O medo de rodar pelas ruas brasileiras está tornando a blindagem um recurso cada vez mais utilizado por proprietários de carros luxuosos ou nem tanto. Já se encontram veículos menores blindados, carros esportivos e médios. O número de blindadoras em São Paulo cresceu – hoje, existem cerca de 100 empresas – e a concorrência tornou os preços mais acessíveis.
Além da já consumidora classe AA, a blindagem tem interessado a classe B, composta por profissionais liberais como médicos, advogados, dentistas, etc.
Os números da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin) apontam que, entre 1995 e 2003, os blindados não passavam das 400 unidades em todo o País. Em 2004 esse número alcançou os 4 mil e, atualmente, estima-se que a frota brasileira está em mais de 25 mil carros.
Com o intuito de proteger os ocupantes do carro contra disparos de armas de fogo, o processo de blindagem envolve duas partes: a opaca e a transparente.
A opaca consiste na proteção nas partes metálicas do automóvel. Essa proteção é feita com chapas de aço balístico (leve, altamente resistente, cortado a laser para não perder as funções) ou com mantas de aramida ou polietileno (fibras leves de alta resistência, semi-rígidas, que não perdem as propriedades balísticas com o passar do tempo ou de agentes externos).
A Centigon O’Gara, que no Brasil está instalada no Tamboré, produz uma manta patenteada pela matriz norte-americana e a Dupont, que é de aramida termomoldada. “Ela permite ser adequada ao interior de cada veículo, para dar cobertura e acabamento melhores”, diz Alexandre Ret, diretor comercial da empresa.
A blindagem transparente é um trabalho feito de forma a preservar o grau necessário de transparência do vidro, pois as condições e o conforto ao dirigir não podem ser afetados. Quanto maior o nível de blindagem, maior esperssura o vidro terá.
No nível mais utilizado no Brasil, o Nível III-A, o vidro fica com 21 mm de espessura.
A classificação de níveis para a blindagem leva em conta o impacto do projétil do qual se pretende esquivar, tendo como base o calibre da arma, bala, massa, velocidade média e quantidade de disparos que podem ser realizados.
Segundo a legislação brasileira, que toma como base normas regulamentadas internacionalmente (NIJ), os veículos de passeio podem ser blindados até o nível III. (Os níveis são: I, II-A, II, III-A, III). O nível IV é exclusivo das Forças Armadas.
De acordo com Antonio Kim, diretor da Ace Brazil (empresa que comercializa lâminas de segurança), os blindados Nível I resistem até o calibre 38; o Nível II, a tiros de Magnum 357; e o Nível III-A, a disparos de Magnum 44.
“Cerca de 90% dos carros que nós blindamos no Brasil”, diz Alexandre, diretor da Centigon O’Gara, “são do nível III-A”. A empresa prepara carros no nível III para exportar. “O nível III aguenta fuzil, AR15, K47. Nós exportamos, na maioria, para o próprio governo norte-americano”, diz o diretor da Centigon O’Gara. Nesse nível III, a blindagem é feita com aço balístico de 6 mm e vidros de 39 mm.
Todo o serviço é controlado pelo Exército, de acordo com o art.1º da Portaria 8-Dlog (SSP) e o artigo 18 do R-15. Esta é uma forma de certificar-se de que a empresa blindadora está devidamente autorizada a desenvolver e comercializar o produto. Um carro blindado obrigatoriamente tem que ser registrado.
Primeiro passo: desmontar o veículo. São retirados vidros, bancos e toda a tapeçaria.
Todo o habitáculo do automóvel, então, é revestido pelo material que impedirá a passagem do projétil, seja chapas de aço balístico ou fibras de aramida ou polietileno.
O material é colocado por trás de toda as chapas do carro: portas, teto, colunas, parte posterior do painel, atrás dos bancos e demais regiões vulneráveis. As chapas são fixadas por parafusos, rebites ou adesivo à base de poliuretano, fazendo uma sobreposição (overlap) entre elas, para eliminar pontos vulneráveis.
O ponto crítico de uma blindagem é o vidro balístico. O material precisa aliar duas funções: proteger contra balas e manter a transparência, sem distorções. Para fazer um vidro blindado, unem-se várias lâminas de cristal, num sanduíche com filme de polivinil butiral (camada de plástico ultra resistente com acabamento interno e alta resistência a riscos). As bordas são revestidas com poliuretano para vedação. O vidro não pode apresentar qualquer distorção ótica, não pode produzir estilhaços, tem de resistir a impactos múltiplos e não esfoliar.
Concluída a blindagem opaca e a transparente, o carro é remontado para passar por acabamento. É bom certificar-se de que a montagem e o toque final são feitos nos padrões da montadora do veículo, já que existem algumas peculiaridades na hora de remontar.
O veículo ainda tem de passar por alguns testes para certificar que tudo está em perfeitas condições de segurança. Algumas blindadoras efetuam o teste de prova d’água em cabine antes e após o processo para atestar se não existem infiltrações.
O valor de uma blindagem gira em torno de R$ 35 a 70 mil. Depende da blindadora e do material utilizado, como manta ou aço, ou vidros de policarbonato ou resinado.
Tanto o aço quanto o painel balístico são eficientes para a contenção de armas de mão. Mas eles são bem diferentes: o aço, na espessura 2,8 mm, pesa 20,75 kg por metro quadrado. Já o painel, composto por fios de aramida, pesa apenas 3,37 kg.
A dúvida que intriga a todo motorista: O peso da blindagem faz o carro perder desempenho?
Alexandre Ret, da Centigon O’Gara diz que as consequências variam. “Veículos com maior potência não terão grandes alterações, já os de motorização menor sentirão um pouco o peso recebido. Depende muito do veículo. Na O’Gara usamos parte da carga que o carro pode receber, que é informada pela montadora. Não fazemos nenhum projeto que, na soma da blindagem e dos ocupantes, ultrapasse a carga máxima do carro”, explicou Ret.
Em comparação com os automóveis comuns, o desgaste nos equipamentos surge com maior rapidez, pois suspensão, amortecedores e pneus são mais exigidos – além aumentar o consumo de combustível.
Outro inconveniente é na hora da revenda, quando se perde praticamente todo o valor da blindagem. “Blindar o carro é somente necessário para quem está muito exposto à criminalidade, do contrário, a blindagem só acarretará em aborrecimentos”, concluiu Kim, da Ace Brazil.
Mas há os veículos originalmente blindados de fábrica. A vantagem está em que o carro foi especialmente produzido para receber este tipo de proteção e já vem com o espaço ideal para a instalação das chapas. As maçanetas das portas e as máquinas que acionam os vidros são produzidas especialmente para suportar o peso dos materiais blindados. Suspensão e freio são recalibrados para agüentar o acréscimo de peso.
Converse com amigos e parentes que já blindaram seus automóveis. Questione se o carro ficou muito pesado, se ficou difícil dirigir, se o acabamento foi bem feito, se o vidro apresenta distorção óptica e qual a garantia oferecida.
Procure por uma empresa idônea e certificada. As empresas blindadoras de automóveis precisam ser registradas no Exército Brasileiro e apresentar o Certificado de Registro (CR). Os materiais utilizados na blindagem devem ser adquiridos em empresas que possuam o Termo de Registro (TR).
Aço ou manta balística? A blindagem feita totalmente em aço é mais barata, mas é mais pesada.
Verifique o tempo de garantia da blindagem e de seus componentes. No mercado nacional, esta garantia varia entre dois e cincos anos.
Preço baixo é indício de má qualidade. Mas cuidado, empresas de má qualidade também cobram alto para disfarçar.
Cuidado com blindadoras recém-criadas. Empresas de blindagem surgem e desaparecem a todo o instante. Não adianta oferecer um determinado tempo de garantia se não puder sinalizar que estará ativa no mercado durante este período.
Sempre que possível visite a blindadora. É bom checar como são utilizados os produtos, o material e a tecnologia usada, a infra-estrutura, as condições e os procedimentos adotados para a fabricação e montagem.
Verifique se a blindadora testa os componentes e o produto finalizado ou, se ela apenas confia nos laudos dos fornecedores. Se este for o caso, peça para ver os laudos técnicos.
Prefira blindadoras recomendadas por montadoras. Atualmente, as principais empresas possuem acordos firmados com montadoras, para a execução de serviços de blindagem em seus automóveis.
Que partes do automóvel receberão a blindagem? Verifique se o motor ficará protegido, se existe proteção na parte da frente, no teto e após o porta-mala.
Não aceite blindagem parcial, pois é proibida pelo Exército Brasileiro. É importante perguntar se a blindagem possuirá “overlaps” ou “flamers”, que são nomenclaturas diferentes para a sobreposição de materiais balísticos.
Fique atento porque algumas blindadoras não contemplam pontos vitais do veículo, como a parte de trás dos cintos de segurança, das fechaduras, dentro dos espelhos retrovisores e caixa de rodas. Nos modelos sedans, às vezes falta blindagem onde se localizam os alto-falantes e na parte posterior do painel.
Fonte: www.alphanews.com.br
Entenda como ocorre o processo de blindagem e as alterações que ocorrem no carro.

A blindagem protege a integridade para projéteis disparados contra a área externa do veículo. A superfície externa é classificada em duas regiões: opaca (carroceria) e transparente (vidros). Na região opaca a proteção é construída com chapas de aço ou com mantas de aramida, um material que absorve a energia do impacto. Devido à baixa resistência dos vidros, a solução consiste em construir placas com camadas intercaladas de vidro e policarbonato. A escolha dos materiais e suas espessuras são feitas em função do nível de proteção escolhido. A qualidade dos materiais empregados é fator importante para a obtenção da resistência requerida.
A blindagem do veículo é realizada em cinco etapas.
Passo 1: O primeiro passo para a blindagem do carro é um check-list de todos os itens internos e externos, pois só dessa forma o carro pode ser desmontado e remontado com segurança. A única parte que se mantém intacta é o painel.
Passo 2: No “esqueleto” do carro são colocadas as mantas de aramidas (tecido leve e resistente que molda o interior).
Passo 3: Após esse processo, o veículo entra na funilaria, onde o aço balístico é ajustado e emborrachado.
Passo 4: O carro segue então para o acabamento, no qual são colocados os vidros, que podem ser laminados (várias camadas de vidro) e de policarbonato (uma espécie de borracha que vai entre duas camadas de vidro), além da reinstalação dos equipamentos internos.
Passo 5: Todos os equipamentos são conferidos.
Esse processo leva cerca de trinta dias e é realizado manualmente.
Algumas partes devem receber atenção especial. A extremidade dos vidros na junção com as portas e carroçaria é um exemplo e deve ter um recobrimento de aço (overlap). Os pneus também são reforçados por texturas de poliéster, colocadas dentro da roda. Atingido por uma bala, o pneu roda por mais 10 quilômetros.

Outro aspecto importante deve ser definido antes da blindagem, os vidros podem ser fixos ou móveis, no entanto, os vidros móveis requerem adaptação do mecanismo elevador e exigem cuidados na sua utilização pelo usuário.
Após o processo de blindagem, os carros são submetidos a teste de infiltração de água e Test Drive, para verificar se ocorrem problemas com a instalação do material blindado e remontagem do carro. Ao adquirir um serviço de blindagem de veículo, o consumidor deve esclarecer algumas informações sobre a blindagem, a garantia da qualidade do serviço e as orientações aplicáveis para o uso correto do veículo. Deve-se definir junto à empresa executora da blindagem o nível de proteção requerido e esclarecer as opções disponíveis de serviço (vidros móveis ou não, alteração da suspensão, revisões pós-serviço etc.). Verificar as condições de garantia e de contrato (prazos, condições de pagamento, entre outras).
Fonte: www.carroecia.com.br