINOSE BACTERIANA

Corrimento vaginal

Um dos mais comuns e mais irritantes problemas que afeta a saúde da mulher é o corrimento vaginal também chamado de vaginite É uma das causas mais freqüentes de visita ao médico ginecologista. Caracteriza-se por uma irritação vaginal ou um corrimento anormal que pode ou não ter cheiro desagradável. Pode haver também coceira ou ardor na vagina ou vontade mais freqüente de urinar.

Os corrimentos podem ser causados por:

O diagnóstico é feito pelo médico ginecologista através da anamnese ( perguntas para a paciente), exame ginecológico e eventualmente exames de papanicolau ou exames de laboratórios. É bom esclarecer que nos casos de corrimentos é o diagnóstico clínico que tem maior valor. Nem sempre exames de laboratório negativos significam ausência de problemas.

Os corrimentos mais comuns são:

Candidíase ou monilíase vaginal

É um dos mais irritantes corrimentos. Provoca corrimento espesso tipo nata de leite e geralmente é acompanhado de coceira ou irritação intensa.

Candida ou Monília é um fungo e a candidíase é, portanto, uma micose.

A candida aparece quando a resistência do organismo cai ou quando a resistência vaginal está diminuída.

Alguns fatores são causadores desta micose:

Eventualmente o parceiro sexual aparece com pequenas manchas vermelhas no pênis.

O diagnóstico é clínico, através de exames de laboratório e o papanicolau.

O tratamento é a base de antimicóticos mas deve-se tentar tratar as causas da candidiase para evitar as recidivas.

Trichomonas vaginalis

Trata-se de um corrimento adquirido de forma sexual através de relações ou de contatos íntimos com secreção de uma pessoa contaminada.

O diagnostico é clínico e através de exames microscópicos realizados no próprio consultório médico, exames de laboratório ou pelo Papanicolau.

O tratamento é feito através de antibióticos e quimioterápicos sendo obrigatório o tratamento do parceiro sexual.

Vaginose Bacteriana - Gardnerella vaginalis

É provocado por uma bactéria Gardnerella vaginalis ou por outras bactérias.

Causa um odor desagradável principalmente durante a menstruação e nas relações sexuais.

Não é provado ser uma doença sexualmente transmissível mas mesmo assim o tratamento a base de antibióticos deve ser estendido ao parceiro sexual.

É diagnosticado pelo exame clínico, exames de laboratório e papanicolau.

Pode também ser diagnosticado por um teste químico realizado no próprio consultório médico.

Corrimentos vaginais de outras causas e corrimentos crônicos

Existem diversas outras causas de corrimento:
Vulvites - inflamações da parte externa dos genitais ou vulva causados por:

É muito importante que a própria mulher tente descobrir qual a causa de seu corrimento, experimentando tirar os fatores irritantes um a um.

Fonte: www.geocities.com

VAGINOSE BACTERIANA

Vaginose Bacteriana - Foto Ilustrativa

Apresenta-se como corrimento branco-amarelado abundante com mau cheiro

Conceito

Usa-se o termo vaginose para diferenciá-lo da vaginite, na qual ocorre uma verdadeira infecção dos tecidos vaginais. Na vaginose, por outro lado, as lesões não existem ou são muito discretas, caracterizando-se apenas pelo rompimento do equilíbrio microbiano vaginal normal. A vaginose é causada pela bactéria gardnerella vaginalis, que faz parte da flora normal vaginal, e pode não apresentar sinais ou sintomas. Quando ocorrem, estas manifestações caracterizam-se por um corrimento homogêneo branco-amarelado ou acinzentado, com bolhas em sua superfície e com um cheiro desagradável, assemelhando-se ao de "peixe podre", principalmente após a relação sexual. A coceira vaginal é relatada por algumas pacientes, mas não é comum.

Sinônimos: Vaginite inespecífica. Vaginose bacteriana.

Agente: Gardnerella vaginalis.

Complicações: Infertilidade. Salpingite. Endometrite. Ruptura prematura de Membranas que envolvem o feto.

Transmissão: Geralmente primária na mulher.

Período de Incubação: De 2 a 21 dias.

Tratamento: Medicamentoso

Prevenção: Camisinha.

Fonte: www.eerp.usp.br

VAGINOSE BACTERIANA

Vaginose Bacteriana - Foto Ilustratva II

É um desequílibrio da flora vaginal, ou seja, da quantidade e tipos de microorganismos que moram na vagina causando um predomínio de determinadas bactérias como Gardnerella vaginallis, Bacteróides sp, Mobiluncus sp.

Como se pega?

Pode ser através da relação sexual.

Quais os sintomas?

Quase metade dos casos de vaginose bacteriana são assintomáticos (não apresentam sintomas). Mas podem aparecer alguns sintomas como corrimento vaginal (acinzentado e cremoso), com mau cheiro (depois da relação sexual e durante a menstruação) e dor nas relações sexuais.

Quanto tempo demora para aparecer os sintomas?

Não dá para se saber ao certo, mas o mais importante é sempre procurar um serviço de saúde para ver como anda a saúde.

Como é o diagnóstico?

É feito com material (corrimento) recolhido da vagina.

Como é o tratamento?

Para iniciar o tratamento deve procurar um serviço de saúde, pois só assim o tratamento será correto e eficiente.

DICA

É importantíssimo ir sempre ao/a médico/a, para ver como anda nossa saúde ! ! !

Fonte: www.adolescencia.org.br

VAGINOSE BACTERIANA

Gardnerella vaginalis

É provocado por uma bactéria Gardnerella vaginalis ou por outras bactérias.

Causa um odor desagradável principalmente durante a menstruação e nas relações sexuais.

Não é provado ser uma doença sexualmente transmissível.

Mas o Centers for Disease Control and Prevention nos EUA define que esta doença pode estar relacionada com: Novo parceiro sexual, múltiplos parceiros sexuais.

Segundo o CDC a maneira de evitar esta doença seria:

Não ter relações sexuais ou contato sexual, limitar o número de parceiros sexuais próprios, não fazer duchas vaginais sem recomendação médica, e fazer o tratamento completo recomendado pelo médico.

O tratamento é a base de antibióticos e pode ser estendido ao parceiro. No homem não há sintomas da doença.

É diagnosticado pelo exame clínico, exames de laboratório e papanicolau. Pode também ser diagnosticado por um teste químico realizado no próprio consultório médico.

Fonte: www.gineco.com.br

VAGINOSE BACTERIANA

CONCEITO E AGENTES ETIOLÓGICOS

A vaginose bacteriana é caracterizada por um desequilíbrio da flora vaginal normal, devido ao aumento exagerado de bactérias, em especial as anaeróbias (Gardnerella vaginalis, Bacteroides sp, Mobiluncus sp, micoplasmas, peptoestreptococos). Esse aumento é associado a uma ausência ou diminuição acentuada dos lactobacilos acidófilos (que normalmente são os agentes predominantes na vagina normal).

CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS

Sinais e sintomas:

DIAGNÓSTICO

Exame a fresco ou esfregaço corado do conteúdo vaginal, que mostra a presença de "células-chave" ou "clue-cells", que são células epiteliais, recobertas por bactérias aderidas à sua superfície;

pH da secreção vaginal: a medida do pH vaginal é um teste rápido e simples, que produz informações valiosas. É realizado por meio de uma fita de papel indicador de pH, colocada em contato com a parede vaginal, durante um minuto. Deve-se tomar cuidado para não tocar o colo, que possui um pH muito mais básico que a vagina e pode provocar distorções na leitura. O valor do pH vaginal normal varia de 4,0 a 4,5. Na vaginose bacteriana é sempre maior que 4,5; e

Teste das aminas: algumas aminas são produzidas pela flora bacteriana vaginal, particularmente pelos germes anaeróbios. Essas aminas podem ser identificadas quando o conteúdo vaginal é misturado com 1 ou 2 gotas de KOH a 10%. Na presença de vaginose bacteriana, ocorre a liberação de aminas com odor fétido, semelhante ao odor de peixe podre.

O diagnóstico da vaginose bacteriana se confirma quando estiverem presentes três dos seguintes critérios, ou apenas os dois últimos:

TRATAMENTO

Metronidazol 500mg, VO, de 12/12 horas, por 7 dias; ou

Metronidazol Gel a 0,75%, 1 aplicador vaginal (5g), 1 vez ao dia, por 7 dias; ou

Metronidazol 2g, VO, dose única; ou

Tinidazol 2g, VO, dose única; ou

Secnidazol 2g, VO, dose única; ou

Tianfenicol 2,5g/ dia, VO, por 2 dias; ou

Clindamicina 300mg, VO, de 12/12 horas, por 7 dias; ou

Clindamicina creme a 2%, 1 aplicador à noite, por 7 dias

Gestantes

Clindamicina 300 mg, VO, de 12/12 horas, por 7 dias; ou

Metronidazol 250 mg, VO, de 8/8 horas, por 7 dias (somente após completado o primeiro trimestre); ou

Metronidazol 2g, VO dose única (somente após completado o primeiro trimestre); ou

Metronidazol Gel a 0,75%, 1 aplicador vaginal (5g), 2 vezes ao dia, por 5 dias (uso limitado em gestantes, tendo em vista insuficiência de dados quanto ao seu uso nesta população).
Parceiros

Não precisam ser tratados. Alguns autores recomendam tratamento de parceiros apenas para os casos recidivantes.

Observações

Durante o tratamento com qualquer dos medicamentos sugeridos acima, deve-se evitar a ingestão de álcool (efeito antabuse, que é o quadro conseqüente à interação de derivados imidazólicos com álcool, e se caracteriza por mal-estar, náuseas, tonturas, "gosto metálico na boca").

Tratamento tópico é indicado nos casos de alcoolatria.

Portadora do HIV

Pacientes infectadas pelo HIV devem ser tratadas com os esquemas acima referidos.

Fonte: www.aids.gov.br

VAGINOSE BACTERIANA

A Vaginose Bacteriana (VB) é a causa de infecção vaginal de maior prevalência em mulheres em idade reprodutiva e sexualmente ativas. Juntamente com a Candidíase e a Trichomoníase correspondem a 90% dos casos de infecções vaginais, sendo que a Vaginose Bacteriana ocorre em 35-50% dos casos, enquanto a Candidíase ocorre em 20-40% e a Trichomoníase em 10-30%.

A microbiota usual da vagina da mulher em idade reprodutiva é composta por Lactobacillus predominantemente (90%), sendo que muitos outros microrganismos podem ser cultivados da vagina de mulheres saudáveis: Staphylococcus coagulase negativa, Staphylococcus aureus, Streptococcus viridans, Streptococcus do grupo B, Enterococcus, Corinebacterias, Enterobactérias, Gardnerella vaginalis, Candida albicans, outras leveduras, Micoplasmas, Peptostreptococcus , Bacteróides, entre outros. A composição e a densidade populacional dos microrganismos pode variar de mulher para mulher e, numa mesma mulher, em diferentes condições fisiológicas, como nas diferentes fases do ciclo.

Nas mulheres em fase reprodutiva o estrógeno promove a maturação e diferenciação do epitélio vaginal em células superficiais maduras ricas em glicogênio. Este glicogênio é metabolizado em ácido láctico pelos Lactobacilos, conferindo um pH ácido à vagina ( menor que 4,5 ). O pH ácido e o Peróxido de Hidrogênio (H2O2), que também é produzido pelos Lactobacillus conferem a proteção natural da vagina, inibindo o crescimento de organismos como os anaeróbios.

Patogenia

A Vaginose Bacteriana é caracterizada como uma síndrome que resulta de um supercrescimento da flora anaeróbia obrigatória ou facultativa da vagina, acarretando mau cheiro, sem inflamação aparente.

Na Vaginose Bacteriana a fisiologia da vagina é alterada de maneira quantitativa e qualitativa. Os microrganismos anaeróbios isolados com maior frequência da secreção vaginal de mulheres portadoras de VB são: Gardnerella vaginalis, Bacteróides (Prevotellas), Mobilluncus , Peptostreptococcus e Porphyromonas.

A Gardnerella vaginalis é um bastonete Gram variável, pleomórfico, não capsulado, imóvel e anaeróbio facultativo. Cresce melhor em atmosfera de CO2 por 48 horas a 35 -37 ºC. É sensível ao Metronidazol e quando isolado de cultura pura como no caso de septicemia, deve-se usar ampicilina ou amoxacilina. Sua presença em altas concentrações na VB sugere um papel muito importante nesta síndrome, embora não seja o único agente etiológico.

Os Mobilluncus são bacilos curvos e móveis, anaeróbios estritos, que possuem dois morfotipos:

M. mulieris: Gram negativo, 2,9 micra, em sua maioria sensível ao Metronidazol.

M. curtisii: Gram variável, 1,7micra, todos resistentes ao Metronidazol.

Bacteróides, Porphyromonas e cocos anaeróbios: todos estão aumentados na vaginose bacteriana.

O supercrescimento dos microrganismos associados com VB tem várias sequelas: a Gardnerella vaginalis produz ácidos orgânicos (principalmente ácido acético), necessários para a proliferação de anaeróbios. Estes se multiplicam e produzem aminopeptidases, que formarão aminas. As principais delas são: a putrecina, a cadaverina, a trimelamina. Estas aminas elevam o pH vaginal. Especialmente a putrecina e a cadaverina, em presença de pH elevado, rapidamente se volatilizam e ocasionam mal cheiro (cheiro de peixe), que é característico das VB. As aminas e os ácidos são citotóxicos, acarretando esfoliação das células epiteliais e por conseguinte corrimento vaginal com as características células indicadoras ou clue cells.

Anaeróbios vaginais são capazes de inibir a quimiotaxia das células brancas do sangue.

Não se conhece o motivo exato para o supercrescimento da flora anaeróbia, mas existem fatores que podem alterar o ecossistema vaginal como o uso de antibióticos de amplo espectro, alteração do pH vaginal que se segue à ejaculação ou duchas, traumas vaginais, estados em que há diminuição da produção de estrógeno, etc. Estas alterações podem levar à infecções pelos agentes que normalmente compõem a flora normal.

Transmissão

Os mecanismos de transmissão da VB não estão claros. Algumas evidências sugerem que como infecção do trato urinário, é resultado da colonização vaginal por organismos retais. Mesmo assim é uma rara causa de infecção do trato urinário

Outros sugerem transmissão sexual. Num recente estudo o número de parceiros sexuais estava diretamente ligado a ocorrência de VB. Cerca de 90% dos parceiros de mulheres com VB tem colonização uretral por Gardnerella vaginalis, mas não está associado com manifestações clínicas.

Na gravidez VB tem sido associada com parto prematuro, ruptura prematura de membranas e corioamnionite. Gardnerella é um isolado comum do sangue de mulheres com febre pós-parto e febre pós-aborto.

Sinais

São quatro os sinais clínicos da VB: presença de células indicadoras ou clue cell, pH maior que 4,5, odor característico de peixe e corrimento vaginal abundante, esbranquiçado, homogêneo e não aderente.

Estes critérios individualmente apresentam sensibilidade e especificidade variáveis, mas a presença de pelo menos três dos quatro critérios, separam as pacientes com a síndrome daquelas pacientes sadias.

Diagnóstico

Pode ser feito, entre outros, pelo método de coloração ao Gram, pelo Papanicolau ou pelo isolamento bacteriano.

O exame da secreção vaginal através do Gram é mais relevante para o diagnóstico de VB que o isolamento da Gardnerella vaginalis , porque esta bactéria é freqüentemente parte da flora endógena vaginal. O esfregaço corado ao Gram permite uma melhor avaliação da flora vaginal e sua preservação permite sua utilização em exames comparativos posteriores assim como a coloração pelo método de Papanicolau.

Fonte: www.crfmg.org.br

Vaginose Bacteriana

A vaginose bacteriana é uma infecção que ocorre em função de um desequilíbrio na flora da vagina causado pela redução das bactérias "protetoras" e aumento das bactérias "estranhas à vagina" (como as bactérias do intestino e as do esperma) por contaminação.

Na maioria dos casos, a contaminação ocorre pelo contato de fezes com a vagina, seja pela má higiene ou pelo contato do órgão sexual masculino com o ânus e depois com a vagina. Esse desequilíbrio deixa a vagina "desprotegida", gerando um ambiente propício para a entrada do vírus HIV, causador da AIDS, e outras doenças sexualmente transmissíveis como a infecção por clamídia e a blenorragia (gonorréia).

A vaginose bacteriana é simples de ser tratada. No entanto, pode trazer implicações mais sérias se não for curada, pois aumenta as chances da mulher desenvolver algum tipo de inflamação pélvica e no colo do útero. Essas inflamações podem levar à infertilidade ou danos graves às trompas de falópio.

Se a mulher estiver grávida, a doença pode provocar parto prematuro ou o bebê poderá nascer com baixo peso. Normalmente, os parceiros não precisam fazer também o tratamento de vaginose bacteriana, mas a doença pode ser transmitida entre parceiras femininas.

SINTOMAS

Mulheres com vaginose bacteriana apresentam corrimento vaginal com odor desagradável, mais acentuado após o coito e no período menstrual. O odor é descrito como "cheiro de peixe" e tem cor branca ou cinza.

O corrimento tem aspecto cremoso e, à vezes, apresenta bolhas como uma espuma. Em alguns casos, a mulher sente ardência ao urinar e coceira ao redor da vagina. Pode haver dor durante as relações sexuais.

Entretanto, algumas mulheres podem ter a doença e não apresentar nenhum sintoma.

O diagnóstico da doença pode ser feito durante a consulta ginecológica, por meio do exame de bacterioscopia (um pouco do corrimento é colocado em uma lâmina que é examinada ao microscópio para análise da flora) e medição do pH vaginal (é realizado por meio de uma fita de papel indicador de pH, colocada em contato com a parede vaginal, durante um minuto).

TRATAMENTO

O tratamento de vaginose bacteriana é feito à base de medicamentos anti-microbianos e é essencial para mulheres grávidas. A vaginose bacteriana pode voltar mesmo após o tratamento.

Para saber mais sobre o tratamento da vaginose bacteriana, converse com o seu médico.

PREVENÇÃO

A vaginose bacteriana também está associada ao comportamento sexual da mulher em relação a novos ou múltiplos parceiros sexuais. A doença raramente aparece em mulheres que nunca tiveram relações sexuais.

Alguns cuidados simples ajudam na redução do risco de desequilíbrio do balanço natural da vagina e evitam o desenvolvimento da vaginose bacteriana:

Fonte: www.zambon.com.br

Vaginose Bacteriana

O corrimento genital é queixa muito comum em Ginecologia. É caracterizado pela presença de maior volume de líquido que o necessário à lubrificação da cavidade virtual da vagina.

O conteúdo normal da vagina provém de complexa mistura de substâncias oriundas, principalmente, da secreção dos epitélios glandulares, da descamação celular do trato genital, de neutrófilos e microrganismos saprófitas e da transudação dos capilares da parede vaginal. Em certas condições fisiológicas, o conteúdo vaginal pode aumentar, como por exemplo na época da ovulação e na fase pré menstrual, durante a excitação sexual, no período neonatal, na puberdade, na gestação e no puerpério.

É muito difícil quantificar a secreção normal da vagina. Sob o ponto de vista médico, pode ser um sintoma ou sinal: sintoma quando o volume é tão grande a ponto de ser expelido pela vagina, fazendo com que a paciente perceba a região vulvar permanentemente úmida e suas roupas íntimas molhadas. Sinal, quando apesar do desconhecimento da mulher quanto ao aumento da secreção, à simples inspeção podemos observar a saída através da região vulvar de líquidos sem características fisiológicas.

A etiologia do corrimento genital é bastanta variada, sobressaindo-se os agentes de natureza infecciosa.

A infecção pode se originar do crescimento da flora normal da vagina (oportunista), assim como da colonização de novos microrganismos introduzidos através do contato sexual e agravada pela promiscuidade.

A importância da infecção genital baixa reside na sua elevada frequência e na comprovação de que muito dos microrganismos envolvidos em sua gênese são, igualmente, responsáveis pelo desenvolvimento da moléstia inflamatória pélvica.

O trato genital possui alguns mecanismos de defesa contra a ascensão de microrganismos. Fatores mecânicos, como tegumento vulvar espesso, pêlos pubianos numerosos, adequada coaptação dos pequenos lábios e perfeita justaposição das paredes vaginais, já oferecem uma barreira inicial contra os agentes infecciosos. O muco endocervical alcalino, bastante proeminente na gestação, constitui um tampão mecânico e bactericida eficaz. Sobreleva-se, entretanto, a autodepuração vaginal, como principal mecanismo contra a infecção. Decorre da presença de lactobacilos (bacilos de Döderlein), que produzem peróxido de hidrogênio e também possuem a capacidade de converter glicogênio em ácido lático. Este, por sua vez, diminui o pH, tornando-o ácido. O mecanismo de autodepuração é indiretamente regulado pelo estrogênio e, portanto, aumenta o substrato para a ação enzimática do lactobacilo.

Analisaremos, a seguir, a vaginose bacteriana, responsável por cerca de 50% das infecções genitais baixas.

Etiologia

Constitui uma infecção polimicrobiana, cuja ocorrência depende do sinergismo entre a Gardnerella vaginalis e as bactérias anaeróbias, particularmente mobiluncus e bacteróides, associada ao decréscimo de lactobacilos. Prefere-se o termo vaginose e não vaginite, pois a resposta inflamatória é discreta.

Quadro Clínico

Corrimento de quantidade variável, homogênio, branco-acinzentado, aderente, bolhoso, com odor fétido que fica mais evidente durante a menstruação e pós-coito, devido ao pH mais elevado do sangue e sêmen. Pouca irrtação vulvar e vaginal, podendo ser caracterizada por ligeiro prurido, disúria e dispareunia discreta.

Diagnóstico

O teste das aminas consiste na adição de hidróxido de potássio a 10% sobre uma gota de conteúdo vaginal. Nos casos de vaginose, ocorre a liberação de aminas biovoláteis (cadaverina, putrescina e trimetilamina), as quais exalam um odor de peixe cru.

Exame microscópico

Pode ser feito a fresco ou corado pelos métodos de Gram, Papanicolau ou azul brilhante de cresil a 1%, entre outros. As principais alterações citológicas consistem na escassez de lactobacilos e leucócitos, alterações nucleares pouco evidentes e na demonstração das células-chave ou "clue cells". Estas representam células vaginais ou ectocervicais descamadas, intensamente parasitadas em sua superfície pela Gardnerella, que lhes confere aspecto granuloso característico.

Tratamento

O tratamento visa aliviar os sintomas e restabelecer o equilíbrio da flora vaginal.

Como medidas gerais, preconiza-se a abstinência sexual, a acidificação do meio vaginal e a utilização de duchas vaginais antissépticas com peróxido de hidrogênio a 1,5%. A utilização deste procedimento baseia-se no fato de que tanto a Gardnerella, quanto o Mobiluncus e os bacteróides, são extremamente sensíveis ao oxigênio liberado por este produto. Deve ser evitado o uso simultâneo de peróxido de hidrogênio e nitroimidazólicos, pois estes últimos são mais efetivos contra a G. vaginalis sob condições anaeróbicas. No entanto, o peróxido pode ser utilizado como medida auxiliar após a terapêutica antibiótica.

Quanto à terapêutica medicamentosa, representam os nitro-imidazólicos (metronidazol, ornidazol, minorazol, secnidazol, clotrinazol), utilizados por via sistêmica, as drogas de eleição. Recomendam-se 2,0g em dose única; 2,0g no primeiro e terceiro dias ou 500mg de 12 em 12 horas, por via oral, durante 7 dias. Os índices de cura são superiores a 90%. Prefere-se a via oral graças à sua rápida absorção e elevada biodisponibilidade. Quanto ao parceiro, embora controverso, preferimos tratá-lo apenas quando houver reicidivas.

Os efeitos colaterais mais intensos são gastrointestinais (náuseas e sabor metálico). A interação com álcool decorre da capacidade dos nitroimidazólicos inibirem a enzima álcool-desidrogenase - efeito dissulfiram-like. Potencialização de anticonvulsivantes e anticoagulantes warfarínicos pode ser observada.

Embora efeitos teratogênicos somente tenham sido demonstrados em animais, contra-indica-se seu emprego no primeiro trimestre da gravidez e desaconselha-se no segundo e terceiro trimestre da gravidez, mesmo nas preperações tópicas. Na prenhez, o aumento da vascularização e absorção vaginal promove maior biodisponibilidade dos preperados locais. Como opção terapêutica, usa-se amoxicilina, na dose de 500mg de 8 em 8 horas, por via oral, ou ampicilina, na posologia de 500mg de 6 em 6 horas, por via oral, ambas durante 7 dias.

Comentários

A importância da vaginose não se deve apenas à sua elevada frequência, mas, principalmente ao seu relacionamento com patologias obstétricas, tais como, corioamnionite, trabalho de parto prematuro e endometrite pós-parto.

Além destas entidades, também há relação com endometrites, salpingites (DIPA), infecções pós-operatórias, infecções do trato urinário e, até mesmo, neoplasia cervical intra-epitelial.

Fonte: www.drashirleydecampos.com.br