No ano 79, Pompéia, Herculano e Estábia gozavam de prosperidade
nas encostas do vulcão Vesúvio, que se supunha extinto. Subitamente,
o cone vulcânico entrou em erupção, e a lava, o pó,
as cinzas e o vapor d'água expelidos formaram uma massa barrenta que
arrasou as cidades e matou seus habitantes. O estudo das atividades vulcânicas
permite hoje prever possíveis erupções, para retirar
a tempo a população.
Vulcão é toda greta ou abertura da crosta terrestre pela qual
se projetam gases, material clástico e magma procedentes do interior
da Terra. Ocorre tanto nas regiões continentais como nas submarinas,
mas sabe-se que os magmas se originam a altas temperaturas e pressões,
e que essas condições se encontram principalmente nas regiões
de contato das placas que formam a litosfera.
A capacidade de ascensão de um magma na crosta é determinada
por sua densidade e a pressão que atua na fonte. Alguns magmas não
ascendem diretamente de sua fonte ao ponto de erupção, mas são
coletados numa câmara magmática de profundidade intermediária.
O interesse crescente da ciência pelos fenômenos geológicos
permitiu estabelecer, com a disciplina denominada vulcanologia, as causas
da atividade vulcânica observada em determinadas áreas do planeta.
As erupções vulcânicas aparecem ligadas à produção
de magma fundido sob a crosta superficial. Seus focos se localizam a algumas
dezenas de quilômetros de profundidade, o que contradiz a crença
antiga de que as erupções lançavam materiais das camadas
centrais do interior da Terra. O surgimento do magma se deve principalmente
às fricções produzidas entre as placas litosféricas,
capazes de fraturar a crosta terrestre em conseqüência de suas
colisões internas. Daí a freqüente associação
observada entre os fenômenos sísmicos e os vulcânicos.
A atividade dos focos vulcânicos apresenta, no entanto, uma variabilidade
acentuada, com períodos inativos de até séculos ou milênios
entre duas erupções consecutivas.
Materiais de origem vulcânica. Os produtos das erupções
vulcânicas são lavas e rochas piroclásticas. O aspecto
da lava varia de acordo com o grau de fluidez, a composição
química, a temperatura, o grau de oxidação, o conteúdo
em gases e o tempo de esfriamento, que depende da espessura do derrame e do
ambiente aéreo ou aquoso. Todos esses fatores são interdependentes,
porque a fluidez é função da composição
química e da temperatura, do mesmo modo que o teor de gases, retidos
em maior quantidade nas lavas mais viscosas. O aspecto das lavas também
varia de acordo com o grau de inclinação do terreno onde se
dá o derrame.
Certas lavas têm aparência vítrea, enquanto outras se parecem
com escórias de fundição. As lavas mais ricas em sílica
são as mais viscosas. Alguns tipos de lava podem reter tal quantidade
de gases que se apresentam como verdadeira espuma solidificada, que recebe
o nome de púmice, ou pedra-pomes. Os vidros vulcânicos recebem
o nome de obsidiana e, na verdade, são lavas mais ricas em sílica.
Um dos tipos mais interessantes de lava é o ignimbrito, formado por
aglutinação de partículas expulsas em estado ainda líquido
em nuvens ardentes que se espalham sobre grandes áreas e se soldam,
formando embaixo os tufos soldados que gradualmente passam a tufos menos soldados
mais acima, até chegar a tufos sem o menor sinal de aglutinação
no ponto mais alto do depósito. Esse tipo de lava existe no estado
do Rio Grande do Sul e está relacionado a atividades magmáticas
da era pré-cambriana superior.
O conjunto dos produtos formados pela fragmentação das rochas
adjacentes à adutora vulcânica e lançados pelo vulcão
denomina-se material piroclástico. Os fragmentos maiores acumulam-se
junto ao edifício vulcânico, e os menores podem depositar-se
a longas distâncias. Constituem-se de lava formada em atividades anteriores,
de eventuais fenocristais intratelúricos expulsos durante a erupção,
bem como de blocos de rocha encaixante, ou seja, rocha adjacente ao aparelho
vulcânico.
Conforme o tamanho dos fragmentos, pode ser enorme a distância que atingem.
Os fragmentos com mais de cinco centímetros são chamados blocos;
entre cinco centímetros e cinco milímetros denominam-se lapíli;
e abaixo dessa dimensão recebem o nome de cinza, que não tem
relação alguma com o fenômeno da combustão.
Classificação dos vulcões. Fundamentalmente, distinguem-se
dois tipos de vulcões: ativos e extintos. No primeiro grupo se enquadram
cerca de 600 vulcões dos quais se conhece historicamente algum período
eruptivo, enquanto no segundo se incluem cerca de cinco mil crateras das quais
se desconhece a freqüência dos períodos de atividade. Essa
contagem, porém, exclui numerosos focos submarinos cuja atividade não
se percebe na superfície do oceano.
Uma classificação mais detalhada distingue quatro estados na
atividade de um vulcão: o repouso, fase de esgotamento do vulcão,
que freqüentemente sucede a uma erupção prolongada; a fase
solfatárica -- termo derivado do italiano solfatara, abertura da crosta
terrestre que desprende gases sulfurosos -- que se caracteriza pela emanação
de gases e vapor em forma de fumarolas a cerca de 1.000° C de temperatura;
a atividade de regime, com rios de lava ou lançamento de escória;
e a fase eruptiva propriamente dita, de tipo explosivo.
A atividade de regime, também denominada erupção permanente moderada, e a fase eruptiva são dois aspectos de um mesmo fenômeno, determinados pela proporção da lava, materiais silicosos e produtos gasosos. A maior acidez da lava provoca aumento de sua viscosidade e a faz apresentar maior resistência à saída dos gases da erupção. As lavas básicas e quentes, próprias do Havaí, pelo contrário, permitem uma erupção lenta, permanente e não explosiva que forma carreiras de vários metros de espessura, com superfície solidificada e interior fluido.

Outra manifestação da atividade de regime é o lançamento
de escórias, como se pode observar, por exemplo, no vulcão italiano
Stromboli. Esse fenômeno se deve a uma menor fluidez da lava, que provoca
maior resistência à saída de gases. Esta se torna intermitente
e mais explosiva.
As erupções violentas, chamadas também paroxismos vulcânicos,
se produzem com intervalos muito variáveis e projetam lavas a temperaturas
de 735 a 1.225°C. Distinguem-se vários tipos de paroxismos, mas
os que se revestem de piores conseqüências são as erupções
explosivas, como a produzida em 1883 no vulcão Krakatoa, que lançou
à atmosfera dois terços da massa da ilha sobre a qual se assentava,
no arquipélago indonésio. A erupção pode ser central,
quando se produz na cratera principal; lateral, sobre aberturas secundárias
do vulcão; e excêntrica, em pontos distanciados da cratera. Neste
último caso, a lava é expelida pelas fendas que surgem nas encostas,
e raramente pelas crateras.
Principais formas vulcânicas. As formas vulcânicas distinguem-se
em quatro tipos principais: (1) platô de lava; (2) vulcão de
escudo; (3) estrato-vulcão; e (4) depósitos vulcanoclásticos
acamados. Todos esses tipos contêm lava, rochas piroclásticas
e intrusões, mas em proporção e composição
diferenciadas.
Os platôs de lavas são acúmulos de lençóis
de lava, geralmente basáltica. Alguns exemplos são as lavas
recentes e terciárias da Islândia e as camadas basálticas
mesozóicas da bacia do Paraná, no Brasil, relacionadas com a
abertura do oceano Atlântico. As ilhas do Havaí são exemplos
de vulcões de escudo, estruturas cônicas que consistem basicamente
de lava.
Os vulcões mais conhecidos, como o Vesúvio, na Itália;
o monte Santa Helena, no sul do oceano Atlântico; e o Fujiyama, no Japão,
classificam-se como estrato-vulcões, formas vulcânicas compostas
de lava e material piroclástico. Esse tipo de vulcão geralmente
tem sua forma modificada devido à natureza explosiva. Finalmente, os
depósitos vulcanoclásticos são acumulações
de rochas piroclásticas como aquelas da ilha Norte, na Nova Zelândia,
ou do Parque Yellowstone, nos Estados Unidos.
Conforme sua situação tectônica, os vulcões recentes
podem ser agrupados em três categorias, segundo ocorram nas bacias oceânicas,
nos arcos de ilhas e margens continentais, e nos continentes. Nas bacias oceânicas,
a atividade vulcânica ocorre ao longo das cristas das montanhas formadas
pelo contato distensivo das placas litosféricas e em ilhas vulcânicas
isoladas. Os arcos de ilhas e margens orogênicas continentais são
o lugar de maior concentração da atividade vulcânica e
reúnem dois terços dos vulcões ativos da Terra.
Zonas de atividade vulcânica. As regiões de atividade vulcânica
do planeta se ligam principalmente a forças tectônicas submarinas.
As áreas de fratura se denominam cinturões, e entre elas se
destacam as seguintes: (1) o círculo de fogo do oceano Pacífico,
que inclui o leste da Ásia desde a península de Kamchatka e
as ilhas do Japão até as Filipinas, além do oeste do
continente americano; (2) a zona mediterrânea, causadora de violentas
erupções em regiões tão distantes como o Cáucaso
e o Mediterrâneo, principalmente nos arquipélagos do Egeu e nas
ilhas italianas; (3) as fossas submarinas dos oceanos Atlântico e Índico,
e os vulcões africanos; e (4) a região havaiana, com os vulcões
Mauna Loa, Mauna Kea e Kilauea, dos quais já se registraram mais de
setenta erupções não-explosivas.
A vulcanologia pretende, a partir do conhecimento das características
e da origem de cada uma dessas zonas de atividade, prever as erupções.
Desse modo se poderia evitar a repetição das catástrofes
que, no passado, causaram a destruição de cidades inteiras.
Fonte: geocities.yahoo.com.br