
Em noites límpidas e sem lua, longe das luzes artificiais das áreas urbanas, pode-se ver claramente no céu uma faixa nebulosa atravessando o hemisfério celeste de um horizonte a outro. Chamamos a essa faixa Via Láctea, devido à sua aparência, que lembrava aos povos antigos um caminho esbranquiçado como leite. Sua parte mais brilhante fica na direção da constelação de Sagitário, sendo melhor observável no Hemisfério Sul durante as noites de inverno.

No início do século XVII, Galileo Galilei (1564-1642), ao apontar seu telescópio para a Via Láctea, descobriu que ela consistia de uma multitude de estrelas. No final do século XVIII, o astrônomo alemão William Herschel (1738-1822), que já era famoso por ter descoberto o planeta Urano, mapeou a Via Láctea e descobriu tratar-se de um sistema achatado. Segundo seu modelo, o sol ocupava uma posição central na galáxia, mas hoje sabemos que essa conclusão estava errada. A primeira estimativa do tamanho da Via Láctea foi feita no início do século XX, pelo astrônomo holandês Jacobus Kapteyn (1851-1922). Na segunda década do século, Harlow Shapley (1885-1972), estudando a distribuição de sistemas esféricos de estrelas chamados aglomerados globulares, determinou o verdadeiro tamanho da Via Láctea e a posição periférica do Sol nela. Shapley descobriu que os cúmulos globulares (150 deles), que formam um halo em volta na nossa galáxia, estavam concentrados em uma direção; nenhum deles era visto na direção oposta. Ele concluiu que o Sol não está no centro de nossa galáxia. Assumindo que o centro do halo formado pelos cúmulos globulares coincide com o centro de nossa galáxia, ele deduziu que estamos a 30 mil anos luz do centro da Via Láctea, que está na direção da constelação do Sagitário.

O maior cúmulo globular da nossa Galáxia chama-se NGC2419, localizado na constelação do Lince e tem mais de um milhão de estrelas e um diâmetro de 1800 anos-luz.
Fonte: astro.if.ufrgs.br
O Céu como um todo, é muito bonito de se ver. A sensação que temos vendo a abóbada celeste estrelada nos envolvendo é tão forte que deixamos para os poetas a sua explicação. No magnífico cenário que é o céu visto a olho nu de um local sem a poluição (luminosa principalmente) característica das grandes cidades, destacam-se por suas belezas; a Lua e uma tênue faixa luminosa que corta o céu de fora a fora - a Via Láctea.
Na nossa civilização, o nome Via Láctea vem dos gregos antigos, que a viam como um "caminho de leite" no céu. É encontrada nas mais diversas culturas com os mais diversos nomes. Os índios Tembé (sul do Pará) a chamam de "Caminho da Anta"; por exemplo.

No início do século XVII, com a invenção do telescópio, vimos que a luz da Via Láctea consiste da luz "misturada" emitida por um número muito grande de estrelas. Quanto maior o telescópio utilizado, mais estrelas são vistas (individualizadas) nessa faixa do céu.
Hoje sabemos que essa faixa é a visão que temos de nossa própria galáxia, vendo-a por dentro. Galáxias são os agrupamentos imensos nos quais se reúnem as estrelas (e entre elas muito gás e poeira).

Adotamos o nome Via Láctea para a nossa galáxia. Ela é do tipo espiral.
Sua forma é denunciada pelo grande acúmulo de estrelas em um plano (o plano da faixa luminosa que vemos no céu). Não podemos ver distante ao longo do plano da Via Láctea, devido à grande quantidade de poeira aí existente.O tamanho de nossa galáxia e a localização do Sol, entretanto, são conhecidos há quase 80 anos. Isso foi possível observando aglomerados estelares (globulares) que se distribuem fora do plano da galáxia. Estimamos que a Via Láctea possui entre 200 e 250 bilhões de estrelas.

O Centro de nossa galáxia fica na direção da constelação de Sagitário que nessa época do ano se encontra em excelentes condições de observação à partir de Minas Gerais. (Encontramos vários tipos de nebulosas e aglomerados estelares nessa região.) Vendo do Sistema Solar, essa é a porção mais brilhante da Via Láctea. Também aí, como ao longo de todo o plano de nossa galáxia, não podemos ver longe, devido à grande quantidade de poeira existente em todo disco da Via Láctea.

Luz (onda eletromagnética) de frequência (cor) diferente, é absorvida diferentemente pelo meio interestelar. Isso faz com que tenhamos visões diferentes de uma mesma região do céu, se a observamos em "cores" diferentes. Na luz visível, por exemplo, é tão absorvida pelo meio interestelar que em qualquer direção do plano da Via Láctea, não podemos ver mais do que a algumas centenas de anos-luz de distância.
Fotografias de uma mesma região do céu, feitas em frequências diferentes, nos revelam objetos e constituintes diferentes, presentes a distâncias também diferentes.

Ondas na faixa de Radio são emitidas por gás quente ionizado e elétrons de alta energia se movendo na presença de campos magnéticos; Hidrogênio Atômico se concentra em grandes nuvens de gás e poeira; Hidrogênio Molecular está presente em densas núvens, muitas delas sítios de formação estelar; o Infravermelho é emitido por poeira "aquecida" por estrelas próximas, enquanto que grande parte do Infravermelho próximo (ao visível) é emitido por pequenas estrelas frias (tipo K); Raio X é emitido por moléculas de gazes quentes em colisão e os Raios Gama se originam de colisões de raios cósmicos com núcleos de Hidrogênio em núvens interestelares.
Fonte: www.observatorio.ufmg.br